Nenhum medicamento é isento de efeitos colaterais

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Uma mulher me procurou recentemente para fazer uma avaliação, dizendo ter hipertensão mal controlada e diabetes.

Ela deixou de tomar os medicamentos prescritos devido a uma série de preocupações. A perspectiva de tomar uma medicação “para sempre” a deixou perturbada.

Nós muitas vezes ficamos propensos em pensar em medicamentos para indicações breves e específicas. Como exemplo, podemos receber uma prescrição de penicilina para tratar infecções na garganta.

A ideia de tomar algo indefinidamente é desconcertante, especialmente para aqueles que cresceram em uma cultura menos obcecada farmacologicamente.

Estas preocupações são razoáveis. A maioria das pessoas com 40 anos e mais velhas, é provável estar fazendo uso de pelo menos uma medicação crônica. Quem sabe uma aspirina diariamente para evitar um ataque de coração.

Entre os comprimidos prescritos, considere uma gama de tratamentos para o colesterol elevado, asma, diabetes, depressão ou dores da artrite crônica.

Poucas pessoas conseguem viver sem medicação em seus anos de meia-idade.

Muitos medicamentos prolongam a vida e promovem a saúde, através da prevenção ataques cardíacos, derrames, insuficiência renal e outros problemas.

A maioria das pessoas, eu acho, gostaria de receber os benefícios de tratamentos preventivos se tivesse a oportunidade de discutir estas opções. Muitos médicos, no entanto, são duramente pressionados para restringir esta discussão dentro de uma consulta de 15 minutos.

Recentemente foi publicado em vários jornais, que houve uma diminuição no uso de drogas “estatinas”, indicadas para baixar o colesterol, por pessoas expostas a notícias negativas sobre efeitos secundários.

Estatinas podem causar dores musculares e fraqueza em uma minoria considerável de pacientes. De acordo com um estudo dinamarquês, no entanto, aqueles que interrompem a terapia com estatina, muitas vezes ficam expostos a um risco de ataque cardíaco cerca de 20 por cento maior do que os que continuam com a medicação.

Como médicos, neste caso nós podemos frequentemente acabar com efeitos colaterais abaixando as doses dos medicamentos, substituindo os agentes redutores de colesterol por outras alternativas ou permitindo que os sintomas diminuam gradualmente com o tempo.

É tudo sobre a comunicação médico-paciente, pesando riscos e benefícios e trabalhando como uma equipe.

Notícias negativas sobre medicamentos, no entanto, muitas vezes são apresentadas em termos austeros que tendem a minar o potencial de construção de relacionamento.

Na minha opinião, também pode haver uma percepção de que os médicos são indevidamente influenciados por propagandas e marketing farmacêuticos, o que talvez seja uma fonte legítima de preocupação.

Sendo um reumatologista, avalio os analgésicos para a dor crônica como uma espada de dois gumes.

Os chamados “medicamentos anti-inflamatórios não esteroides”, incluindo naproxeno e ibuprofeno, aumentam o risco de desenvolvimento de úlceras hemorrágicas no estômago. Paradoxalmente, eles também podem criar uma tendência para desenvolver coágulos de sangue em algumas localizações anatômicas, um efeito colateral particularmente preocupante.

Assim, o risco de acidente vascular cerebral ou ataque cardíaco pode aumentar modestamente ao se tomar anti-inflamatórios, em algumas configurações. Por outro lado, os efeitos secundários podem ser mitigados pela seleção de estratégias de dosagem, medicação e assim por diante.

Além disso, anti-inflamatórios podem conferir benefícios no que diz respeito à diminuição do risco de desenvolver câncer de cólon.

A medicina é complicada. Devemos realmente adequar estratégias de tratamento individuais.

Da mesma forma, o uso de analgésicos narcóticos, como a morfina ou a codeína, se justifica em situações limitadas para o tratamento da dor.

Cerca de 21 anos atrás, havia uma percepção de que nós subtratávamos a dor, quando então o pêndulo farmacológico começou a balançar para intervenções agressivas cada vez mais cedo.

Nós estamos vendo agora, infelizmente, um pequeno aumento angustiante em overdoses de opiáceos e alguns comportamentos de dependência. O pêndulo pode muito bem balançar para trás em direção a padrões de prescrição mais contidos nos próximos anos.

Meu paciente com diabetes e hipertensão estaria então, elegível para continuar o tratamento com remédios “naturais”, incluindo extratos de raízes, ervas e chás. Muitos destes produtos são, teoricamente, de alguma utilidade, mas pode não ser aprovado pela Food and Drug Administration. O comprador deve tomar cuidado. Marketing direto de suplementos alimentares é onipresente, especialmente na televisão diurna.

Eu vejo esses anúncios diariamente no meu clube de ginástica local. Publicidades estampadas com belas artes na tela parecem nos dizer que a prometida Fonte da Juventude pode ser uma miragem.

 

Scott T Anderson, MD, PhD, é professor clínico na Universidade da Califórnia, na Davis Medical School. Esta coluna é informativa e não constitui aconselhamento médico.

 

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