Diabética desenvolve “pâncreas artificial” nos Estados Unidos

Dana Lewis e seu marido promove campanha online para arrecadar dinheiro e produzir mais unidades

Imagine hackear (fazer modificações em algum sistema) o funcionamento de um pâncreas saudável e transferi-lo para um dispositivo eletrônico que funciona em conjunto com uma bomba de insulina e um monitor contínuo de glicose. Foi o que fez a americana Dana Lewis, 30.

Portadora de diabetes tipo 1, ela desenvolveu o chamado Do-It-Yourself Pancreas System (sistema pancreático feito por você mesmo, em tradução livre do inglês) em 2013 e, desde então, vem aprimorando o protótipo.

Comparado a um “pâncreas artificial”, o objetivo do aparelho é melhorar o controle da glicose, ajustando os níveis de insulina de forma autônoma. Isso faz com que o portador da doença possa cuidar da saúde sem intervenção – o que significa que ele não precisa mexer com doses ou monitoramentos. “Criamos o projeto para que os diabéticos tenham seu ‘próprio’ pâncreas”, afirmou Dana Lewis ao periódico “The Guardian”.

Para funcionar, a ferramenta utiliza dados da bomba de insulina (com uma tubulação que a injeta no sangue) e do monitor contínuo de glicose (que calcula os níveis no sangue para determinar e atribuir novas quantidades de insulina a serem aplicadas). A cada cinco minutos, as taxas de glicose no sangue e de insulina e a queda na quantidade de carboidratos no organismo são processados em tempo real.

As informações são extraídas e repassadas via bluetooth para um celular ou relógio inteligente que tem um aplicativo instalado. Esse algoritmo tem como função analisar os dados e enviá-los ao medidor contínuo de glicose, que vai determinar a quantidade de insulina que o organismo precisa naquele momento.

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Dana diz que, para funcionar, a ferramenta usa dados da bomba de insulina

Inspiração

Em 2013, Dana começou a ajustar o alarme em seu sistema de monitoramento de glicose, que não era alto o suficiente para acordá-la quando precisava. Ela chegou a pedir aos fabricantes para produzir um alarme mais alto, sem resposta. Determinada a resolver o problema, foi ao Twitter, onde conversou com Scott Leibrand – atualmente seu marido –, que aprendeu a transferir os dados de monitoramento para celular e computador. Ele lhe ensinou a ajustar o volume e o tipo de alarme necessários.

Ao lado de Scott, Dana usou essa tecnologia para criar um algoritmo preditivo para lhe dizer, antes de cada tarefa, o que poderia fazer para equilibrar melhor seus níveis de açúcar no sangue.

Atualmente, o casal promove uma campanha online para arrecadar fundos e produzir séries do produto a baixo custo, permitindo que outros diabéticos possam ganhar autonomia.

De acordo com a endocrinologista Ana Paula Zanini, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), esse tipo de tecnologia ajuda todo o grupo social envolvido no tratamento do diabetes. “Essa liberdade dá muito mais chance de se manter o paciente motivado, aderindo ao tratamento e a diminuir o risco de complicações a médio e longo prazos”, afirma a médica.

 

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