Novo tratamento promete facilitar a vida de quem tem diabetes tipo 2, mas não custa pouco

Medicamento pode aliviar o tratamento da diabetes com menos aplicações, mas não o seu bolso.

Segundo dados do Ministério da Saúde, existem 14 milhões de pessoas diagnosticadas com diabetes no Brasil, sendo que, nos últimos 10 anos, o número cresceu 61,8%. Buscando manter a qualidade de vida desses pacientes, a Novo Nordisk lançou no Brasil medicamento que permite o controle da doença com uma aplicação única de insulina por dia.

O medicamento, já aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e disponível sob prescrição médica, é indicado para o tratamento de adultos com diabetes tipo 2, que estão em situação de descontrole glicêmico.

Geralmente, o tratamento para esse tipo de diabetes era feito da seguinte maneira: o paciente se auto aplicava uma insulina “padrão” no começo do dia, por meio de uma caneta, e 15 minutos antes de cada refeição ele voltava a aplicar – o que é chamado de insulina ultrarrápida – com outra caneta. A função de ambas é regular o nível de glicose e mantê-lo controlado.

O novo medicamento, por sua vez, consiste na combinação fixa da insulina degludeca e do hormônio de GLP-1 liraglutida, em uma única caneta. Na prática, significa que uma aplicação de insulina é suficiente para manter o controle da doença, ao invés de aplicar insulina até 5 vezes por dia e fazer o monitoramento do nível de glicose em diversos momentos.

“Insulinizar o paciente é a primeira barreira para quem trata o diabetes e a segunda é intensificar o tratamento. Quando propomos aumentar doses ou aplicações, acabamos perdendo alguns pacientes que não querem reduzir a qualidade de vida e enxergam a medida como um agravamento da doença. Com a novidade, o nível de adesão ao tratamento certamente irá aumentar, pois simplifica o monitoramento e aplicação”, argumenta Carlos Couri, endocrinologista e pesquisador da USP Ribeirão.

A farmacêutica fez dois estudos para comprovar a eficácia do medicamento e ambos mostraram maior redução da glicada (exame que mostra a média de hemoglobina nos últimos 3 meses) e menor risco de hipoglicemia. Além disso, a combinação dos fármacos também evita ganho de peso – um dos problemas enfrentados pelos pacientes. Ainda segundo Couri, o novo método vai diminuir a inércia terapêutica, isto é, quando os médicos acabam não prescrevendo mais medicamentos ou remédios que sejam mais adequados para caso, por inércia ao tratamento com insulina basal.

A paciente Marlene Monti Lora, por exemplo, foi diagnosticada com diabetes há 20 anos, e passou uma década com um tratamento incorreto. “Eu não estava bem informada, e o médico que me tratava na época não estava atualizado. Além do tratamento ser individualizado, médico e paciente precisam estar alinhados e combater a doença juntos. Eu percebi a diferença quando comecei a me consultar com outro profissional. Lembro que ele disse que a doença não tinha cura, mas tinha tratamento. Isso mudou totalmente a minha perspectiva”, conta.

O medicamento tem poucos efeitos colaterais e a caneta de aplicação custa R$ 190 reais. Dependendo da dose indicada pelo médico, o paciente pode usar de 1 a 3 canetas por mês.

 

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