Imagine como é viver com diabetes tipo 1

Imagine se sentir como uma almofada de alfinetes humana de tanto se picar para testar açúcar no sangue. Às vezes posso utilizar até 10 tiras de glicose em um dia; sim, eu sou “hardcore”. Meus dedos estão tão perfurados com pontinhos pretos que, depois de algum tempo, podem começar a arranhar e arrancar.

Imagine ter que se injetar com insulina ou tomar um bolus através da bomba sempre que quiser comer. Imagine a dedicação que requer. É mais fácil do que você imagina esquecer de fazê-lo numa manhã antes de um café da manhã apressado ou então se preocupar pensando se você o fez duas vezes em um lapso temporário (talvez induzido pelo cérebro frito) na memória.

Imagine os comentários disparados contra você regularmente, palavras que podem machucar, por mais imprecisas que você saiba que possam ser. O estigma, a ignorância, o resultante sentimento de vergonha. Não sei contar quantas vezes me perguntaram se minha diabetes foi causada por mim ou provocada porque comi muitos doces quando criança ou comi alimentos errados.

Imagine a parafernália que você precisa se lembrar de levar sempre que sair. Agulhas e canetas de insulina ou cânulas sobressalentes para bombas. Medidor de glicose no sangue, tratamento para hipo, máquina de cetona ou cetostix, qualquer medicamento adicional. Mochilas pequenas e chamativas não são práticas para quem tem diabetes, mas eu consegui enfiar o máximo que pude em uma delas e, geralmente, acabei esquecendo ou até perdendo algo essencial. Na verdade, eu já esqueci a insulina e o equipamento de teste em muitas ocasiões.

Imagine a solidão entre colegas , a sensação de ser diferente e estar deslocado ou desconectado. O fardo da preocupação que você causa aos outros. A sensação de ser incontinente durante as noites de bebedeira ou festas, quando você precisa continuar verificando seus níveis de açúcar para se manter seguro.

Imagine não conseguir comer nada de novo sem escanear as informações nutricionais e observar o conteúdo de carboidratos para calcular a quantidade de insulina necessária. Ah, sim, é difícil não notar as quantidades de calorias e gorduras.

Imagine sentir-se esgotado emocional e fisicamente alguns dias, as hipoglicemias que parecem se repetir depois que você teve uma. Os açúcares altos que simplesmente não parecem ceder e fazem você se sentir inútil como uma coisa morta, deitada no sofá

Imagine as complicações muito reais do diabetes tipo 1 que podem ser devastadoras e debilitantes. Retinopatia, gastroparesia, nefropatia, neuropatia, para citar apenas alguns. Seu corpo apresenta falhas constantemente. 

Imagine a culpa que você sente por causar esses problemas, por não ser um “bom diabético”. A verdade é que alcançar a perfeição no controle do diabetes é tão raro quanto detectar um enxame de elefantes voadores. Ainda assim, existe culpa.

Imagine nunca se sentir completamente livre. Nunca conseguir pausar ou ignorar o diabetes tipo 1. Quanto mais você tenta negar e esquecer, mais prejudicial e fatal – se não for tratado à longo prazo – pode ser.

4.000 pessoas No Reino Unido passam pelo menos parte de cada dia assim, de acordo com a Juvenile Diabetes Research Foundation. Apenas considere isso. Pense em nós, pense em alguém que você conhece com diabetes tipo 1. Pare por um momento com esse pensamento.

Para todo mundo sentado no mesmo barco que eu: você está aqui e faz isso. Você está vivo e lutando. Continue e saiba que você é mais forte do que pensa e mais corajoso do que pode admitir.


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