Como tratar um idoso com diabetes

Os sintomas da velhice muitas vezes se confundem com os sintomas da diabetes em pacientes idosos
Os sintomas da velhice muitas vezes se confundem com os sintomas da diabetes em pacientes idosos

Idosos já podem apresentar, por conta da idade – e não por causa de doenças – sintomas como perdas cognitivas e de memória; diminuição da atenção e concentração; sintomas depressivos; queda da autoestima; sentimentos agressivos que podem vir em função da limitação ou perda das condições físicas.

Por isso só, o idoso doente já não é um paciente comum. E essa faixa etária de pacientes só tende a aumentar. No Brasil, 13,7% da população é idosa, isso é, aproximadamente 28 milhões de pessoas (IBGE). Com aumento da expectativa de vida, já se fala até em 4aIdade (dos 80 aos 100 anos).

A psicóloga Lecticia Rapôso, sócia da clínica EntreSeres, falou, no 2º Congresso Regional de Diabetes do Rio de Janeiro (com apoio da Sociedade Brasileira de Diabetes), sobre a diferença no atendimento do idoso com diabetes do atendimento a pacientes de outras faixas etárias. O evento aconteceu dias 11 e 12 de novembro, no Rio.

Claro, não existe uma forma só de envelhecer e, este processo recebe influências dos padrões de cada um.  Mas o envelhecimento bem-sucedido envolve autonomia, bem- estar psicológico, estratégias de enfrentamento e capacidade produtiva.

Quando durante o envelhecimento surge o diabetes, que é uma doença crônica, isso é, que não tem cura, e sim um tratamento contínuo, o idoso sofre outras transformações, além daquelas advindas da idade: o adoecimento e o envelhecimento se confundem; o sentimento é maior de aceitação, podendo ser um bom gancho para um tratamento bem-sucedido; mais uma perda ou revolta pelas limitações impostas.

O adoecimento pode ser encarado como mais uma perda entre tantas que ocorrem nesta etapa da vida, nesse caso, pode aparecer o estado depressivo ou revoltado; tristeza, desânimo e desesperança em relação ao futuro, em função de preocupações em relação as complicações e seus desdobramentos.

No tratamento do idoso com diabetes é preciso:

  • Relacionar o desenvolvimento da doença com o doente, sua história, aceitação, nível social, cognitivo, aspectos psicológicos – e com o entendimento das demandas desta etapa do ciclo vital.
  • Analisar que no adoecimento crônico não só o indivíduo é afetado, mas toda família, que por sua vez afeta o paciente. Pois se é um idoso o portador do diabetes, a família pode ter que se reorganizar para ajudá-lo no monitoramento.
  • Cada etapa do ciclo vital tem as suas demandas e tarefas, que afetarão o curso da doença crônica, e esta, por sua vez, afetará as demandas e tarefas desta etapa.

Cabe ao médico não só olhar para a doença e sim para o doente, pois cada idoso faz o seu processo de envelhecimento de uma forma peculiar, enfrentando de forma mais ou menos intensa essa etapa da vida. É preciso conhecer as histórias de seus pacientes, suas crenças, seus valores, sentimentos, questões familiares, sociais e culturais que aliados aos conhecimentos do Diabetes, podem favorecer um tratamento bem-sucedido a cada um de seus pacientes.

 

Lecticia Rapôso é psicóloga, mestre em psicologia clínica pela PUC-SP, especializada em mediação de conflitos, pós-graduada em Terapia de Família e em terapia Infanto-juvenil.

 

Sobre a EntreSeres

A Entre Seres das psicólogas Juliana Guimarães e Lecticia Rapôso, é uma clínica que oferece psicoterapia individual, de casal ou família, em um espaço acolhedor na zona Sul de São Paulo. Ambas as especialistas consideram o papel do terapeuta como um facilitador do processo de ampliação das possibilidades de estar no mundo de relações. Além do atendimento terapêutico, a clínica também é um espaço de encontros reflexivos no projeto “EntreSaberes”. www.entreseres.com.br

 


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