Com a falta dos medicamentos, diabéticos da Venezuela vivem à base de ‘remédios naturais’

Existem muitos remédios naturais eficazes que regulam os níveis de açúcar, como alho, canela, chá verde e até cebolas; tudo isso constitui o kit de primeiros socorros para diabéticos na Venezuela e, embora a situação se tenha tornado complicada, existem ainda rotas alternativas que podem dar uma pausa aos cidadãos.

A empresa farmacêutica Novo Nordisk realizou um estudo em 2015 que mostrou que, na Venezuela, quase dois milhões de habitantes sofrem de diabetes, e essas pessoas realizam grandes esforços para encontrar medicamentos, como Isauro Vicent, um homem de 66 anos que leva dias passando pelas farmácias da cidade: – “graças a Deus, eu tenho um carro, pois pelo menos 3 dias por semana eu tenho que sair com minha esposa e filhos para visitar todas as farmácias que podemos para poder comprar uma ou duas caixas de medicamentos para garantir o tratamento por vários meses”.

O alto custo de vida

Glucophage, metformina, glibenclamida, glimepirida, ezetimiba e sitagliptina são alguns medicamentos prescritos para pacientes com diabetes e que são extremamente difíceis de encontrar e, quando encontrados, são geralmente importados e estão com preços tão altos que a maioria não consegue pagar.

“Medicamentos nacionais já não existem, e agora é preciso trazer da Colômbia e são legais em todas as farmácias, mas seu preço é demasiado alto. Eu tomo o Glucophage e quando chegam os importados é preciso pagar até 50 mil bolívares por caixa, e ainda é difícil de encontrar”, disse Vicent, que com grande esforço consegue comprar a droga.

Rotas econômicas de fuga

Há também aqueles que, por uma razão ou outra, não têm a possibilidade de acessar a droga e têm que tentar manter a doença sob controle, como Loymaría Peña, uma menina de 17 anos que vive com a doença há 5 anos. “Eu tive que passar meses sem a medicação ou sem cumprir o tratamento completo”.

Peña diz que suas limitações cresceram nos últimos anos e que ela tem que cuidar mais do que come, embora às vezes seja difícil por causa da situação “Eu me preocupo muito quando fico sem medicamentos. Quando isso acontece, eu fico ainda muito meticulosa sobre o que como. Minha vida mudou drasticamente nos últimos dois anos”.

A jovem diz que existem formas de regular o dano da doença, embora não sejam tão eficazes como a droga. “Peguei chá de moringa, semente de moringa, chá de mandarim, limão em jejum e água canária, mas na verdade, eu não vejo muitas mudanças, de tempos em tempos ainda tenho recaídas; o ideal é se exercitar e comer saudável, o que ajuda muito porque o exercício queima açúcar, reduz os níveis de glicose no sangue e o colesterol ruim e reduz a ansiedade”.

Cecilia Santana, de 63 anos, é outra paciente diagnosticada com diabetes, ela explica que, às vezes, fica com níveis perigosamente altos de açúcar e não possui remédio. Em tais casos apela para remédios naturais. Nos momentos de emergência em que eu não tenho remédios, faço um chá natural com guaireña, também conhecida como moringa, e eu fico muito bem”.

“Eu tinha diabetes desde os 42 anos de idade, e antes era muito fácil controlar a doença e viver com ela. Ultimamente tornou-se muito mais difícil, alterei totalmente meu estilo de vida, perdi peso, já não como mais doces, não bebo licor e eu mantenho uma dieta rigorosa, eu mesma tive que parar de comer certas frutas, mas graças a Deus, temos os remédios naturais que são muito úteis”, disse Santana.

 

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