Estudo da Novo Nordisk mostra bons resultados de sua semaglutida oral para pacientes com diabetes tipo 2

Um estudo apresentado pela farmacêutica Novo Nordisk ontem, no Congresso Anual da Associação Americana de Diabetes (ADA, por sua sigla em inglês), em San Francisco (EUA), mostra que a semaglutida oral é segura para pacientes portadores de diabetes tipo 2 com alto risco de eventos cardiovasculares.

O Pioneer 6 (nome dado ao estudo) analisou o risco da semaglutida de forma randomizada, em estudo controlado por placebo, que avaliou a segurança cardiovascular do medicamento em 3.183 pessoas com diabetes tipo 2, todas com alto risco de eventos cardiovasculares, ao longo de 16 meses.

Os resultados são baseados na observação de 137 primeiros eventos cardiovasculares adversos e um tempo médio de acompanhamento de 16 meses. Os principais resultados do estudo, chamado de Pioneer 6, foram apresentados na manhã de ontem.

“A doença cardiovascular é a causa mais comum de incapacidade e morte em pessoas com diabetes tipo 2 no mundo”, afirmou o Dr. Mansoor Husain, investigador do Pioneer 6 e principal autor do estudo, além de diretor do Centro de Pesquisas Cardíacas Ted Rogers, em Toronto, no Canadá. “O Pioneer 6 demonstra que a semaglutida oral não aumenta o risco de efeitos adversos cardiovasculares, além de trazer evidências mais concretas de como a droga atua no sistema cardiovascular.

A semaglutida é um medicamento farmacêutico desenvolvido pela empresa dinamarquesa Novo Nordisk, que tem fábrica em Montes Claros, no Norte de Minas. Ela age no organismo estimulando a secreção de insulina pelo pâncreas e é comumente usado em injeções subcutâneas aplicadas com uma espécie de caneta. A principal vantagem do medicamento para pacientes brasileiros, até agora, é a possibilidade de injetar o medicamento em doses semanais, opção terapêutica recém-lançada no Brasil que reduz consideravelmente o número de injeções.

A empresa, no entanto, já desenvolveu a versão oral do medicamento, que está em fase de aprovação pelo FDA, nos Estados Unidos. A expectativa da empresa é que a semaglutida oral seja aprovada pelo FDA em setembro de 2020. Na Europa e no Japão, o medicamento deverá estar disponível ainda no primeiro bimestre de 2020. No Brasil, no entanto, espera-se que o produto seja liberado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no segundo semestre de 2021.

“Os resultados do Pioneer 6 fortalecem ainda mais a evidência clínica geral para a semaglutida, baseando-se nos fortes dados relatados em todo o programa de testes”, disse Mads Krogsgaard Thomsen, vice-presidente executivo e diretor científico da Novo Nordisk. “Estamos entusiasmados com o potencial da semaglutida oral para se tornar o primeiro e único tratamento oral com GLP-1 para pessoas com diabetes tipo 2.”

O programa de desenvolvimento clínico da fase 3 do teste da Semaglutida oral, da Novo Nordisk, envolveu, ao todo, 9.543 pessoas com diabetes tipo 2 em 10 testes clínicos diferentes.


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