Pessoas com diabetes tipo 2 podem estar realizando exames desnecessariamente

Consultar-se com vários médicos em um ano pode ser causa de realizar exames desnecessários
Consultar-se com vários médicos em um ano pode ser causa de realizar exames desnecessários

Muitos norte-americanos com diabetes tipo 2 podem estar realizando indevidamente, testes de açúcar no sangue – causando, em alguns casos, mudanças desnecessárias na medicação, sugere um novo estudo.

Os pesquisadores descobriram que em um grande grupo de adultos norte-americanos com diabetes tipo 2 bem controlado, 60 por cento estavam passando por muitos testes de hemoglobina A1c.

O teste indica qual a média do nível de açúcar no sangue de uma pessoa sobre os últimos três meses, sendo rotineiramente utilizado para diagnosticar e monitorar a diabetes tipo 2. Mas diretrizes dizem que deve ser feito apenas uma vez ou duas vezes por ano se um paciente vem apresentando bom controle de açúcar no sangue, de acordo com o estudo.

Todos os pacientes do estudo atual estavam nessa categoria. No entanto, quase 55 por cento foram submetidos a três ou quatro testes por ano de A1C. Outros 6 por cento fizeram pelo menos cinco testes por ano, de acordo com os resultados publicados online dia 08 de dezembro na revista BMJ.

“Eu acho que parte do problema é que muitas vezes nós pensamos que fazer mais testes é melhor”, disse a pesquisadora Dra. Rozalina McCoy, professora de medicina da Mayo Clinic, em Rochester, Minnesota.

Mas, como em outras áreas da medicina, isto não é necessariamente verdade em cuidados para diabetes, explicou McCoy.

Se é improvável de alguém se beneficiar de testes de A1C frequentes, disse ela, as desvantagens – como custos adicionais e inconveniência – não podem realmente ser justificadas.

Além disso, existem riscos potenciais para a saúde dos pacientes, apontou McCoy. Neste estudo, os testes frequentes de A1C aumentaram as chances dos pacientes serem iniciados em medicamentos adicionais para controlar o açúcar no sangue.

A preocupação, disse McCoy, é que esses regimes mais intensos iriam aumentar o risco dos pacientes baixarem perigosamente os níveis de açúcar no sangue.

As conclusões do estudo são baseados em reclamações de companhias de seguro de saúde feitas entre 2001 e 2013 para mais de 31.000 pacientes com diabetes tipo 2 acima de 18 anos.

Todos os adultos no estudo tinham níveis de A1C que eram consistentemente abaixo de 7 por cento nos dois anos anteriores – o que significava que o açúcar no sangue estava sob controle.

Em geral, disse McCoy, há pouca chance desses pacientes se beneficiarem de fazer testes de A1C mais de uma ou duas vezes por ano. No entanto, a maioria dos pacientes foi testada com mais frequência do que durante o período do estudo.

Controlar o açúcar no sangue é essencial para evitar as complicações da diabetes no longo prazo, tais como lesões nos nervos, rins e vasos sanguíneos, de acordo com a American Diabetes Association (ADA).

Mas, a certa altura, um controle mais rígido tem “rendimentos decrescentes”, disse o Dr. Rodney Hayward, professor de medicina na Universidade de Michigan, em Ann Arbor.

De acordo com o Hayward, que escreveu um editorial publicado com o estudo, estudos clínicos descobriram que a redução do A1C de 8,5 para 7 por cento pode reduzir “modestamente” o risco de ataque cardíaco. Mas há também evidências de que um controle apertado de açúcar no sangue pode encurtar a vida das pessoas, observou ele.

E não é recomendado para adultos idosos, que enfrentam o aumento do risco de ataque cardíaco ou acidente vascular cerebral se eles tiverem uma baixa de açúcar no sangue grave, de acordo com a ADA.

Então, o que as pessoas com diabetes tipo 2 devem fazer fazer?

McCoy disse que, quando o seu médico prescrever os exames de sangue, não hesite em perguntar: “O que são estes testes e como eles vão melhorar o meu cuidado”?

Hayward ressaltou a importância de fazer perguntas quando o médico quiser adicionar um novo medicamento para diabetes. “Discuta qual o tipo de benefício que você pode esperar ao começar a tomar mais medicamentos”, disse ele.

Ele também advertiu que o açúcar no sangue não é a única coisa que importa. Obter a pressão arterial elevada sob controle e tomar uma estatina são algumas das formas realmente mais eficazes de reduzir o risco de complicações do diabetes, como doença cardíaca e insuficiência renal.

“A importância do controle da pressão arterial e o uso de estatinas não podem ser exagerada”, disse Hayward.

O estudo não conseguiu descobrir as razões para o excesso de zelo com o teste A1C. É possível, disse McCoy, que muitos médicos ou pacientes prefiram fazer um acompanhamento de perto.

“Uma das coisas mais difíceis para os médicos é fazer menos”, disse ela.

“Assistência fragmentada” poderia ser outra razão, acrescentou McCoy. Os pacientes do estudo com vários médicos estavam mais propensos a fazer três ou mais testes em um ano, revelou a pesquisa.

Ainda assim, os pesquisadores conseguiram encontrar uma tendência positiva: Depois de 2009, o excesso de teste A1C começou a declinar, disse o estudo.

“Isso é encorajador”, disse McCoy. “Nós não sabemos o que está conduzindo a mudança. Mas ele pode estar relacionado à consciência crescente de que um controle rigoroso do açúcar no sangue pode não beneficiar os pacientes.”

 

http://www.webmd.com/


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