Apoio familiar impacta diretamente o manejo do diabetes, diz especialista

Photo by Sandy Millar on Unsplash

“Apoio familiar impacta diretamente o manejo do diabetes” – é o que diz a especialista Hermelinda Pedrosa, sobre o papel do núcleo familiar na prevenção e controle da doença. O mês de Novembro, além da discussão sobre o Câncer de Próstata, engloba também a campanha de prevenção e conscientização sobre o diabetes, que ficou conhecida mundialmente como “Novembro Diabetes Azul”.

De acordo com a especialista, o tema da campanha chama a atenção para influências comportamentais e clínicas da família, que representa o grupo primário de relacionamentos e é capaz de impactar a saúde de seus integrantes. “O diabetes é uma doença crônica e exige mudanças efetivas nos hábitos cotidianos do paciente e da família, inclusive na relação com alimentos e exercícios físicos. É um processo educacional contínuo”, afirma.

Tal questão é ainda mais presente quando o diabetes acomete crianças e adolescentes. Dados da International Diabetes Federation (IDF) mostram que, em todo o globo, 425 milhões de pessoas convivem com o diabetes, das quais mais de um milhão são crianças e adolescentes com o tipo 1. No Brasil, o número estimado aproxima-se dos 13 milhões.

Pedrosa ressalta que as atitudes familiares repercutem na aceitação ou não dos mecanismos de enfrentamento da doença. Por isso, todo o núcleo familiar deve estar envolvido, já que no diabetes tipo 1 é dos pais a responsabilidade dos cuidados.

“O manejo da doença é complexo e demanda integração com todas as atividades diárias. O ambiente no qual a pessoa está inserida tem papel fundamental na forma como ela lida com o diabetes, e isso impacta o sucesso ou a falha do tratamento”, avalia.

No caso do diabetes tipo 1, a médica explica que o diagnóstico acontece geralmente na infância e adolescência, o que aumenta a responsabilidade familiar. Aqui, englobam-se alimentação saudável, controle da glicemia, condução da insulinoterapia, identificação e ação perante episódios de hipoglicemia. “A atenção especial da família ao processo de transição, conforme a criança cresce e chega à adolescência, é fundamental para que a conscientização e o autocuidado se ampliem naturalmente”, reforça Pedrosa.

Já o diabetes tipo 2 surge, em geral, na fase adulta e está ligado à resistência à ação e diminuição da produção de insulina no pâncreas, ação deficiente de hormônios intestinais, dentre outros. A obesidade, dislipidemia (elevação do colesterol e triglicerídeos), hipertensão arterial, histórico familiar da doença ou de diabetes gestacional, e o processo de envelhecimento são os principais fatores de risco. O tratamento demanda mudanças no estilo de vida. Ao receber o diagnóstico do diabetes, as adaptações da rotina devem ser intensificadas, sobretudo na eliminação de alimentos inadequados e do sedentarismo. De acordo com Pedrosa, é principalmente neste caso que a família pode ter impacto tanto positivo quando negativo na qualidade de vida.

“O envolvimento proativo da família aumenta o comprometimento de quem recebeu o diagnóstico, seja criança, adolescente, adulto ou uma pessoa idosa, e motiva um seguimento com mais chance de êxito resultando em melhor controle, mais qualidade de vida e menor frequência de complicações. Além disso, favorece o engajamento a associações de pessoas com diabetes, para buscar melhorias para o tratamento nas esferas governamentais e, claro, em campanhas de alerta para prevenção”, finaliza.

 

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