Menos de 1% dos diabéticos do Brasil têm acesso à terapia moderna

Se você precisar de algo mais moderno que uma metformina, vai ter que pagar caro por ele

Embora o Brasil disponha de tecnologia avançada voltada ao tratamento da diabetes, menos de 1% da população acometida pela doença atualmente – cerca de 14 milhões de pessoas no País – têm acesso a estes tratamentos. O cenário é resultado da lentidão com que estes recursos são incorporados pelo SUS (Sistema Único de Saúde), o que acaba restringindo àqueles que pagam o uso das terapias modernas.

O panorama do Grande ABC em relação ao problema é semelhante ao nacional: estima-se que dos 270 mil moradores acometidos pelo mal, pelo menos metade não tenha ciência de que possui a doença, destaca o diretor do departamento de Tecnologia da Sociedade Brasileira de Diabetes, presidente da Adiabc (Associação de Diabetes do ABC) e coordenador da Endocrinologia do Hospital e Maternidade Dr. Christóvão da Gama, Márcio Krakauer.

“Estamos falando de insulinas diferenciadas e que têm menor risco de episódios de hipoglicemia, bombas infusoras de insulina (aparelho com comando eletrônico que envia microdoses do medicamento de forma contínua), materiais para testes mais avançados, além de sensores para o monitoramento da glicose, tecnologias já incorporadas nos Estados Unidos e na Europa”, destaca Krakauer. Em média, o custo de tratamentos que fazem uso de meios modernos parte do mínimo de R$ 300 até R$ 2.000 ao mês.

Devido ao alto custo, as terapias em questão ficam restritas à rede privada de Saúde. “Com exceção das pessoas que de alguma forma têm conhecimento e certo poder aquisitivo para contratar advogado e conseguem essa medicação via ação judicial, no Brasil, somente quem paga por essa tecnologia tem acesso”, ressalta o endocrinologista.

Segundo o especialista, dos 14 milhões de portadores de diabetes no Brasil, cerca de 700 mil são do tipo 1, sendo a maioria crianças. A estimativa é a de que 80% a 90% do total de doentes sejam acometidos pelo tipo 2 (geralmente se desenvolve após os 40 anos de idade). “É uma doença lenta e silenciosa, mas de diagnóstico fácil. O que acontece é que muita gente não quer saber que tem porque acha que não pode mais comer doce, o que não tem relação”, diz.

Krakauer coordenou, até ontem, o Simpósio Internacional de Tecnologias em Diabetes, na Capital. “Uma das maiores atenções deste encontro está voltada para estudos internacionais sobre a prevenção da diabetes tipo 1, causada pela baixa produção de insulina suficiente para transformar o açúcar em energia e que, em geral, é diagnosticado na infância ou adolescência.”

 

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