São Francisco exige rótulos de advertência sobre anúncios de refrigerante

A cidade de São Francisco promulgou uma lei obrigando a colocação de avisos em propagandas de refrigerantes e bebidas adocicadas
A cidade de São Francisco promulgou uma lei obrigando a colocação de avisos em propagandas de refrigerantes e bebidas adocicadas

A cidade de São Francisco tornou-se a pioneira nos EUA ao exigir que avisos sejam introduzidos nas propagandas de refrigerantes e outras bebidas adoçadas com açúcar que aparecem em outdoors, ônibus, abrigos de trânsito, cartazes e estádios esportivos dentro da cidade. Anúncios em rádio e televisão, bem como a própria embalagem da bebida estão excluídos desta exigência.

Os rótulos deverão conter: “Atenção: A ingestão de bebidas com açúcar (es) adicionado contribui para a obesidade, diabetes e cárie dentária. Esta é uma mensagem da Cidade e Condado de São Francisco”.

Uma vez que a Associação Americana de Bebidas afirma que esta decisão viola os seus direitos da Primeira Emenda à liberdade de expressão, a questão colocada é que se é razoável ou não afirmar que as etiquetas de advertência irão proteger a saúde pública.

Os trabalhos anteriores mostraram que a publicidade de bebidas açucaradas são uma das formas mais comuns de publicidade ao ar livre. Um artigo publicado no BMC Public Health mostra que há uma relação entre a percentagem da publicidade de alimentos ao ar livre e sobrepeso / obesidade. Os autores do estudo, relacionaram o IMC e consumo de sódio com um banco de dados de publicidade ao ar livre observados diretamente, e concluíram que estratégias inovadoras, tais como advertências, contra-publicidade, ou um imposto sobre a publicidade obesogênica devem ser testadas como possíveis intervenções de saúde pública para reduzir a prevalência da obesidade.

Um estudo de 2014 publicado naquela revista explica como estudos de intervenções duplo cegas, bem como estudos bioquímicos e clínicos detalhados provam que a ingestão de açúcar, seja na comida ou bebida, é a principal causa da cárie dentária. Com base em dados meticulosamente recolhidos – incluindo um estudo do Japão, onde cada dente foi examinado separadamente a intervalos anuais em cada indivíduo – o estudo mostra uma dose-resposta clara, uma relação curvilínea tal que quando aumenta o total da percentagem de ingestão energética, aumenta a percentagem de energia à partir de açúcares. A pesquisa conclui que os objetivos de saúde pública precisam definir qual a ingestão de açúcar, idealmente em <3% do consumo total de energia e <5% como uma meta pragmática.

Associações independentes foram encontradas entre as taxas de prevalência de diabetes e consumo de açúcar per capita no mundo inteiro como explorado em uma publicação no BMC Public Health em 2014. Os resultados do estudo, juntamente com outros estudos semelhantes anteriores, serviu de base para limitar o teor de açúcar em bebidas para ajudar na batalha contra o diabetes, que se tornou uma epidemia global.

Mas não são a cárie dentária, diabetes e obesidade nossas únicas preocupações quando se trata de aumento da ingestão de açúcar. Caroline Diorio e seus colegas descobriram que a ingestão de bebidas adoçadas com açúcar está positivamente associada com a densidade mamográfica entre todas as mulheres, ou limitado a mulheres na pré-menopausa. Entre todas as mulheres, aquelas que tinham uma ingestão de bebidas adoçadas com açúcar maior que três porções por semana apresentaram uma diferença de 3% na densidade em comparação com aquelas que não bebiam esse tipo de bebida.

Este trabalho dá um exemplo de como é importante continuar a pesquisa sobre o consumo de açúcar e seus potenciais efeitos na saúde de modo a que o público seja devidamente informado e esforços possam ser invocados para informar ainda mais a política de saúde sobre o assunto.

 

http://blogs.biomedcentral.com/


Similar Posts

Topo