Desvendando a hipoglicemia

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Silenciosa, a hipoglicemia é um quadro caracterizado por uma queda considerável das taxas de açúcar no sangue (abaixo de 70 mg/dL), gerando um déficit de energia e pode ser desenvolvido por falhas na alimentação – ou a falta dela – e até pelo cálculo errado da ingestão de insulina para quem necessita esta suplementação.

Típico de pacientes com diabetes, o quadro é bastante comum. De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, pelo menos metade dos portadores de diabetes tipo 1 sofrem episódios de hipoglicemia uma vez por mês. Apesar da alta incidência, boa parte de quem encara o problema sequer sabe que o possui.

Essa dificuldade em identificar a hipoglicemia está diretamente relacionada ao descaso dos próprios pacientes com diabetes na hora de medir os níveis de glicose no sangue. De acordo com o Ministério da Saúde, é recomendado que se faça uma medição pelo menos quatro vezes ao dia, o que nem sempre é atendido, conforme destaca a Dra. Denise Franco, médica endocrinologista, coordenadora dos Departamentos da SBD, e diretora da ADJ Diabetes Brasil.

“Nós temos o teste da ponta de dedo como a forma mais tradicional e comum de se medir os níveis de glicose no sangue para se controlar, mas infelizmente, até por conta do desgaste na hora de furar, alguns pacientes acabam não medindo o recomendado, o que dificulta o acompanhamento e controle desses níveis”, diz a médica que destaca que, com o avanço da tecnologia, esse problema já pode ser contornado.

“Hoje existem novas ferramentas para auxiliar nessa medição como o Freestyle Libre que é um sensor indolor que escaneia a glicose pela superfície da pele. A grande vantagem em relação ao exame da ponta de dedo é que, enquanto o exame tradicional te dá um número exato, com o Libre você consegue ver para onde os níveis estão indo, se está subindo ou descendo, o que ajuda muito tanto o médico quanto o paciente a fazer um controle mais específico”, explica Denise.

Hipoglicemia noturna

“A hipoglicemia pode acontecer em qualquer momento do dia, mas se ela acontece durante a noite a gente tem menos recurso para diagnosticar. Aqueles recursos que a gente tem durante o dia, que deixam a gente em um alerta maior, não se tem durante a noite por estar dormindo”, destaca a médica.

Segundo um levantamento feito pela Sociedade Brasileira de Diabetes, pacientes com o quadro costumam entrar em um sono mais profundo. Como consequência da hipoglicemia grave nestas situações, destacam-se as alterações cardíacas agudas, que podem levar o paciente a desenvolver uma síndrome chamada “dead in bed” (morte na cama, em tradução literal), onde o paciente é encontrado sem vida na cama.

Tanto este quadro em específico, quanto a hipoglicemia em geral, costuma trazer maiores riscos quando desenvolvidos em crianças, justamente pela dificuldade em se detectar os sintomas. Por isso vale prestar atenção no comportamento e principalmente, apelar para as novas tecnologias que fortaleçam esse controle para prevenir a doença.

“Detectar os sintomas nas crianças traz uma certa dificuldade devido a como elas se expressam. Sintomas como a irritação ou confusão mental podem passar despercebidos ou confundidos com situações normais. Uma boa forma de manter esse controle durante a noite é com o scanner que faz com que não seja preciso furar o dedo da criança durante o sono”, finaliza Denise.

 

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