As bebidas energéticas tornam alguns adolescentes mais suscetíveis ao diabetes, diz estudo canadense

A comercialização de bebidas energéticas é altamente agressiva e direcionada a adolescentes.

A Dra. Jane Shearer tem visto isso em primeira mão.

“Minha filha com oito anos de idade, recebeu uma bebida energética Red Bull no Calgary Stampede, um estádio de rodeio no Canadá. Coisas como essa não são OK”, disse a professora associada e pesquisadora de diabetes da Universidade de Calgary.

Seu argumento é baseado no que ela descobriu, enquanto pesquisando o efeito da cafeína que as bebidas energética exercem sobre os adolescentes.

‘Tiros” de energia e resistência à insulina

Um estudo do Hospital da Criança de Alberta observou um grupo de jovens entre 13 e 19 anos.

Dez participantes do sexo masculino e outros dez do sexo feminino, sem histórico de doenças crônicas que afetam a tolerância à glicose, receberam uma dose de energético com cafeína ou descafeinado.

Ambas as bebidas não continham açúcar.

Quarenta minutos depois o grupo ingeriu uma dose elevada de calorias sob a forma ou de açúcar.

Os resultados dos testes mostraram que os níveis de glicose e insulina se elevaram rapidamente em cerca de 25 por cento no grupo que bebeu a dose com cafeína. Ou seja, eles não foram capazes de metabolizar o açúcar, bem como aqueles que tomaram a versão descafeinada.

Shearer diz que esses “tiros” de cafeína estão essencialmente causando resistência à insulina de curto prazo, que é um fator de risco para muitas doenças metabólicas – especialmente se houver um histórico familiar.

“Então, se você tem um adolescente em casa que consome duas dessas bebidas por dia e eles são suscetíveis para a diabetes tipo 2 … Tendo este hábito alimentar pode promover ou acelerar esse processo da doença”.

Não é parecido com café

Shearer diz que é importante notar que “tiros” de energia não contêm o mesmo tipo de cafeína que o café.

“O café é à base de plantas”, disse ela.

“A bebida energética é muito diferente na medida em que está faltando o composto à base de plantas. E a cafeína que está ligada a bebida energética é do formato de drogas de cafeína”.

Os norte-americanos recebem cerca de 70 por cento de seus antioxidantes diários do café, o que, na verdade, reduz o risco de diabetes tipo 2, diz Shearer.

Educação para a bebida energética

As pequenas latas de bebidas estão disponíveis na maioria dos supermercados e lojas de conveniência – tornando-as acessíveis aos jovens.

“Sabemos que cerca de cerca de 30 por cento dos adolescentes consomem bebidas energéticas … Sabemos que cerca de 50 por cento dos atletas em idade universitária em Alberta consomem bebidas energéticas”, disse Shearer.

Ela diz que os pais precisam educar seus filhos sobre os riscos para a saúde que cercam essas bebidas.

Um relatório do Sistema de Saúde do Canadá elaborado em 2010 recomenda o governo a tomar as rédeas sobre isso trabalhando com os conselhos escolares e usando a mídia social para passar a mensagem para os adolescentes.

No entanto, Shearer diz que o governo também precisa editar uma melhor legislação para obrigar as empresas de bebidas energéticas a alertar os riscos na embalagem.

“Na parte de trás eles até dizem que estes produtos não são destinados para crianças … Temos de firmar uma idade, porque se você perguntar a um adolescente se eles são uma criança teremos grandes chances de ouvir um – não”.

 

http://www.cbc.ca/


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