Auto-compaixão pode ajudar o diabético a controlar a sua doença

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Aprender a ser menos severo ou crítico e mais compassivo com si mesmo pode ajudar as pessoas com diabetes a controlar sua doença e evitar a depressão, sugere um estudo recente.

Diabetes pode ser uma doença estressante, escreveu a equipe no estudo publicado no Diabetes Care. “A procura incessante de um controle saudável da glicose no sangue apresenta oportunidades diárias para o fracasso e, assim, ataques contra o ego. A prática da auto-bondade pode reduzir o sofrimento psicológico”, escrevem eles.

Reduzir o estresse da gestão do diabetes pode até ter efeitos biológicos que melhoram a condição, acrescentam. Este é o primeiro estudo randomizado controlado de uma intervenção de auto-compaixão entre pessoas com diabetes, disse o principal autor Anna Friis à Reuters Health por e-mail.

“Os tratamentos baseados em auto-compaixão são fundados na noção da nossa tendência em fazer rigorosas auto-críticas ou julgamentos quando sentimos que ‘falhamos’ ou fizemos algo errado, o que torna o nosso estresse e angústia piores”, disse Friss, psicóloga da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia.

“Isto é importante porque muitos pacientes com diabetes sofrem de depressão e angústia, e sabemos que esses problemas de humor fazem da tentativa de se conseguir o controle saudável da glicose no sangue ainda mais difícil”, disse Friis. “É por isso que há uma busca contínua de formas de ajudar pacientes a controlar o seu humor, porque sabemos que este tem efeitos importantes sobre a saúde física”.

O objetivo do treinamento é ensinar os participantes a reagir ativamente aos sintomas diabéticos, mas com bondade, disse Friis. Os pesquisadores recrutaram 63 voluntários com diabetes tipo 1 ou tipo 2 em uma clínica de Nova Zelândia para participar por um período de oito semanas de um “treinamento para a mente sobre a auto-compaixão.” Trinta e um participantes foram atribuídos a uma lista de espera para a formação e serviu como um grupo de comparação.

Os outros 32 participaram de sessões semanais com duração de duas horas e meia que incluía meditação formal e formação em “práticas de auto-compaixão destinadas a desenvolver capacidades cognitivas, comportamentais e físicas para acalmar e confortar a si mesmo quando deprimidos”, escreveram os autores.

Os participantes receberam um e-mail dois dias após cada sessão resumindo o que foi coberto e as práticas que poderiam ser feitas em casa. No início e no final do programa de oito semanas, e novamente depois de três meses, os participantes responderam a questionários que avaliaram os seus sintomas de depressão e seu nível de angústia relacionados com a sua diabetes. O teste também mediu sentimentos de auto-bondade, humanidade comum e atenção, bem como sentimentos negativos, como auto-julgamento e isolamento.

Além disso, os participantes deveriam medir os níveis de A1c, que é um medidor que representa a média de açúcar no sangue ao longo do tempo. Depois de oito semanas e 12 semanas, não houve mudanças de humor, auto-compaixão ou níveis de A1c no grupo de comparação. Entre os que participaram no programa de treinamento, houve uma melhora na auto-compaixão enquanto os sintomas de depressão foram reduzidos. As análises do sangue mostraram também uma redução de 1 por cento no A1c após três meses do início do programa.

O estudo não pode provar que os benefícios psicológicos aparentes do programa são responsáveis pela redução A1c no grupo de tratamento, ou como esse efeito pode funcionar. É possível que se sentir menos estressado ou deprimido tenha tornado mais fácil para estes participantes gerenciarem suas dietas, exercícios e medicamentos.

Ou, já que o próprio estresse pode afetar os hormônios e metabolismo de uma forma que aumenta o açúcar no sangue, os autores especulam que a formação de auto-compaixão poderia ter diretamente ajudado a diminuir os níveis de açúcar no sangue, reduzindo os hormônios do estresse.

“Não há férias para quem tem diabetes”, disse Alicia McAuliffe-Fogarty, uma psicóloga da ADA – American Diabetes Association. “Você tem que contar carboidratos, tomar injeções de insulina e gerenciar seus níveis de estresse numa base diária, às vezes a cada hora”.

Os pacientes diabéticos precisam de auto-compaixão para gerenciar a sua doença, disse McAuliffe-Fogarty, que não esteve envolvida no estudo. “É fácil culpar a si mesmo quando você não atinge seu objetivo de perder 25 quilos de peso”, disse à Reuters Health, “mas se você perdoar a si mesmo, você pode começar por dar-se uma meta menor, como perder cinco quilos de cada vez, e melhorar a sua saúde”.

 

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