Pés para cruzar o mundo. Como cuidar dos pés quando você tem diabetes?

Você tem dois pés para cruzar o mundo. Não deixe a diabetes lhe impedir.
Você tem dois pés para cruzar o mundo. Não deixe a diabetes lhe impedir.

Os pés, nossos pés, tão queridos… nos levam para cima e para baixo, nos permitem dançar, sair com os amigos, caminhar na praia, fazer compras no mercado. São tão importantes e tão esquecidos que, às vezes, a gente só lembra que tem pé quando bate o dedinho na quina de um móvel. E que lembrança dolorida, não?! Mas por sermos diabéticos, precisamos de cuidados extras com essa parte do nosso corpo.

O chamado pé diabético é hoje no Brasil a segunda maior causa de amputação, perdendo somente para os acidentes automobilísticos. Mas esse mal pode ser evitado de maneira muito mais fácil do que você pode imaginar.

Primeiro de tudo, você precisa saber se sofre com esse problema, pois não basta ser diabético para apresentar essa condição.

Fatores que precedem o pé diabético

  1. Baixa imunidade: o diabético tem baixa imunidade por duas razões principais: A deficiência na quantidade de insulina, que leva a uma menor produção de anticorpos, e a má circulação causada pelos danos nos vasos sanguíneos, o que dificulta a chegada desses anticorpos ao local machucado.
  2. Falta de sensibilidade: a glicemia muito alta danifica a parte mais externa dos nervos periféricos que, por serem fininhos, ficam mais expostos às variações da acidez do sangue fazendo com que a pessoa tenha sua sensibilidade diminuída. Muitas vezes ao se machucar a pessoa não sente nada.
  3. Dificuldade na cicatrização: o diabetes descompensado dificulta a regeneração do tecido danificado permitindo que microrganismos se instalem no lugar e criem ainda mais danos.

Esse problema é muito mais frequente do que imaginamos. Segundo o Grupo de Trabalho Internacional para o Pé Diabético, um caso de amputação acontece a cada 20 segundos no mundo.

Eu mesma passei por uma experiência não muito agradável há uns 4 anos atrás, quando ainda não usava a Bomba de Insulina e meu diabetes vivia descompensado. Estava um dia cortando as unhas dos pés com o maior cuidado, porque às vezes eu me cortava sem querer, quando vejo uma casquinha bem escura e endurecida embaixo do meu dedinho direito. Na primeira olhada achei que não era nada, mas logo em seguida lembrei das minhas aulas de enfermagem, e aquela casquinha tão pequena que parecia insignificante, era o começo de uma NECROSE.

Nessa hora me apavorei, pois eu nunca imaginava que uma pessoa jovem pudesse ter este problema. Aprendi nas aulas que frequentava como cuidar daquilo, e então a necrose não progrediu. Mas se eu não tivesse visto, poderia ter perdido o meu dedinho ou até mesmo o pé no futuro, porque as necroses costumam crescer rapidamente. Por isso é tão importante observar os pés quase que diariamente, e se você notar qualquer ferimento ou casquinha estranha, não hesite nem um segundo em buscar ajuda médica.

Para prevenir esse problema que é causa de 20% das internações de diabéticos hoje no Brasil, o Ministério da Saúde acaba de lançar o Manual do Pé Diabético, com dicas simples que você confere a seguir:

AUTOEXAME

Observe os pés diariamente em busca de cortes, micoses, bolhas e vermelhidão, estimule os dedos dos pés passando a mão levemente para testar a sua sensibilidade.

Verificando o pé
Verificando o pé

CORTE DE UNHAS

Parece absurdo falar isso, mas como as unhas dos pés demoram mais para crescer, muitas pessoas acabam esquecendo de apará-las. É importante mantê-las curtas e em linha reta para evitar arranhões durante o sono e prática de esportes.

DEPOIS DO BANHO

Deve-se secar muito bem entre os dedos para evitar frieiras, também é importante mantê-los hidratados, já que a má circulação sanguínea propicia o ressecamento extremo da pele de pés e pernas, o que pode ocasionar mais facilmente ferimentos.

SAPATOS

Evite sapatos, tênis e sandálias apertados ou desconfortáveis, a fim de evitar calos e bolhas. De preferência usar sapatos fechados para evitar arranhões.

MEIAS

Opte por modelos de algodão, já que as de material sintético fazem com que os pés suem mais, propiciando o aparecimento de micoses.

Quando você deve ir ao médico?

O Ministério da Saúde recomenda, se a há indícios de danos nos nervos periféricos, mesmo sem deformidades nos pés, um médico deve ser procurado a cada 3 a 6 meses.

Se há dificuldades na circulação, percebida por meio dos formigamentos, um médico deve ser consultado a cada 3 meses.

E se o pé diabético já tem lesões extensas, ou se já passou por alguma amputação, a visita deve ser mensal ou bimestral.

DICAS DE PRODUTOS HIDRATANTES ESPECÍFICOS PARA DIABÉTICOS

Esses são alguns produtos que estão hoje no mercado, e auxiliam no tratamento dos pés e pernas de diabéticos, tem uma variação de preços enorme, por isso é bom pesquisar para saber qual cabe melhor no seu bolso.

Esses são alguns cremes sugeridos. Escolha o que cabe melhor ao seu orçamento.
Esses são alguns cremes sugeridos. Escolha o que cabe melhor ao seu orçamento.

 

lucyLuciana Mangini, 31 anos, estudante de medicina, diabética tipo 1 desde 1995. Ela também é colunista do TiaBeth.com.

 


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