Tratamento para cicatrização à base de luz criado por recifense vai ter apoio do BID

O pernambucano quer ficar conhecido como o criador de um novo marco do tratamento da diabetes e como um importante contribuinte de uma nova fase no tratamento do câncer

A Beone Tech, empresa do pernambucano Caio Moreira Guimarães, está mais perto de colocar no mercado um aparelho que oferece tratamentos para feridas de difícil cicatrização com o uso de frequências de luz. A ferramenta está na fase final de testes e deverá ser comercializada até o segundo semestre de 2018, primeiramente para clínicas e hospitais do Brasil. A criação da Beone Tech pode acabar com o sofrimento de mais de 12 milhões de brasileiros com diabetes e outras 100 milhões de pessoas no mundo. O aparelho ajuda a controlar a inflamação, impede a proliferação de bactérias, reduz o tempo de cicatrização e os gastos com o tratamento em quatro vezes. Pela revolução social que deve iniciar, o empreendimento foi um dos sete brasileiros selecionados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Instituto de Cidadania Empresarial (ICE) para receber R$ 200 mil e orientação por três anos.

“Iremos fazer os registros do produto nos órgãos responsáveis, como a Anvisa, produzir um lote de 500 aparelhos e iniciar as vendas. Também estamos realizando uma rodada com investidores privados para planejar o escalonamento da produção e o estudo de novos aparelhos”, afirma Guimarães, que comanda a Beone junto aos sócios Breno Carvalho, Luciana Rezende e Patrícia Moura. Em maio, o gestor se mudou para São Paulo para conseguir novos investidores e, em breve, deverá contratar uma equipe comercial para iniciar a comercialização do produto. Segundo ele, o lançamento também será em São Paulo, mas as vendas serão abertas para todo o Brasil e, talvez, no mercado internacional. “Precisamos de vários registros ainda para iniciar a exportação, então é algo que ficará para um segundo momento, talvez em 2019.”

Atualmente, a ferramenta está sendo testada em 10 pacientes do Hospital Agamenon Magalhães, na Estrada do Arraial,  Recife. Os resultados são animadores. “Estão surpresos com a recuperação dessas pessoas. A maioria já está com uma cicatrização de 90%, mesmo aqueles que estavam com as feridas abertas há anos”, afirma Caio Guimarães.

A história de empreendedorismo do inventor de 26 anos também surpreende. Formado em engenharia biolétrica (une medicina e engenharia), em 2012, Caio viu sua vida mudar ao ser selecionado através do programa Ciências Sem Fronteira, patrocinado pelo governo federal, para estudar em Nova York. Ele, então, matriculou-se na Hofstra University. No período de férias enviou currículo a cerca de dois mil professores de Harvard e Massachusetts Institute of Technology. Até que Andy Yun, professor sul-coreano, físico e PhD que dava aulas em Harvard e na MIT, o chamou para um estágio. Da experiência, Caio criou um aparelho portátil (dá para segurar com as mãos) e recebeu autorização para fazer testes e comercializar, plano que está sendo concretizado agora.

O aparelho idealizado por Caio poderá evitar até 70 mil mortes no Brasil causadas pelo “pé diabético” já em seu primeiro ano de lançamento. Mas, para Caio, isso é apenas o começo. O pernambucano quer ficar conhecido como o criador de um novo marco do tratamento da diabetes e como um importante contribuinte de uma nova fase no tratamento do câncer. Isso porque, segundo estudos prévios da Beone, os feixes de luz também podem ser utilizados para ativar a medicação das quimioterapias e fazê-las localizadas. Apenas na região do tumor o medicamento fará efeito, evitando de efeitos colaterais. “Iremos trabalhar com o uso de comprimentos de luz na recuperação de escaras, úlceras, na cicatrização pós-cirúrgica, epilepsia, convulsão e depressão”, comenta.

Ele diz que as ferramentas serão adicionada a uma plataforma que já existe na empresa. “A gente tem uma plataforma tecnológica que pode ser aplicada para diversos tratamentos. Escolhemos o ‘pé de diabetes’ porque precisávamos começar de algum lugar e a complexidade é menor.  Mas já estamos avaliando outros caminhos. No caso do câncer, já existem medicamentos fotoativados, que dependem de um cumprimento de luz para reagir, então é possível avançar”.

 

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