Especialistas orientam como aumentar a carga de exercícios

Médicos ressaltam que os cuidados na hora de se preparar para correr uma maratona são bem diferentes dos exigidos para uma leve caminhada

O cardiologista Fabrício Braga gosta de usar uma comparação para explicar o quão eficiente é o exercício físico para melhorar — e manter — nossa saúde: se um remédio faz efeito positivo quando uma pílula dele é ingerida, não adianta tomar duas ou três de uma vez porque isso só fará mal ao organismo; já a atividade física, quanto mais se pratica, melhor.

— Não se conseguiu encontrar até hoje, por meio de nenhum estudo, um limite para o exercício físico. Não existe um momento em que ele para de fazer bem — destaca ele.

Ele esclarece, porém, que para aqueles que querem fazer atividades de esforço intenso ou por muitas horas seguidas, é necessário estar com a saúde em dia para que o esporte não seja um gatilho para problemas do coração.

— Não é uma boa ideia, por exemplo, a pessoa estar com o diabetes descontrolado e começar a praticar exercícios intensos. Primeiro, ela precisa controlar outros aspectos de sua saúde para, depois, entrar numa rotina mais pesada de exercícios — recomenda o médico.

— É muito importante estar atento ao excesso de peso antes de começar a fazer exercícios intensos. Se o indivíduo está gordo e faz atividades de impacto, o risco de uma lesão é maior. O ideal é se exercitar moderadamente até entrar no peso ideal, e só então seguir para a prática intensa — aconselha o ortopedista João Grangeiro, que foi diretor médico do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos do Rio.

— Não queremos “medicalizar” o exercício físico — pondera o médico. — Para fazer uma caminhada na orla é claro que não é preciso se encher de exames. Mas, quando se quer pedalar em ladeiras, subir a Vista Chinesa correndo, virar atleta amador é necessário, entre outras coisas, realizar um teste de esforço.

Cláudio Domênico, membro das sociedades Americana e Europeia de Cardiologia, ressalta que o primeiro passo é se consultar com um médico que possa fazer exames clínicos e coletar a história de vida do paciente — saber, por exemplo, se ele tem algum caso de morte súbita na família. Essa consulta costuma levar a exames como eletrocardiograma, ecocardiograma e teste de esforço, aquele no qual a pessoa caminha e corre por uma esteira enquanto está ligada a aparelhos que verificam os batimentos e as reações de seu corpo.

De forma geral, a dose de exercício físico recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e por diversas instituições internacionais é 150 minutos de atividade moderada por semana ou 75 de atividade intensa.

— Temos esse consenso sobre a “dose” de atividade que é entendida como ideal, mas o interessante do exercício é que ele já começa a fazer efeito no minuto em que a pessoa sai do sofá. Praticar 30 minutos é melhor do que 20, mas com 20 já existem benefícios e já é bem melhor do que não fazer nada. E conseguir fazer uma prática superior à da recomendação da OMS é ainda mais sensacional — comenta Braga, que é diretor do laboratório de performance da Casa de Saúde São José.

E a lista de benefícios é extensa. A atividade física inserida na rotina melhora a capacidade cardiorrespiratória e muscular e a saúde dos ossos, além de reduzir o risco de doenças não-transmissíveis.

 

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