Obesidade ou sobrepeso: saiba diferenciar os problemas e tratar da sua saúde

O consumo excessivo de alimentos calóricos e o sedentarismo são dois dos principais vilões quando o assunto é obesidade e sobrepeso. Juntos, esses dois fatores fazem com que a quantidade de calorias ingerida ao longo do dia seja maior do que a quantidade utilizada pelo corpo. Contudo, o problema também está ligado a distúrbios hormonais ou problemas emocionais, como ansiedade ou nervosismo.

Antes de mais nada, é importante separar a obesidade do sobrepeso. De acordo com a nutricionista Cátia Buscatti, a confusão pode ser comum, mesmo com tanta informação disponível atualmente na internet. “É possível encontrarmos na internet diversas tabelas de adequação e algumas outras que determinam o que é sobrepeso e o que é obesidade. Mesmo assim, muitas pessoas ainda confundem esses dois conceitos. Isso pode também determinar a escolha ou não de iniciar um tratamento, ou a identificar a necessidade de um emagrecimento de forma adequada para a sua saúde”, explica a nutricionista.

Uma das formas mais utilizadas para identificar se uma pessoa está ou não obesa é calculando o seu IMC (índice de Massa Corpórea). Adotado pela OMS (Organização Mundial da Saúde), o cálculo é feito da seguinte maneira: divide-se o peso do paciente pela sua altura elevada ao quadrado. De acordo com o parâmetro, o peso de um indivíduo é considerado normal quando o resultado do IMC está entre 18,5 e 24,9. 

Veja abaixo as faixas:

  • Peso normal: IMC entre 18.0 a 24,9 kg/m2;
  • Sobrepeso: IMC entre 25.0 a 29,9 kg/m2;
  • Obesidade grau 1: IMC entre 30.0 – 34.9 kg/m2;
  • Obesidade grau 2: IMC entre 35.0 – 39.9 kg/m2;
  • Obesidade grau 3 ou obesidade mórbida: IMC igual ou superior 40 kg/m2.

Ainda não sabe qual o seu IMC? Calcule aqui:

Embora o IMC seja uma boa orientação, ele nem sempre está totalmente correlacionado à quantidade de gordura corporal. Por isso, é importante consultar um profissional que, dependendo do caso, irá optar por um método de avaliação mais preciso para realizar o diagnóstico correto.

Cátia complementa que é preciso levar em consideração vários outros aspectos, como o percentual de massa gorda e a estrutura do corpo do paciente. “Eu tenho pacientes que estão com o IMC acima da tabela de adequação e que poderiam ser considerados com sobrepeso. Mas na verdade eles têm um índice de massa magra muito alto, e por causa do peso a mais de músculos, eles não podem ser considerados com sobrepeso. Então para cada caso é necessária uma avaliação profissional individual”, garante.

Outra forma de avaliar se a pessoa está ou não acima do peso é por meio da medição da gordura visceral. Na prática clínica, o profissional irá medir a cintura abdominal. Veja abaixo as medidas de circunferência abdominal recomendadas como “ponto de corte” pela Federação Internacional de Diabetes, de acordo com a etnia:

  • Europeus: maior ou igual a 94 cm em homens / maior ou igual 80 cm em mulheres;
  • Sul-africanos, mediterrâneo ocidental e oriente médio: idem aos europeus;
  • Sul-asiáticos e chineses: maior ou igual 90 cm em homens / maior ou igual 80 cm em mulheres;
  • Japoneses: maior ou igual 90 cm em homens / maior ou igual 85 cm em mulheres;
  • Sul-americanos e América Central: mesma referências dos sul-asiáticos.

Além dos graus de 1 a 3, a obesidade também pode ser classificada de acordo com a localização e a distribuição da gordura pelo corpo. São elas:

1. Obesidade abdominal

Também conhecida como central, androide ou obesidade em “forma de maçã”, a gordura fica acumulada principalmente no abdômen e na cintura, espalhando-se também, em menor proporção, pela cintura e pelo peito. É mais comum em homens, o que não significa que mulheres não possam tê-la.  

Está diretamente ligada ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares, como colesterol alto, doenças cardíacas, infarto, diabetes, inflamações e trombose.

2. Obesidade periférica

Neste caso, a gordura se acumula com maior intensidade nos quadris, nádegas e coxas, o que lhe rendeu o apelido de obesidade em pêra ou ginoide.

É mais comum em mulheres e está associada a problemas circulatórios, como insuficiência venosa e varizes, e também a diabetes e problemas cardíacos. Com o excesso de peso, também é comum aparecerem problemas nos joelhos, como a osteoartrite.

3. Obesidade homogênea

Neste caso, o excesso de peso se distribui de forma homogênea por todo o corpo.

Problemas causados pela obesidade

Falta de ar e dificuldade respiratória 

Isso acontece devido à pressão do peso abdominal sobre os pulmões.

Dores no corpo e nas articulações

Os pacientes também costumam se queixar de dores nas costas, ombros, joelhos e pernas, o que dificulta as caminhadas e a realização de exercícios físicos. A dor é provocada pelo excesso de peso nas articulações e a estrutura central de sustentação do corpo.

Dermatites e infecções fúngicas

Em muitos casos, surgem dobras pelo corpo onde se acumulam poeira e suor levando a dermatites e infecções fúngicas. Também é comum o aparecimento de manchas escuras na pele, principalmente em lugares como pescoço, axilas e virilhas.

Impotência e infertilidade

Alterações hormonais e dificuldades para a passagem de sangue pelos vasos também podem causar impotência e infertilidade.

Distúrbios do sono

Roncos noturnos e apneia do sono acontecem devido ao acúmulo gordura no pescoço e nas vias respiratórias. Também podem ocorrer pela falta de exercícios físicos.

Varizes e úlceras venosas

O problema pode ser causado por alterações nos vasos e na circulação sanguínea.

Ansiedade e depressão

A compulsão alimentar e a insatisfação com a imagem corporal podem aumentar a ansiedade e causar depressão.

É preciso cuidar da saúde

Cátia lembra que, em muitos casos, o paciente com sobrepeso pode achar que está tudo bem com a sua saúde e que não há motivos para se preocupar. Porém, se o sobrepeso está ligado a uma maior camada de gordura no corpo, ele pode ser considerado muito prejudicial à saúde com o aparecimento de algumas doenças ligadas ao excesso de gordura no corpo.

“São doenças crônicas, de uma forma geral, como diabetes, hipertensão arterial. Outros casos, nós temos também associados às dislipidemias, como o aumento das taxas de gordura no sangue como o colesterol LDL e as taxas de triglicerídeos. Um diagnóstico mais profundo, inclusive fazendo a avaliação bioquímica desse paciente é que a gente vai conseguir determinar o quanto que isso está prejudicando a saúde dele”, avalia a nutricionista.

A especialista destaca que, no caso de pacientes idosos, é preciso controlar as comorbidades, que são as doenças relacionadas ao excesso de peso e evitar o ganho de peso excessivo. “Isso sim pode ser muito perigoso para o idoso. A prioridade é evitar que ele tenha ganho de peso excessivo e ficar atento para uma situação muito comum entre os idosos que é a sarcopenia, quando ele tem uma redução da camada muscular, uma redução da massa magra, que faz com que eles fiquem bastante desnutridos”, adverte.

Cátia explica que, no caso dos idosos, não é necessariamente a obesidade o maior problema, mas as doenças que podem acontecer por conta da obesidade, como hipertensão arterial, diabetes mellitus, alguns tipos de câncer, apneia do sono e doenças cardiovasculares.

Tratamento para obesidade ou sobrepeso

Em um caso ou em outro, é importante que o paciente consulte um profissional nutricionista que irá determinar um tratamento eficiente para cada caso. “Todo mundo sabe que, para emagrecer, para reduzir peso, a gente precisa de atividade física regular associada a uma alimentação equilibrada”, explica. “Mas como conduzir isso na vida de uma pessoa é o X da questão”.

Atualmente trabalhando com nutrição comportamental, Cátia admite que o grande desafio é colocar tais ações, seja de praticar uma atividade física regular ou de ter uma alimentação equilibrada, dentro do contexto e da rotina do paciente. E garante: “Não existe uma receita de bolo certa para isso”.

“Não existe todo mundo fazer caminhada e todo mundo fazer a dieta X. Para cada caso, a gente vai trabalhar a sua individualidade, porque cada pessoa é diferente, tem uma rotina diferente, tem uma forma de ver a atividade física diferente – tem pessoas que têm prazer em fazer atividades físicas, outras não”, analisa a especialista. “Buscar de que forma que a gente consegue mudar a vida do paciente para que ele alcance a redução de peso de forma saudável e, mais importante ainda, consiga manter isso depois, para fugir do efeito sanfona que prejudica ainda mais a saúde”.

Dietas, só com acompanhamento!

Cátia destaca a importância de não realizar dietas sem o acompanhamento de um nutricionista e reclama do que chamou de “um excesso de informações desinformadas nas redes sociais”.

“Atualmente, basta fazer um rápido acesso a uma rede social que você encontra dieta low carb, dieta cetogênica, dieta mediterrânea e tantas outras indicadas por não profissionais de nutrição. As pessoas vão seguindo de qualquer forma e misturando várias linhas de tratamento e, ao final, isso pode prejudicar muito a saúde”. Ela lembra que, alguns pacientes com elevadas taxas de colesterol e de ácido úrico no sangue podem sofrer graves complicações com a adoção de, por exemplo, a dieta cetogênica (quando o paciente deixa de consumir carboidratos e passa a consumir fontes de gordura e de proteína).

O problema está no fato de que muitas dessas fontes de gordura e proteína são alimentos industrializados, com excesso de sódio, conservantes químicos e saborizantes que podem levar a quadros de alteração da pressão arterial, retenção de líquido, aumento das taxas de ácido úrico e uma série de outros prejuízos à saúde do paciente.


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