Qual a melhor droga para o diabetes?

A metformina continua sendo o primeiro melhor tratamento, apesar das novidades
A metformina continua sendo o primeiro melhor tratamento, apesar das novidades

Não existe um único melhor medicamento para tratar a diabetes tipo 2, quando se trata de reduzir os riscos de doenças cardíacas, acidente vascular cerebral ou morte prematura, concluiu uma nova pesquisa.

A análise de centenas de estudos clínicos não encontrou nenhuma evidência de que qualquer medicamento para a diabetes, ou combinação de drogas, seja melhor que os demais.

Os pesquisadores disseram que os resultados reforçam as atuais recomendações para tentar primeiro a mais antiga e mais barata droga, a metformina (Glumetza, Glucophage) – para a maioria dos pacientes com diabetes tipo 2.

“Há muito poucas coisas com que os especialistas concordam, e esta é uma delas”, disse o Dr. Kevin Pantalone, especialista em diabetes na Cleveland Clinic e membro da Sociedade de Endocrinologia.

“A metformina, na ausência de contra-indicações ou intolerância, deve ser o agente de primeira linha para o tratamento de pacientes com diabetes tipo 2”, disse ele.

A metformina pode causar dor de estômago e diarreia, por isso alguns pacientes são incapazes de ficar com ela no dia a dia, explicou Pantalone, que não esteve envolvido no estudo. E as pessoas com doença renal geralmente não devem tomá-la, disse ele.

Mais de 29 milhões de americanos têm diabetes, principalmente a do tipo 2, de acordo com os Centros dos EUA para Controle e Prevenção de Doenças.

A doença, que é frequentemente associada à obesidade, causa um aumento crônico do nível de açúcar no sangue. Com o tempo, isso pode levar a complicações, como doenças cardíacas, acidente vascular cerebral, insuficiência renal e danos nos nervos, diz o CDC.

Existem numerosas classes de medicamentos que reduzem os níveis de açúcar no sangue.

O que não tem sido claro é como qualquer um desses medicamentos funciona melhor do que outros para afastar complicações do diabetes e estender a vida das pessoas.

A nova análise não encontrou vencedores óbvios.

Mas os pesquisadores também advertiram contra algumas conclusões: Os estudos na revisão não foram especificamente concebidos para ver se algum dos medicamentos prolongava a vida das pessoas.

Principalmente, eles olharam para efeitos “bioquímicos”, se as drogas baixavam o nível de açúcar no sangue, explicou Suetonia Palmer, a principal pesquisadora do trabalho.

“Então, o que nós sabemos é que, atualmente, não há boas evidências de que uma droga possa aumentar mais a expectativa de vida em relação à outra, seja quando usada como a única droga para o tratamento, ou quando adicionada à metformina”, disse Palmer. Ela é professora associada do Departamento de Medicina da Universidade de Otago, na Nova Zelândia.

Para o estudo, a equipe de Palmer reuniu resultados de 301 estudos clínicos que testaram nove classes de medicamentos para diabetes.

Entre os medicamentos incluídos estavam os mais antigos, como a metformina, insulina e sulfonilureias, como a glipizida (Glucotrol) e glimepirida (Amaryl). Outros estudos analisaram as classes mais recentes, mais caras, incluindo as tiazolidinedionas, tais como pioglitazona (Actos) e rosiglitazona (Avandia); e inibidores da DPP, como a sitagliptina (Januvia) e saxagliptina (Onglyza).

Muitos estudos testaram apenas uma única medicação, porém mais de 100 estudos utilizaram uma droga em combinação com metformina.

No geral, a metformina funcionou tão bem ou melhor do que outras drogas quando prescrita para a redução dos níveis de açúcar no sangue, descobriu a revisão.

Quando prescritas para a prevenção de complicações ou alongar a vida das pessoas, nenhuma combinação de medicamentos ou drogas se destacou.

Mas o problema, de acordo com Palmer, foi a falta de provas – que é diferente da prova de que todas as drogas são iguais, ela disse.

Pantalone concordou. “Esta [Análise] incluiu muitos estudos que foram de curta duração”, disse ele, observando que alguns ocorreram em apenas seis meses.

“Acho que a conclusão mais importante foi que não havia nenhum sinal de que uma terapia pode ser mais prejudicial do que outra sob o ponto de vista cardiovascular”, disse Pantalone.

Isso é importante, explicou, porque o Food and Drug Administration (FDA) tornou obrigatório que as drogas de diabetes se submetessem a testes de segurança cardiovascular somente à partir de 2008. Logo, os medicamentos mais velhos não passaram por esse processo.

Além disso, Pantalone disse, há evidências de estudos recentes que dois dos mais recentes medicamentos para diabetes podem, de fato, reduzir o risco de morte por doença cardíaca ou acidente vascular cerebral. Essas drogas são uma medicação injetável chamada liraglutide (Victoza) e um medicamento oral chamado empagliflozin (Jardiance).

No entanto, a metformina continua a ser a droga de primeira linha recomendada. Ela não só reduz o açúcar no sangue, Pantalone disse, como também carrega um baixo risco de hipoglicemia (baixa potencialmente perigosa de açúcar no sangue).

Se uma outra droga precisa ser adicionada, Pantalone disse, a decisão deve ser baseada na saúde geral da pessoa e nos efeitos laterais dos medicamentos diferentes.

Alguns medicamentos, como a insulina e sulfonilureias, são mais propensos a causar hipoglicemia, por exemplo. Outros podem causar ganho de peso, disse Pantalone.

Seja qual for o medicamento usado, ela ressaltou, as mudanças de estilo de vida para as pessoas com o tipo 2 da diabetes continuam a ser essenciais.

“Modificação do Estilo de vida, através de mudanças de dieta e exercício físico regular, é um componente fundamental para qualquer regime de tratamento”, disse Pantalone.

O estudo foi publicado 19 de julho no Journal of the American Medical Association .

 

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