O melhor amigo do homem não consegue proteger contra o diabetes tipo 1

Um cão de estimação pode ajudar os pacientes com diabetes tipo 1 em alguns aspectos, mas viver com um cão no início da vida não mostrou ser capaz de prevenir o desenvolvimento da doença, sugere uma nova pesquisa.

Os resultados são de uma análise de banco de dados nacional da Suécia feita por Mona-Lisa Wernroth, da Universidade de Uppsala, Suécia, e colegas. O estudo foi publicado online em 1 de maio em JAMA Pediatrics .

A incidência de diabetes tipo 1 na Suécia – cerca de 47 novos casos a cada 100.000 pessoas em crianças de 5 a 10 anos – está entre as mais altas do mundo. A incidência da doença aumentou em crianças europeias de 3% para 4% ao ano entre 1989 e 2008, sugerindo que fatores ambientais estão desempenhando um papel.

Alguns especularam que o recente aumento do diabetes tipo 1 e outras condições autoimunes pode estar relacionado com a chamada “hipótese higiênica”, pela qual a limpeza moderna e a falta de exposição microbiana precoce na infância podem prejudicar o sistema imunológico e levar a uma predisposição a condições relacionadas à imunidade. Embora dois estudos anteriores tenham sugerido uma ligação entre a exposição do cão e diabetes tipo 1, ambos não tinham o poder do estudo atual,  disse Wernroth e colegas.

“Em nosso estudo nacional, não encontramos provas que apoiem uma associação de medidas derivadas de registros de exposição de animais com diabetes infantil na população em geral. O conselho sobre a exposição de crianças a animais para diminuir o risco de diabetes tipo 1 provavelmente não é efetivo”, escreveu.

Estudo com Grande Amostragem

Wernroth e colegas avaliaram os dados de 840.593 crianças nascidas na Suécia entre 01 de janeiro de 2001 e 31 de dezembro de 2010. O acompanhamento ocorreu até 30 de setembro de 2012. A mediana de acompanhamento foi de 5,5 anos desde o primeiro aniversário das crianças.

Durante esse período, 1999 crianças desenvolveram diabetes tipo 1. Um total de 102.035 crianças foram expostas a cães durante o seu primeiro ano de vida (determinado com base nos registros obrigatórios de registro de propriedade do cão na Suécia).

A taxa de incidência de diabetes tipo 1 foi de 44,9 casos por 100.000 por pessoa entre as crianças expostas a cães durante o primeiro ano de vida, em comparação com 42,4 casos por 100.000 pessoas entre as crianças não expostas. A diferença não foi significativa, com uma razão de risco ajustada (HR) de 1,00.

Também não houveram diferenças estatísticas quanto ao número de cães (HR ajustado, 1,07), ou à altura dos cães (HR ajustado 0,96 por 10 cm de aumento). Uma análise separada da exposição de animais de fazenda também não mostrou associação.

Contudo, os resultados não foram inteiramente negativos. Um risco aumentado de diabetes tipo 1 foi observado em crianças expostas a retrievers (cães de caça) (HR ajustada, 1,6). Além disso, uma análise de subgrupos de 210 crianças que tinham um pai com diabetes tipo 1 produziu uma HR ajustada de 0,71, o que corresponde ao mesmo resultado de um estudo prévio. À partir disso, os autores concluem, “exposição ao cão pode ser inversamente associado com diabetes tipo 1 em crianças de alto risco”.

 

O estudo foi financiado por doações da Diabetesfonden, o Conselho Sueco de Pesquisa, e pela Iniciativa Sueca para Pesquisa em Microdados.

 

  • JAMA Pediatr . Publicado em 1 de maio de 2017. Resumo

 

http://www.medscape.com/


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