Entenda em quais casos é indicada a cirurgia bariátrica

Em longo prazo, pode ocorrer a recuperação do peso perdido, o que não é incomum.
No longo prazo, pode ocorrer a recuperação do peso perdido, o que não é incomum.

A cirurgia bariátrica é uma opção de tratamento para a obesidade severa, sendo realizada, cada vez mais, em todo o mundo, com técnicas laparoscópicas de menor risco cirúrgico. Com a realização da cirurgia ocorre uma melhora importante no controle glicêmico dos pacientes com diabetes mellitus tipo 2, com melhora das complicações micro e macrovasculares, independentemente da perda de peso, tendo surgido o conceito da cirurgia metabólica.

O SUS oferece a cirurgia bariátrica, nos casos indicados, assim como a cirurgia plástica após a perda de peso.

O tipo de cirurgia realizada pode ser predominantemente restritiva, predominantemente disabsortiva ou mista. As técnicas restritivas são técnicas cirúrgicas geralmente mais simples, menos invasivas, de menor risco, que atuam restringindo o volume gástrico, com menor interferência na digestão e absorção dos alimentos. Inclui os seguintes tipos cirúrgicos: balão intragástrico, banda gástrica ajustável, gastrectomia vertical (sleeve), gastroplastia vertical com bandagem.

As técnicas disabsortivas apresentam maior risco cirúrgico e maior risco de complicações pós-procedimento, porém levam à maior perda de peso. Incluem as derivações biliopancreáticas, como a técnica de Scopinaro e Duodenal Switch.

A técnica mista inclui o Bypass gástrico em Y de Roux.

INDICAÇÕES E CONTRAINDICAÇÕES

As indicações para a realização da cirurgia bariátrica são os pacientes com IMC maior ou igual a 40 kg/m2 sem comorbidades; ou pacientes com IMC 35-39,9 kg/m2 e, pelo menos, uma comorbidade grave: diabetes mellitus tipo 2, síndrome da apneia obstrutiva do sono, hipertensão arterial sistêmica, dislipidemia, síndrome da hipoventilação do obeso, doença hepática não alcoólica/esteatohepatite, doença do refluxo gastroesofágico, asma, estase venosa, incontinência urinária grave, artrose grave.

Uma indicação não clássica são os pacientes com IMC 30-34,9kg/m2 e portadores de diabetes mellitus tipo 2 mal controlado ou com síndrome metabólica.

As contraindicações são: depressão ou psicose não tratada; distúrbios alimentares/compulsões; abuso atual de drogas ou álcool; doença cardíaca grave; coagulopatia grave; incapacidade de seguir as orientações dietéticas e a reposição vitamínica em longo prazo; ausência de tentativa de tratamento clínico prévio; má aderência ao tratamento clínico; portador de causa secundária tratável de obesidade; presença de doença grave de alta mortalidade em curto prazo.

O pré-operatório da cirurgia bariátrica deve ser feito por uma equipe multidisciplinar, visando avaliar o paciente como um todo.

É fundamental a avaliação da presença de outras comorbidades associadas à obesidade e uma avaliação nutricional, visando à deficiência de micronutrientes e desnutrição protéica, assim como a avaliação psicológica, comportamental, cognitiva, e socioeconômica. Juntei os parágrafos

A avaliação do risco pré-operatório deve ser feita obrigatoriamente antes do procedimento, visando minimizar o risco cirúrgico. Entre essas condições constam: manipulação cirúrgica prévia do abdome, comorbidades importantes e IMC extremo (acima de 50,0kg/m2).

Nos pacientes com IMC maior ou igual 50,0kg/m2, uma perda de 5-15% é estimulada no pré-operatório, pois reduz as complicações cirúrgicas intra e pós-operatórias.

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PÓS-OPERATÓRIO

Após a realização do procedimento cirúrgico, o paciente deve continuar o acompanhamento com a equipe multidisciplinar, incluindo médico e nutricionista, para evitar o reganho do peso perdido. Prevenir a recuperação do peso perdido, após a cirurgia bariátrica é essencial para a manutenção, em longo prazo, dos benefícios da cirurgia. Alguns pontos importantes são: manter aderência ao calendário de visitas médicas, seguir as recomendações nutricionais, realizar atividade física regular (pelo menos 150min/semana) e avaliações periódicas para prevenir ou tratar desordens alimentares e/ou psiquiátricas.

Do ponto de vista nutricional, uma dieta com baixa concentração glicêmica e moderadamente rica em proteínas, associada a um programa de atividade física tem-se mostrado eficiente.

Seguir as orientações dietéticas é importante para evitar os sintomas gastrointestinais que podem ocorrer após a cirurgia, como vômitos e os sintomas decorrentes do dumping, como dores abdominais e cólicas, náuseas, diarreia, vertigens, flushing, taquicardia e síncope.

Esses efeitos negativos podem ser minimizados com algumas mudanças dos hábitos alimentares, como: comer pequenas porções em refeições frequentes; evitar ingerir líquidos até 30min após as refeições sólidas; evitar açúcares simples e aumentar a ingestão de fibras e carboidratos complexos; aumentar a ingestão de proteínas.

O paciente recém-operado que não segue as orientações médicas e nutricionais pode apresentar com maior frequência os sintomas descritos acima.

Em longo prazo, pode ocorrer a recuperação do peso perdido, o que não é incomum. No fim de 10 anos, é esperado que 20-30% do peso perdido seja recuperado. Uma recuperação de peso significativa reduz os benefícios obtidos após a cirurgia sobre as comorbidades.

A causa mais comum de reganho do peso é o não cumprimento das orientações dietéticas e de estilo de vida.

A perda de peso já começa a ocorrer na primeira semana do pós-operatório.

Os critérios para a cirurgia bariátrica ser considerada um sucesso são: perda de, no mínimo, 50% do excesso de peso; o paciente deixar de ser obeso mórbido (IMC menor que 40,0kg/m2); manter o peso perdido por, pelo menos cinco anos, (o reganho de peso deve ser inferior a 10-20% do total de peso perdido)

Uma equipe multidisciplinar é necessária para atingir o melhor resultado, sendo composta por: um nutricionista, um cirurgião experiente, um médico especialista em cirurgia bariátrica, um psicólogo/psiquiatra.

A avaliação psicológica é fundamental antes da realização do procedimento, para determinar se o paciente é capaz de fazer mudanças no estilo de vida para a manutenção do peso perdido e identificar psicopatologias.

O acompanhamento multidisciplinar é essencial para toda a vida, pois a obesidade é uma doença crônica. O paciente tem que ter em mente que esse tratamento, para ter sucesso, tem que envolver mudança de hábito, que inclui uma alimentação adequada, e realização de atividade física.

 

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