Novo estudo descobre medicamento que pode revolucionar tratamento da diabetes

Pesquisadores liderados pela Universidade de Yale, nos EUA, descobriram uma droga inovadora que atrasa o início da diabetes tipo 1, permitindo que o corpo continue a produzir insulina.

A descoberta mostra que é possível retardar o surgimento da doença, que é autoimune e considerada incurável, afetando as pessoas geralmente desde a infância.

Os testes foram realizados em 76 pessoas, a maioria com idades entre oito e 18 anos, todas consideradas de alto risco de possuir a doença.

Os pesquisadores descobriram que o tratamento com teplizumab – uma imunoterapia que “amortece” uma parte específica do sistema imunológico – levou a um atraso no início do diabetes tipo 1 em uma média de dois anos.

O tratamento foi administrado por meio de gotejamento, realizado todos os dias e durante duas semanas, evitando a destruição de células produtoras de insulina no pâncreas.

Jornal Ciência
Imagem: Reprodução / Hospital Israelita A. Einstein

Os cientistas selecionaram pacientes que tinham na família parentes com diabetes tipo 1, e que também carregavam dois ou mais autoanticorpos e já mostravam sinais anormais de açúcar no sangue.

O estudo em questão trabalhou com duas fases. Agora, na terceira e maior, os pesquisadores pretendem confirmar os resultados. Se bem-sucedido, o tratamento poderá estar disponível dentro de alguns anos.

O diabetes tipo 1 impede que o corpo produza sua própria insulina, o que significa que não há como regular o açúcar no sangue.

Ela geralmente aparece durante a infância ou adolescência, e todos com a condição são obrigados a conviver com injeções diárias de insulina para se manterem vivos.

Ao contrário do tipo 2, a diabetes 1 não está relacionado ao estilo de vida e é irreversível. Fundamentalmente ligada à genética, é considerada como uma condição inevitável.

Sendo assim, a ideia de que seu início possa ser adiado – mesmo que por apenas um ou dois anos, ainda é um grande passo na maneira como os cientistas compreendem a doença.

De acordo com Karen Addington, chefe-executiva da associação JDRF, especializada em diabetes do tipo 1, que financiou parcialmente o estudo, a ideia é desenvolver uma cura para as pessoas que já vivem com a doença, além de ajudar a evitar que se desenvolva nas que possuam a tendência genética.  

“Aprender a adiar o início é o primeiro passo”, acrescentou.

Os resultados do estudo foram publicados no respeitado New England Journal of Medicine e apresentados em uma reunião da American Diabetes Association, em San Francisco (EUA).


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