Bombas ou injeções: um trecho de “Adolescentes crescendo com Diabetes”

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Pais de adolescentes com diabetes devem tomar uma quantidade infinita de decisões com o seu filho ao cuidar de sua condição, mas há algumas boas notícias. A certa altura, o adolescente deve ser chamado a se responsabilizar pela sua própria gestão do diabetes, e nesta hora você pode começar a tornar-se um coadjuvante do papel de comando (embora, não me leve a mal, às vezes você tem que andar para trás e voltar a ser a voz da razão). Em meio ao dilema de responsabilidades está a decisão de se aderir ao regime de bomba de insulina ou de múltiplas injeções diárias (MDI). Moira McCarthy em seu livro “Adolescentes crescendo com Diabetes” (Spry Publishing, 2013) faz um grande debate sobre os prós e contras do uso de bombas e múltiplas injeções diárias de insulina (MDI).

Bombas contra MDI

Isto tornou-se quase que como a questão sobre aleitamento materno, repleto de julgamentos: “Seu filho está bombeando, certo?!” Enquanto as bombas de insulina são relativamente novas para o mundo diabetes (há duas décadas atrás você teria que procurar muito para encontrar alguém com uma), elas saltaram rapidamente para a vanguarda dos cuidados.

E por uma boa razão. Bombear insulina pode oferecer a uma pessoa com diabetes mais liberdade, mais precisão e menos estresse em sua gestão. Mas elas podem ser complicadas, também: bombas necessitam de uma atenção bem de perto. Então, quais são os benefícios do uso de bombas, e quais são os benefícios de MDI? Ambos oferecem os seus próprios benefícios, e enquanto muitos gostam de afirmar que a bomba de insulina é a única escolha certa, na realidade, com os muitos tipos de insulina disponíveis hoje, a decisão de bomba contra o MDI é principalmente uma questão pessoal.

Prós e contras do uso de bombas

Raising_Teens_FCAs vantagens do uso de bombas são muitas. Primeiro de tudo, uma vez que a bomba faz administração de insulina e uma dose de insulina “basal” para o corpo 24h/7 dias, as pessoas com diabetes podem ajustar quanto dessa basal elas irão receber a qualquer momento. Em teoria, um perfil basal bem planejado deve permitir que uma pessoa com DM1 fique 24 horas sem comer e durante este tempo ele fique em uma faixa de glicose aceitável. Isto significa que se uma pessoa tende a ter baixos níveis de glicose no final da tarde, ele ou ela pode ajustar a bomba para cortar a insulina pouco antes desse tempo. Ou aqueles que experimentam um pico de glicose ao amanhecer e que muitos conhecem como “fenômeno da madrugada”, podem marcar o seu basal para lhes dar automaticamente mais insulina para combater essa ocorrência neste momento.

O uso de bomba permite o bolus para o alimento ou para picos de glicose. Desde que a sua insulina esteja também na sua bomba ela é entregue ao seu corpo através de um tubo sob a pele. Bolus significa simplesmente adicionar a contagem de carboidratos e apertar alguns botões na bomba para aplicar a insulina de ação rápida. A maioria das bombas ainda têm programas que sabem quantos carboidratos estão em certos alimentos, ou que permitem a entrada de determinadas informações sobre refeições que você gosta de comer. Nesse caso basta apertar um botão e sua dose correta de insulina será aplicada.

Bomba de insulina também pode significar transportar menos coisas, mas em um mundo perfeito, não deveria. Desde que as “regras de bombeamento” aconselham que quaisquer elevações devam ser corrigidas através de uma injeção, qualquer usuário de bomba deve transportar ao menos uma injeção de insulina como backup para uso apenas neste caso. Os usuários também precisam ter sempre à mão uma novo local de perfuração backup no caso de seus locais atuais da bomba não estarem funcionando a contento. Ainda assim, você não vai precisar se casar para ter um frasco de insulina e seringas com você em todos os momentos.

Existem alguns outros sinais vermelhos para quem usa bomba. Em primeiro lugar, uma vez que uma bomba de insulina oferece uma única insulina de ação rápida, se uma bomba falhar, ou tiver um problema (como um local obstruído ou sair fora sem aviso prévio), o risco de desenvolver cetoacidose é maior do que quem faz uso de múltiplas injeções (MDI). Isto porque com MDI, o seu “basal” ou insulina “de fundo” é administrada por uma única aplicação, oferecendo uma “rede de segurança” para o caso de elevações da glicose. Em outras palavras, uma vez que você aplica a insulina basal, ela permanece em você por 24 horas. Em uma bomba, não haveria uma insulina de longa duração em ação. Isto significa que uma pessoa que faz uso de uma bomba deve ser vigilante sobre o açúcar no sangue para detectar eventuais altos níveis de glicose, uma vez que toda a insulina entrando em seu corpo, seja basal ou à partir de um bolus, é de rápida atuação. Isso significa que, em determinado momento, você está três a quatro horas de distância de nenhuma insulina entrar em seu corpo, no caso de um problema com a bomba ou no local em que ela está inserida.

Usuários de bomba também precisam alternar os locais de infusão. O local, que representa a conexão quando a bomba envia insulina no corpo, pode ser colocado em qualquer área do corpo que possua tecido adiposo. Mas ao longo do tempo, os locais utilizados em demasia podem acumular tecido da cicatriz e não funcionar tão bem. O uso excessivo de um local também pode causar “atrofia”, um amassado ​​na pele. Enquanto o rodízio na aplicação de múltiplas injeções é importante, alternar os locais de inserção da bomba é muito importante também.

As bombas também são, na sua maior parte, visíveis. Algumas pessoas não gostam deste lembrete visível da sua diabetes ligado a elas o tempo todo. Embora existam muitas maneiras de usar uma bomba para se manter fora da visão (nós compartilhamos alguns mais tarde neste capítulo), há adolescentes que simplesmente não gostam dele. Mas para a maior parte, os adolescentes ficam felizes ao utilizarem um dispositivo que lhes proporcionam mais liberdade.

Para um adolescente, o uso de bombas pode significar a capacidade de ajustar as doses de insulina para ajuda-lo na prática de esportes e outras atividades não esportivas, para dias de trabalho mais longos e mais curtos, e para atividades especiais. Pode significar ser capaz de simplesmente programar uma bomba e bolus, em vez de lidar com o uso de agulhas e frascos de insulina na escola ou no trabalho. Pode significar ser capaz de levar a bomba e parar a entrega de insulina se o nível de açúcar diminui ou se estão dirigindo para um grande jogo. No lado negativo, a bomba significa responsabilidades para um adolescente. Cabe a eles empurrar os botões e se certificarem que estão prestando atenção à bomba, como ela está funcionando, assim como não perdê-la (isso acontece!).

Múltiplas Injeções Diárias (MDI) – Prós e contras

Múltiplas injeções diárias (MDI) são ainda a forma como a maioria das pessoas tratam os seus diabetes, embora o uso da bomba esteja aumentando diariamente. MDI costumava significar um cronograma definido e falta de liberdade, mas com as insulinas de hoje, os pacientes podem trabalhar com equipes médicas para chegar a um plano de MDI que lhes dá muita liberdade.

O benefício da MDI é que as pessoas que aplicam uma única dose de insulina de longa ação sabem, com certeza, que o seu corpo tem esta insulina por, pelo menos, 24 horas. Combinada com a insulina de ação rápida, MDI proporciona a quem tem diabetes, flexibilidade de quando comer ou quando não comer, uma vez que só precisa somar seus carboidratos e administrar uma dose a qualquer momento que precisar.

As canetas de insulina fizeram do MDI mais amigável. Canetas parecem, assim, canetas. Quase todos os tipos de insulina podem ser administradas via caneta agora, o que significa que uma pessoa pode utilizar em qualquer lugar sem atrair os olhares que se poderia atrair com uma seringa e frasco. Canetas também significam que uma pessoa pode ajustar com precisão sua dose em vez de ter que puxar a insulina a partir de um frasco em uma seringa (que significa se preocupar com coisas como bolhas de ar). Transportar canetas também faz do MDI mais acessível e menos volumoso.

O ponto negativo do MDI é que você não tem tanta flexibilidade em sua insulina basal. Desde que você tem que escolher uma dose e ficar com ela, não é possível ajustá-la por hora como você pode fazer com uma bomba. No entanto, com técnicas como doses divididas, você pode ter alguma flexibilidade. Outro ponto negativo é a quantidade de material que você precisa carregar.

Para os adolescentes, MDI às vezes é preferível, porque eles ficam cansados de, ou não interessados em, ter algo ligado a seus corpos. Uma bomba é um lembrete constante da diabetes, e alguns só precisam ficar longe disso. Outros adolescentes acham que MDI os obriga a respeitar mais, e uma vez que eles assumam suas injeções, estas aplicações tendem a se tornar mais uma rotina.

Implicações do uso de bomba

Então, o que acontece com a ideia de se mudar da bomba para MDI, e depois para bomba de novo? Isso está se tornando cada vez mais normal e pode ser uma grande estratégia para ajudar um adolescente a atravessar esses anos difíceis, quando o burnout (desmotivação) parece estar sempre pairando no horizonte.

A maioria dos pais acredita que uma vez que as crianças passam a usar bomba, elas nunca mais irão querer voltar às injeções. Na verdade, para os pais que se acostumaram com o uso de bombas por seus filhos, a ideia de MDI pode ser assustadora. Defensores do uso da bomba acreditam que há pouca chance de se fazer um controle adequado através de MDI. Mas, na realidade, você pode ter um controle apertado com ambas as estratégias.

Normalmente, se os adolescentes estão querendo fazer uma pausa no uso da bomba, eles têm uma razão. Pode ser que estejam cansados ​​de ter um pedaço de máquina que lhes é inerente 24/7. Pode ser que eles se tornem indiferentes sobre seus cuidados da diabetes e percebam que eles não estão dando a bomba o tempo e a atenção que ela necessita. Pode ser que eles estão sentindo a necessidade de começar a se separar de seus pais, e uma vez que seus pais conhecem bem os cuidados sobre uso da bomba, eles se perguntam se MDI pode ajudá-los a iniciar esse processo. Pode ser que eles estão apenas sentindo a necessidade de uma mudança. Seja qual for a razão, se um adolescente pede uma pausa da bomba, os pais precisam ouvir.

Fazer uma pausa do uso da bomba não significa uma catástrofe. De certa forma, isto pode até mesmo ser útil. Uma vez que é sempre uma boa ideia estar atualizado sobre o uso de MDI e como gerenciar a diabets com esta técnica(no caso de um problema com a bomba ou outro tipo de emergência), fazer uma pausa de vez em quando vai forçar o seu filho e você a retomarem os princípios da MDI. (É fácil esquecê-los ao longo do tempo. E se o seu filho tem feito uso de bombas durante anos, você pode nunca ter experimentado MDI com Lantus ou Levemir, ou Tresiba.) Uma pausa no uso da bomba também pode dar ao corpo, principalmente no locais de inserção das bombas, um curto descanso, algo que pode ser bom no longo prazo.

Mas acima de tudo, este abandono da bomba pode apenas dar aos adolescentes algo que eles desejam mais do que podem expressar: a sensação de controle e escolha em um mundo que raramente lhes dá esta oportunidade. Você não pode dar ao seu filho adolescente um período de férias da diabetes. Mesmo que você se ofereça para assumir todo o cuidado, ainda é o corpo dele que está vivendo com esta condição. Isso pode ser frustrante e devastador para o adolescente, especialmente para aquele que vem enfrentando a diabetes por um longo tempo. Se uma pausa no uso da bomba fizer com que ele ou ela se sinta no controle, então por que não?

Alguns adolescentes relatam que, em se desligando a bomba por um tempo ou voltando a fazer uso dela, tem uma nova chance para se concentrar e obriga-os a prestar mais atenção aos seus cuidados diários. Às vezes uma mudança de estratégia após longo tempo de uso, seja no uso de bombas, seja MDI, pode ajudá-los a focarem novamente em suas diabetes.

Também é bom não utilizar a bomba em alguns momentos especiais, como num baile ou algum outro evento para o qual o adolescente pode não querer a bomba ao redor. Em todos estes casos, você vai querer falar com a equipe médica de seu filho para chegar a um plano para essas ocasiões.

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Moira McCarthy  estava perseguindo seu sonho de carreira no jornalismo esportivo quando sua filha foi diagnosticada com diabetes tipo 1 em 1997. Enquanto ela continuou nessa rota, escrevendo para o New York Times Sports and Leisure Division, Snow Country Magazine, Ski Magazine e tornando-se colunista esportiva do jornal diário Boston Herald, ela também começou a dedicar grande parte de sua vida à defesa do diabetes e da educação em diabetes. Autora do best-seller  “Raising Teens With Diabetes: A Parent Survival Guide”, and “The Everything Parent’s Guide to Raising Children with Diabetes,” ela é voluntária da JDRF por um longo tempo. Ela presidiu o Congresso Infantil da JDRF, foi Presidente Nacional da Defesa por três anos, e foi nomeada pelo JDRF como Voluntária Internacional do Ano de 2007. Ela dá palestras em todo o país sobre crianças crescendo com diabetes e prosperando em suas vidas. Sua filha, que se formou na faculdade em maio de 2014, é a prova de que as pessoas certamente podem.

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