Novas descobertas podem impulsionar tratamento do diabetes tipo 1

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Durante seis semanas de seus sete anos de idade, Bethan Westcott-Storer estava se sentindo apático e perdendo peso, preocupando seus pais Lizzie e Dean. Agora, aos nove anos, tendo sido diagnosticada com diabetes tipo 1 em novembro de 2014, ela é o retrato da saúde, desde que iniciou seu tratamento com uma bomba OmniPod que fornece insulina através de uma cânula sob sua pele.

“Eu me sentia muito fraca e cansada o tempo todo, e se meus amigos no parque infantil perguntassem ‘você quer brincar?’ ou algo assim, eu me sentia como ‘ohh, não realmente'”, disse Bethan à Reuters durante um check-up na Escola de Medicina da Universidade de Exeter.

De acordo com sua mãe, “percebemos que ela tinha se tornado muito magra, ela perdeu muito peso, mas não tinha todos os sinais que outras crianças com o tipo 1 têm – por exemplo, ela não tinha sede excessiva nem urinava com frequência. Só perdeu muito peso, até ser diagnosticada 15 meses depois”.

Cientistas de Exeter têm revelado que as crianças diagnosticados antes dos sete anos de idade desenvolvem uma forma mais agressiva da doença do que a observada em adolescentes. A sua pesquisa poderia abrir novos e diferentes tratamentos para adolescentes e crianças pequenas. Pode até ajudar os cientistas a desenvolver uma vacina que impede as crianças a desenvolver a diabetes.

Trabalhando ao lado de cientistas da Universidade de Oslo, a equipe, liderada pelo professor Noel Morgan e Dr Sarah Richardson, analisou 100 amostras de pâncreas de pessoas com diabetes tipo 1, retiradas pouco antes de sua morte. As amostras estão alojadas no Exeter Diabetes Biobank, a maior coleção de pâncreas do mundo.

De acordo com Richardson, um representante da JDRF, “essas amostras são extremamente importantes porque nós ainda não entendemos o processo da doença subjacente que se passa nesses indivíduos, e para aqueles com diagnóstico recente é fundamental podermos observar dentro do pâncreas e ver o que está acontecendo de errado, pois o pâncreas é um órgão extremamente inacessível”.

O estudo mostra que as crianças diagnosticadas com diabetes tipo 1 antes da idade de sete anos, sofrem de insulite, um processo inflamatório que mata quase todas as células beta produtoras de insulina no seu pâncreas. Em contraste, aquelas diagnosticadas já adolescentes ou mais velhas, retém inesperadamente grande número de células beta, embora com defeito.

“A importância destes achados é que descobrimos que os indivíduos que são diagnosticados jovens têm um perfil da doença muito diferente daqueles que são diagnosticados mais velhos. Isto tem importantes implicações para potenciais tratamentos imunoterápicos naqueles indivíduos que são diagnosticados jovens, enquanto que aqueles que são diagnosticados mais velhos podem precisar de diferentes estratégias para reativar as suas células beta adormecidas, com outras terapias paralelas, como a aplicação de fármacos imunoterapêuticos para evitar qualquer reativação de uma resposta imune”, disse Richardson.

Morgan disse à Reuters, “Tem sido um pensamento corrente que quando as pessoas adquirem a diabetes tipo 1, elas perdem até 90 por cento de suas células produtoras de insulina existentes em seu pâncreas. O que descobrimos é que, enquanto isto poderia ser o caso para as crianças mais jovens, certamente não parece ser verdade para aqueles diagnosticados mais velhos. Eles ainda continuam com uma reserva considerável de células. Isto é uma nova visão e pode significar que, se pudermos reativar essas células restantes, poderemos ajudá-los a lidar melhor com a sua doença”.

A descoberta da equipe também tem implicações para o grupo mais jovem. “Podemos até ser capazes de impedir pessoas de pegar a doença que de outra forma poderiam adquiri-la”, disse Morgan. “Essa é a nossa verdadeira esperança, a de que possamos descobrir uma maneira de impedir as crianças de se tornarem diabéticas ao compreender o processo e suas causas, mais especificamente”.

Ele acrescentou: “Estamos tentando entender qual é o gatilho e se pode ser possível utilizarmos de uma vacina para parar o processo de ativação, mas também se podemos ser capazes de usarmos um tipo diferente de vacina para atingir as células imunológicas específicas que estão provocando a doença, e é aí que reside a emoção”.

De acordo com a entidade de apoio à diabetes tipo 1, JDRF (anteriormente conhecida como o Juvenile Diabetes Research Foundation), que financiou parte da pesquisa, uma criança diagnosticada aos cinco anos de idade com diabetes tipo 1, costuma aplicar até 19.000 injeções de insulina e realiza até 50.000 exames de sangue através da punção em seus dedos antes deles chegarem aos 18 anos.

Bethan Westcott-Storer espera que a equipe de Exeter obtenha sucesso. “Um dia, no futuro, eles irão encontrar uma cura, e  muitas e muitas pessoas se tornarão realmente felizes”, disse ela.

A pesquisa, que recebeu o apoio da União Europeia, foi publicada online na revista Diabetes.

 

http://uk.reuters.com/


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