A corrida ajudou a salvar a minha vida’, diz corredor que perdeu quase 70 kg

O jornalista Carlos Manoel durante a sua primeira meia maratona, em julho de 2019, em São Paulo, após perder quase 70 kg

A corrida é sinônimo de superação para todos que a praticam. Seja em alcançar a linha de chegada dos seus primeiros quilômetros, diminuir o pace ou vencer pela sétima vez uma maratona, cada treino e cada prova geram uma satisfação única.

Mas o jornalista Carlos Manoel diz que o esporte tem um significado maior: quando começou a correr, renasceu. Até pouco mais de um ano atrás, pesava quase 140 quilos. “Chegou um momento em que meu corpo cansou e gritou por socorro.”

Com sua primeira meia maratona completada no fim de julho —o que reconhece ter sido um risco com pouco tempo de prática—, ele agora quer percorrer ainda mais quilômetros.

Há pouco mais de um ano eu renasci. Pode parecer exagerado para alguns essa minha afirmação, mas sinto que ganhei uma nova chance de viver no dia 20 de julho de 2018. Eu era obeso. Pesava quase 140 quilos na época. Tinha hipertensão arterial e por muito pouco não sofri uma crise hepática devido à grande quantidade de gordura no fígado.

Vivia com dores de cabeça, quase que diárias, além de sérios problemas no estômago, como a gastrite. Colesterol e diabetes estavam sempre no limite. Saía de casa apenas para comer e beber. E comia e bebia como se não houvesse o amanhã, que quase não existiu.

Não tinha disposição para subir escadas, passear com os cachorros, muito menos praticar atividade física. Sofria para amarrar o meu próprio tênis.

Mas até então, para mim essas condições e limitações não tinham importância. Eu simplesmente aceitava e, infelizmente, não fazia nada para mudar.

Só que chegou um momento em que meu corpo cansou e gritou por socorro. A mente demorou um pouco para entender a necessidade, mas acabou atendendo ao pedido e decidi mudar. Fui salvar a minha vida.

No dia 20 de julho de 2018 fui submetido a uma gastrectomia vertical. E consegui superar a obesidade. Hoje peso aproximadamente 70 quilos, não uso mais medicamentos para controlar a pressão arterial e meu fígado é saudável. As dores de cabeça e os problemas no estômago acabaram. Colesterol e diabetes foram totalmente controlados.

O jornalista Carlos Manoel em julho de 2018, quando pesava quase 140 kg (Arquivo pessoal)
O jornalista Carlos Manoel em julho de 2018, quando pesava quase 140 kg (Arquivo pessoal)

E nesse processo de emagrecimento/salvamento de vida, encontrei na corrida uma maneira prazerosa de voltar a praticar atividade física. E desde os primeiros treinos, que tiveram início somente em dezembro passado, após um árduo pós-operatório com direito a dores nas costas e a perda de quase toda massa magra, não parei mais.

Fui evoluindo aos poucos, adquirindo condicionamento físico e em janeiro, exatamente seis meses após a cirurgia, participei da minha primeira corrida. Uma prova de apenas quatro quilômetros aqui na capital paulista, mas o suficiente para ver que estava no caminho certo e que eu tinha que seguir em frente.

Após esta prova vieram os seis quilômetros, oito, 10, 15 e uma meia maratona. Sim, no último dia 27 de julho, pouco mais de um ano após o meu ‘renascimento’, participei de uma meia maratona, a SP City.

E aquilo que era inimaginável para mim e para todos aqueles que me conheciam, aconteceu. Corri 21,097 quilômetros em 2h18min pelas principais ruas e avenidas de São Paulo, a cidade que escolhi para viver e me acolheu tão bem.

Me precipitei em participar de uma meia maratona com pouco mais de seis meses de treino? Talvez. Mas, encarar uma prova desse tamanho era algo desafiador para mim. E eu, como muitos que acompanham o blog, sou movido a desafios. São eles que me fazem sentir vivo.

Mas, assim como tudo o que aconteceu comigo nos últimos meses, a corrida não foi fácil. A ansiedade na largada no Pacaembu, o frio no Minhocão, a emoção em passar pelo centro da cidade, a superação para subir a 23 de Maio, o controle para descer para o Ibirapuera, o cansaço para atravessar os túneis e chegar na marginal Pinheiros e, por fim, a superação, a força que veio do fundo da alma para completar a prova no Jockey Club.

21 quilômetros correndo e pensando em tudo o que aconteceu comigo nos últimos meses, em tudo o que fiz para conseguir superar mais um desafio. E essa reflexão durante o percurso, em meio a centenas de pessoas com os mais variados objetivos, me fez ter ainda mais certeza em continuar correndo, na busca por novos desafios.

A corrida ajudou a salvar a minha vida. Me sinto outra pessoa, literalmente. O próximo passo é me tornar um maratonista. E eu vou conseguir.


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