Sistema híbrido de administração de insulina para diabetes tipo 1: a cada dia melhor

Jamie Kurtzig, de 12 anos, tem alguns de seus equipamentos híbridos de sistema de malha fechada.

Aos 19 meses de idade, Jamie Kurtzig foi diagnosticada com diabetes tipo 1. Durante os 10 anos seguintes ao diagnóstico, seus pais acordavam a cada três horas durante a noite para picar o dedo da filha para que eles pudessem verificar seu nível de glicose no sangue. Se sua glicose no sangue estivesse muito baixa, eles lhe dariam comida para evitar convulsões ou perda de consciência. Se estivesse muito alta, eles aplicavam-lhe uma injeção de insulina para reduzir o nível até chegar a um intervalo normal.

“Isso causou um tipo de PTSD (Síndrome do Estresse Pós-Traumático) para meu marido e eu”, disse Sara Kurtzig, que vive com sua filha e seu marido em Marin, Califórnia.

Mas no ano passado, eles conseguiram dormir a noite inteira na maioria das noites. Isso porque em 2016, Jamie começou a usar um sistema híbrido de entrega de insulina em malha fechada, graças a um estudo clínico no Lucile Packard Children’s Hospital Stanford e Stanford Medicine, que avaliou o uso do sistema em crianças de 7 a 14 anos.

“O sistema de malha fechada mudou completamente nossas vidas”, disse Sara. “Levei um mês para confiar nisso, mas agora posso ir para a cama às 23h e acordar às 6h30 quase todas as noites”.

O sistema está entre os métodos testados por pesquisadores da Escola de Medicina e Lucile Packard Children’s Hospital em seus esforços para encontrar maneiras mais fáceis para as crianças mais jovens com diabetes tipo 1 em obter as doses de insulina de que necessitam.

Bruce Buckingham , MD, professor de endocrinologia pediátrica, dirige estudos clínicos do sistema em malha fechada, que modula o fornecimento de insulina com base em leituras de sensores de glicose medidas a cada cinco minutos. Ele chamou o sistema de um “avanço histórico” para o cuidado do diabetes.

O sensor inserido no braço de Jamie monitora seus níveis de glicose e comunica os dados para sua bomba de insulina. Ela ficou especialmente feliz por poder permanecer com ele enquanto faz natação.

“Com este sistema, os pacientes podem obter controle de glicose durante a noite muito mais confiável e seguro, mitigando os altos e baixos noturnos com uma mínima intervenção manual”, disse Buckingham, que trata pacientes em Packard Children’s. O controle melhorado da glicose diminui drasticamente o risco de convulsões durante a noite e as complicações à longo prazo associadas ao diabetes tipo 1.

O diabetes tipo 1 é uma doença auto-imune em que o sistema imunológico do organismo ataca as células produtoras de insulina no pâncreas. Como resultado, o pâncreas produz pouca ou nenhuma insulina, um hormônio que leva a glicose da corrente sanguínea para as células do corpo para ser usada como energia. Sem insulina, o corpo não pode usar a glicose como energia. Demasiada insulina pode causar graves níveis baixos de glicose no sangue, o que pode resultar em convulsões, perda de consciência e, nos piores cenários, em morte. Muito pouca insulina pode levar a níveis elevados de glicose no sangue e complicações à longo prazo. É por isso que as pessoas com diabetes tipo 1 têm que freqüentemente verificar seus níveis de glicose.

Os estudos clínicos conduzem a dispositivos aprovados pela FDA

Em setembro de 2016, um artigo no Journal of American Medical Association detalhou o bem sucedido estudo multicêntrico de um sistema de entrega de insulina em malha fechada híbrida para pacientes com diabetes tipo 1 com mais de 14 anos. Mais tarde nesse mês, o FDA anunciou a aprovação do Dispositivo testado no estudo, o sistema Medtronic MiniMed ® 670G, para essa faixa etária.

O sistema, comumente referido como um pâncreas artificial, funciona por ligação sem fios com uma bomba de insulina e um monitor de glicose. Enquanto alguns dos testes e ajustes de açúcar no sangue podem ser feitos pelo sistema, os pacientes ainda devem realizar essas tarefas antes de comer.

Buckingham, um co-autor do artigo, recebe apoio de pesquisa da Medtronic. Ele observou que Stanford conduziu os estudos iniciais sobre este sistema em um acampamento para crianças com diabetes em 2014.

“Ainda não chegamos ao ponto em que esses sistemas foram testados em todas as faixas etárias ou onde eles realmente imitam todas as funções de um pâncreas humano, então há mais trabalho a fazer”, disse Buckingham. Entre os desafios: Sistemas de malha fechada híbridos atuais ainda exigem que os pacientes avaliem a quantidade de alimentos (carboidratos) que estão comendo e entreguem uma dose de insulina através da bomba antes das refeições.

Buckingham e sua equipe em circuito fechado em Stanford continuam trabalhando para melhorar o sistema. Seus esforços incluem testar e adaptar esses dispositivos para crianças mais jovens, bem como sistemas de teste com diferentes interfaces de usuário e diferentes metodologias que se ajustam para o exercício e entrega de insulina nas refeições.

Ajudar os pacientes mais jovens e suas famílias

O sistema de circuito fechado híbrido tem outras vantagens, também. Jamie Kurtzig, de 12 anos de idade, agora com idade suficiente para querer a liberdade de fazer coisas como assistir a programas na casa de um amigo, disse: “Quando o sistema está no modo automático, monitora o açúcar no sangue a cada cinco minutos e mantém a taxa basal [de insulina] ideal. Agora eu só tenho que verificar o açúcar no sangue quatro vezes por dia. No passado, eu tinha que verificar muito mais, até 12 vezes por dia”.

Bruce Buckingham
Bruce Buckingham

Buckingham observou que o avanço não seria possível sem a vontade de pessoas como os Kurtzigs que participaram dos estudos. “Tivemos a sorte de ter uma comunidade de diabetes que está interessada em fazer estudos e colaborar conosco”, disse ele.

Sabendo que o dispositivo ainda não está aprovado pelo FDA para crianças com menos de 14 anos, Sara Kurtzig está comprometida com a importância de participar nos estudos.

“Tivemos uma experiência tão positiva e alcançamos um novo nível de estabilidade no controle de glicose de Jamie. Portanto, se pudermos contribuir para tornar essa tecnologia disponível para todos os pacientes com diabetes tipo 1, sentimos que estamos realmente fazendo a diferença”, disse ela.

Jamie escreve em blogs sobre sua experiência e disse que o dispositivo lhe deu tanto liberdade quanto responsabilidade, algo que ela não tinha antes. “Eu faço mais coisas para mim agora, mas ainda tenho que administrar insulina manualmente quando estou comendo carboidratos, porque ele não faz isso por conta própria ainda”, disse ela.

Os Kurtzigs acreditam que o controle aprimorado que Jamie viu com seu sistema de malha fechada valeu as picadas nos dedos e inconvenientes que vieram com ele. “Eu queria dormir melhor e eu queria que minha mãe dormisse melhor. Eu também queria ajudar outras famílias e contribuir para a ciência em todo o mundo. Por causa do estudo, eu realmente sinto que tenho de fazer parte da história do diabetes “, disse Jamie.

Refinamento dos sistemas

O objetivo dos sistemas híbridos de malha fechada é fazer com que o cuidado do diabetes dos pacientes seja menos árduo e para manter seus valores de glicose em um intervalo seguro para que possam ser mais saudáveis. Para fazer mais progressos nesse sentido, a equipe de Stanford faz parte de um grupo de estudos multicêntrico, financiado pelo NIH, que está tentando eliminar a necessidade dos pacientes em se aplicarem uma dose de insulina (ou bolus , como é conhecido no mundo da diabetes) antes de comer – uma tarefa onerosa, particularmente quando tem que ser feito em cada lanche e em cada refeição.

Parte de nossa missão é garantir que o sistema será usado corretamente por pacientes jovens.

“Nos sistemas fechados de hoje, a insulina vem um pouco mais lenta e dura um pouco mais do que gostaríamos”, disse Buckingham. “Esses tempos de atraso tornam difícil fornecer a insulina para uma refeição em um sistema completo em malha fechada. Estamos ansiosos para trabalhar com insulinas de ação rápida – e entrega mais rápida – para melhorar o controle de glicose e diminuir a carga diurna do diabetes”.

Para esse fim, Stanford é a única instituição envolvida em quatro projetos de pesquisa do Instituto Nacional de Diabetes e Doenças Renais e Digestivas, que começam no ano fiscal de 2017-018. Os projetos irão testar vários dispositivos automatizados em circuito fechado os quais poderiam ser as etapas finais antes de solicitar a aprovação regulamentar para uso permanente.

Korey Hood, professora de pediatria e de psiquiatria e ciências comportamentais na Faculdade de Medicina, liderará a equipe de pesquisa em psicologia pediátrica do diabetes que está investigando como ajudar melhor as crianças e suas famílias a usar esses sistemas e está se associando com Buckingham na pesquisa.

“Parte da nossa missão é garantir que o sistema será utilizado corretamente por pacientes jovens, o que significa que ele tenha o impacto desejado tanto na saúde do paciente como na qualidade de vida”, disse Hood. “Para esse fim, avaliamos a experiência do usuário através da administração de pesquisas e grupos focais, e então usamos essas respostas para gerar novas estratégias e soluções para ajudar o usuário do sistema em malha fechada”.

Testando o “pâncreas biônico”

Uma vez que o pâncreas controla a glicose liberando insulina para diminuir os níveis de glicose e liberando glucagon para elevar os níveis de glicose, outra abordagem para o controle em malha fechada é dar insulina e glucagon. Stanford participou de um estudo financiado pelo NIH, multicêntrico, que está testando o “pâncreas biônico” desenvolvido na Universidade de Boston. Este sistema tem o potencial para eliminar a necessidade de contagem de carboidratos antes das refeições, enquanto também prevenir a hipoglicemia através da aplicação de glucagon.

Lancet recentemente publicou um artigo sobre este estudo.

David Maahs, MD, o novo chefe da divisão de endocrinologia pediátrica da Packard Children’s, disse que o programa continuará “abrindo o caminho para melhores cuidados, não apenas para os nossos pacientes do Packard Children’s, mas para pessoas com diabetes tipo 1 em todos os lugares”.

 

http://med.stanford.edu/


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