Empresa israelense visa pôr fim a injeções de insulina no tratamento de diabetes tipo 1

Prof. Eduardo Mitrani, desenvolvedor da técnica
Prof. Eduardo Mitrani, desenvolvedor da técnica do micro-pâncreas, pretende dar vida longa às células de ilhotas transplantadas

Dos 382 milhões de pessoas que têm diabetes no mundo, entre 5 a 10 por cento têm diabetes tipo 1. No entanto, ao contrário da diabetes tipo 2, que muitas vezes pode ser evitada com o exercício físico regular e uma dieta saudável, a diabetes tipo 1 é uma doença auto-imune que destrói as células produtoras de insulina no pâncreas. Geralmente diagnosticada na infância, a diabetes tipo 1 é tradicionalmente tratada com injeções diárias de insulina, e apesar de estarem surgindo algumas terapias menos dolorosas, elas ainda não alcançaram a independência da insulina no longo prazo.

Mas uma empresa startup de biotecnologia israelense chamada Betalin Therapeutics pode mudar isso, tornando as injeções de insulina, uma coisa do passado.

Funcionando como um porteiro, a insulina é hormônio que permite a entrada do açúcar dos alimentos consumidos para as células do corpo. Sem insulina, o açúcar se acumula na corrente sanguínea, onde pode causar complicações fatais. Quem tem diabetes tipo 1 precisa de terapia de insulina ao longo da vida, administrado através de injeções diárias ou uma bomba de insulina, porque ainda não pode ser tomada por via oral, devido à interferência de enzimas do estômago.

No entanto, o problema com ambos os modos de tratamento é que os pacientes devem monitorar os seus níveis de açúcar no sangue e administrar a dose correta de insulina ao longo do dia. E até mesmo o monitoramento mais vigilante não impede que ocorra um aumento repentino ou queda nos níveis de açúcar no sangue. Em outras palavras, os pacientes e os médicos só podem tratar do diabetes tipo 1 reativamente.

diabetes tipo 1

A nova abordagem: O transplante de tecido saudável 

Alguns pesquisadores têm procurado uma abordagem mais dinâmica e automatizada, nomeadamente através de transplante de ilhotas pancreáticas saudáveis, a parte do pâncreas que contém as células “beta” produtoras de insulina, em pacientes diabéticos. Um protocolo de transplante de ilhotas desenvolvido no ano de 2000 aumentou as taxas de insulina-independência de 15 por cento para cerca de 80 por cento. No entanto, após alguns anos, a maioria dos pacientes torna-se dependente de insulina novamente; estudos realizados desde então têm verificado que entre 60 e 90 por cento dos pacientes voltam a ser dependentes em até cinco anos.

Assim, o problema não é a forma de alcançar a independência de insulina, mas sim como mantê-la. É aí que a Betalin Therapeutics tem uma solução. O Prof. Eduardo Mitrani da Universidade Hebraica de Jerusalém, chefe da equipe de pesquisas da Betalin, desenvolveu um “micro-andaime” que garante que uma célula transplantada permaneça perto de fontes de nutrientes. Suportadas por esses micro-andaimes, as ilhotas “nuas” funcionam de forma semelhante às ilhotas pancreáticas recém-dissecadas.

“O micro pâncreas visa resolver os problemas atualmente associados ao transplante de ilhotas nuas”, disse o Prof. Mitrani em um comunicado. “No nosso sistema, antes do transplante, as ilhotas são cultivadas dentro de um andaime biológico que suporta a sobrevivência, levando a uma funcionalidade de longo prazo para a maioria das células.”

Em um estudo publicado em novembro passado, Mitrani e sua equipe mostraram que o seu método de entrega, que eles chamam de Engineered Micro Pâncreas (EMP), proporciona uma produção mais eficiente e regular de insulina em comparação com células beta sem micro-andaimes.

Além de alcançar níveis regulamentados da secreção de insulina, as EMPs tornam-se prontamente irrigadas com vasos sanguíneos (ou seja, oxigênio). Os pesquisadores também multiplicam e aumentam as células beta em cultura de três a quatro vezes antes de incorporá-las em EMPs sem que haja perda de sua funcionalidade.

transplante-ilhota

Isto pode traduzir-se em utilizar um número muito menor de ilhotas, permitindo que os médicos tratem de um maior número de pacientes. “Além disso, o fato de termos mostrado a expansão das células beta no laboratório, mantendo a funcionalidade das mesmas, representou um avanço significativo que pode nos permitir utilizar menos ilhotas de doadores para tratar de pacientes individuais”, explicou Mitrani. Ele foi mais longe ao sugerir que o EMP também poderia ser usado para tratar os níveis mais graves e avançados da diabetes tipo 2.

Mitrani realizou sua pesquisa com o Prof. James Shapiro, o pesquisador que desenvolveu o protocolo de ilhotas em 2000. “Estamos trabalhando em colaboração nos últimos dois anos”, disse Shapiro em um comunicado. “Se a nova técnica de micro-andaime da Betalin continuar a demonstrar a eficácia in vivo, ela tem o potencial de melhorar substancialmente a sobrevivência celular tanto para as ilhotas como também para o enxerto de células-tronco em aplicações clínicas futuras”.

Em outras palavras, os micro-suportes de Mitrani poderiam ser aplicados a outras terapias de transplante, incluindo a de células estaminais, que estão atualmente sendo pesquisadas para o tratamento de alguns tipos de câncer, incluindo leucemia, mieloma múltipla e linfoma, bem como outras doenças de sangue.

 

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