Adoçantes artificiais poderiam causar diabetes tipo 2?

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Até agora você já ouviu falar que alimentos açucarados conduzem à resistência à insulina e diabetes tipo 2. Quanto mais coisas doces você engolir, seja açúcar de mesa ou mesmo mel orgânico, mais insulina o seu pâncreas tem que produzir e liberar em sua corrente sanguínea, a fim de controlar os níveis de glicose do seu sangue. Em algum momento, um pâncreas sobrecarregado pode tornar-se incapaz de produzir insulina suficiente para gerenciar cargas de açúcar no sangue, resultando em diabetes tipo 2.

Mas o que acontece se você substituir o açúcar por adoçantes artificiais? A American Diabetes Association diz em seu site que os substitutos do açúcar são seguros para os padrões do FDA, e “pode ajudar a controlar seus desejos por algo doce”. Mas outros especialistas não têm tanta certeza assim.

“A resposta curta é que não sabemos o que acontece quando você substitui o açúcar por adoçantes artificiais”, diz o Dr. Robert Lustig, um pesquisador endocrinologista na Universidade da Califórnia, em San Francisco. “Temos dados para fazer suposições, mas não temos o suficiente para indicarmos qualquer adoçante específico”.

As pessoas que consomem refrigerante diet diariamente são 36% mais propensas a desenvolver síndrome metabólica e 67% mais propensas a desenvolver diabetes tipo 2 do que as pessoas que não bebem refrigerante diet ou mesmo refrigerante regular, descobriu um estudo de 2009 . Isso pode parecer condenatório até se considerar que as pessoas com sobrepeso ou obesos, grupo de maior risco para o diabetes tipo 2, pode ser mais propenso a beber refrigerante diet em uma tentativa de perder peso em comparação com pessoas mais magras.

Uma evidência mais recente, embora ainda longe de ser conclusiva, é mais reveladora.

Um estudo de 2014 de Israel descobriu que os adoçantes artificiais mudaram a composição microbiana dos intestinos dos roedores de formas ligadas à doença metabólica. Em outro estudo recente, pesquisadores da Universidade de Washington em St. Louis observaram pessoas obesas beberem água ou uma bebida adoçada com sucralose (Splenda) 10 minutos antes delas consumiram açúcar real. Os pesquisadores estavam buscando ver como os níveis de insulina de todos reagiriam ao choque de açúcar depois de preparados com o adoçante artificial ou água.

“O corpo necessita produzir mais insulina para tratar a mesma quantidade de açúcar, o que sugere que houve uma ligeira resistência à insulina a partir da sucralose”, explica Pepino.

Quando sua língua saboreia algo doce, seja açúcar ou adoçante artificial, seu cérebro e intestino alertam o seu pâncreas que o açúcar está a caminho, explica Lustig. Seu pâncreas começa a produzir insulina, com a expectativa de que a quantidade de açúcar (glicose) no sangue está prestes a aumentar. Mas se você está tomando uma bebida com adoçante artificial, em que não há o aumento da glicose, o seu pâncreas procura qualquer glicose no sangue para desencadear a liberação de insulina.

Porém os adoçantes artificiais não são todos iguais. “Eles são diversificados quimicamente e estruturalmente”, diz Pepino. Isso faz das generalizações algo complicado. “Pode ser possível dizer qual o efeito que os adoçantes têm sobre o cérebro e as mensagens que eles enviam ao pâncreas”, explica ela. “Mas, uma vez ingerido, diferentes adoçantes não nutritivos terão diferentes efeitos metabólicos”.

Pepino e sua equipe estão investigando a forma com que a sucralose pode afetar as respostas de insulina do corpo quando ingerida por pessoas magras, ao contrário de pessoas com obesidade. Mas a imagem de como adoçantes artificiais afetam os seus riscos de resistência à insulina e diabetes tipo 2 permanece obscura. “Muito mais pesquisas necessitam ser feitas”, diz ela.

Lustig concorda. “As partes individuais dos dados são preocupantes”, diz ele.”Não há dúvida de que o consumo de refrigerante diet está associado com o diabetes, mas nós não sabemos ainda se é causa ou efeito”.

 

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