O maratonista que superou o diabetes

Bruno superou o diabetes e hoje é um maratonista

Imagine a situação: você tem 18 anos e está cheio de planos, como todo jovem dessa idade. A principal preocupação é com o vestibular que se aproxima. Mas, do nada, uma bomba explode e sua vida muda radicalmente: você é diagnosticado com diabetes tipo 1 — raro para essa faixa etária, pois geralmente a doença se manifesta na infância.

Você enfrenta um período de internações, visitas a médicos, exames e, especialmente, dúvidas. Muitas dúvidas. Pouco a pouco, com a ajuda da família, você começa a aceitar a nova condição e muda hábitos alimentares e o estilo de vida. E faz uma promessa: nunca deixar a doença impor limites à sua vida.

Você decide ir além e coloca na cabeça que vai completar uma maratona. E, claro, você consegue.

Essa é a história de Bruno Helman, um paulistano de 23 anos que acaba de ser selecionado para integrar o time da Medtronic Global Champions. A Medtronic é uma das maiores produtoras de tecnologia voltada à saúde e patrocina os atletas que utilizam dispositivos médicos. Bruno, por exemplo, usa uma bomba de insulina para manter sua glicemia controlada.

Os atletas desse time vão disputar a Twin Cities Marathon, nos Estados Unidos, no próximo dia 1º de outubro.  A largada da prova é em Minneapolis e a chegada em St.Paul.

A prova nos Estados Unidos será a segunda maratona de Bruno. A primeira foi no Rio de Janeiro, em maio do ano passado. A história dessa conquista, que comecei a contar no início do texto, vale ser compartilhada. Ainda no choque da descoberta da doença e das adaptações que a novidade lhe impunha, Bruno decidiu dar uma prova de amor ao pai, recompensando todo o amor, carinho e dedicação que sempre recebeu da família. Passou a treinar corrida.

Bruno junto de seu pai
Bruno junto de seu pai

Primeiro foram os 5km na esteira. Logo passou a disputar provas de rua, sempre ao lado do pai, Sr. Décio, amante das corridas com três maratonas no currículo. Vieram os 10km, os 16km, a primeira meia-maratona e, depois, os 30km. Diante disso, chegava a hora de enfrentar a maratona, ou os 42.195 metros para os mais íntimos. Bruno então criou o projeto “Maratona Pai e Filho” em que se propunha a correr a Maratona do Rio de Janeiro ao lado do pai. E assim foi feito.

“Fiz a maratona no coração. Psicologicamente eu estava preparado, mas fisicamente, não”, diz ele.

Bruno conta como foi sua preparação para essa prova. “Foi feito todo um trabalho para entender como o diabetes se comportava conforme eu aumentava as distâncias e o pace nos treinamentos. Eu fazia medições de glicemia a cada 5km”.

O atleta conta com a assessoria esportiva de Emerson Bizan, que é ultramaratonista, também tem diabetes e se especializou em treinar atletas com essa condição. “Uma pessoa que tem diabetes tem tantas limitações quanto qualquer outra pessoa. O que nós precisamos são alguns cuidados extras, mas nada demais. O importante é manter um bom controle do pré-prova, ou seja, controlar a glicemia ao nível médio, para que eu possa desenvolver um bom pace”, explica Bruno.

Durante a prova, ele utiliza um sensor na cintura, do tamanho de um pager, para controlar o nível de açúcar no sangue. Conforme a necessidade, utiliza a insulina.

Voltando à Maratona do Rio, ele largou bem e acabou se distanciando do pai. “Se fosse no ritmo mais lento para acompanhar meu pai, tinha receio de quebrar no final. Também não podia parar com medo de não conseguir correr mais. Então, quando cheguei no km 30, tomei a decisão de voltar correndo de encontro ao meu pai. Não podia deixar de passar a linha de chegada ao lado dele. Os corredores me olhavam e falavam: você está indo para o lado errado!”, diverte-se.

Hoje, Bruno dedica sua vida à causa do diabetes. Dá palestras e é voluntário da Sociedade Brasileira de Diabetes. “Diabetes tipo 1 não é doença. É uma condição autoimune”, diz.

O atleta ativista está empolgado com a próxima maratona. “Em primeiro lugar quero sensibilizar e inspirar o maior número de pessoas, especialmente jovens, para que eles vivam suas vidas ao máximo. Não se deixem limitar pelo diabetes. Quero quebrar o paradigma de que o diabetes impõe limitações.”

Bruno também tem um objetivo esportivo. Quer terminar a Twin Cities Marathon abaixo das 4 horas. E estar bem para encarar a terceira maratona, a de Nova York, no começo de novembro. Em NY vai correr com o objetivo de arrecadar fundos para uma Organização Mundial que fomenta a pesquisa da cura do diabetes.

Pelo visto, fôlego e disposição não faltam ao Bruno! Acompanhe as aventuras do Bruno no Instagram dele.

 

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