Diabetes tipo 2 pode ser curada através da perda de peso, demonstra em estudo Universidade do Reino Unido

Os cientistas demonstraram que a dieta pode reverter a diabetes tipo 2
Os cientistas demonstraram que a dieta pode reverter a diabetes tipo 2

Milhões de pessoas que sofrem de diabetes tipo 2 podem ser curadas da doença se elas apenas perderam peso, sugere um novo estudo.

Cientistas da Universidade de Newcastle demonstraram que a doença é causada pela acumulação de gordura no pâncreas, e perder menos de um grama desta gordura pode reverter a doença limitadora e restaurar a produção de insulina.

A diabetes tipo 2 afeta cerca de 3,3 milhões de pessoas na Inglaterra e País de Gales sendo que, até agora, acredita-se que ela seja crônica. Quando não cuidada adequadamente, pode levar à cegueira, derrame, insuficiência renal e amputação de membros.

Mas agora pesquisadores da Newcastle demonstraram que a doença pode ser revertida, mesmo em pessoas obesas que estão com a condição já por um longo período de tempo.

18 pessoas obesas com diabetes tipo 2 que fizeram uma cirurgia de banda gástrica e colocadas em uma dieta restrita durante oito semanas foram curadas de suas condições. Durante o experimento, os pacientes, com idades entre 25 e 65 anos, perderam uma média de 14 quilos, que foi de cerca de 13 por cento de seus pesos corporais. Essencialmente eles também perderam 0,6 gramas da gordura de seu pâncreas, permitindo ao órgão segregar níveis normais de insulina.

A equipe de pesquisadores agora está planejando um estudo maior de dois anos envolvendo 200 pessoas em conjunto com a Universidade de Glasgow para verificar se os resultados podem ser replicados e a perda de peso possa ser sustentada por dois anos.

“Para as pessoas com diabetes tipo 2, a perda de peso lhes permite drenar o excesso de gordura para fora do pâncreas, permitindo que sua função volte ao normal”, disse o professor Roy Taylor, da Universidade de Newcastle, e que também trabalha dentro dos Hospitais Newcastle.

“Então, se você perguntar o quanto de peso você precisa perder para fazer a sua diabetes ir embora, a resposta é um grama. Mas trata-se de gramas de gordura e tem de ser à partir do pâncreas. Atualmente, a única maneira que temos de conseguir isso é por restrição calórica, qualquer que seja o meio, por dieta ou uma operação.

“O que é interessante é que, independentemente do seu peso corporal atual e como você venha a perder peso, o fator crítico para reverter sua diabetes tipo 2 está em perder um grama de gordura do pâncreas”.

Diabetes vem aumentando a crise de saúde na Grã-Bretanha, que atualmente consome 10 por cento do total que o Sistema Nacional de Saúde gasta em drogas.

A diabetes do tipo 2 responde por cerca de 90 por cento de todos os casos de diabetes na Grã-Bretanha e o número de pessoas com a condição aumentou 59,8 por cento na última década, o que equivale a um adicional de 1,2 milhões de adultos em relação a dez anos atrás. A entidade Diabetes UK prevê que, se as tendências atuais continuarem, cinco milhões de pessoas terão diabetes em 2025, um legado de má alimentação e falta de exercício.

A doença costumava ser chamada de ‘início da maturidade”, porque a diabetes era associada com a meia-idade e idosos, mas nos últimos 15 anos, tem sido vista em crianças e, em setembro, uma menina de três anos de idade foi diagnosticada com a condição, a paciente mais jovem conhecida.

Tradicionalmente, a diabetes tipo 2 é vista como uma doença progressiva que é controlada inicialmente pela dieta, em seguida por comprimidos, mas que pode, eventualmente, necessitar de injeções de insulina.

O novo estudo é o primeiro a sugerir que manter o peso baixo pode curar os doentes.

Os pesquisadores foram capazes de detectar a ligação entre gordura no pâncreas e diabetes por causa de uma nova técnica de ressonância magnética que lhes permitiram testar com precisão os níveis de depósitos de gordura no órgão. Ele mostrou que os níveis de gordura diminuiram 1,2 por cento ao longo de oito semanas em pacientes diabéticos. Durante as oito semanas os pacientes foram convidados a limitar a ingestão de calorias para apenas 1.200 kcal por dia, cerca de metade dos níveis recomendados.

Em um grupo de pacientes obesos não-diabéticos de controle não foi observado mudança alguma no nível de gordura do pâncreas, demonstrando que o aumento de gordura no pâncreas é específico para as pessoas que desenvolvem diabetes de tipo 2.

Naveed Sattar, professor de Medicina Metabólica da Universidade de Glasgow, disse: “Este é um grande achado, porque mostra que o ganho de peso está provocando o diabetes e que as pessoas que perdem peso suficiente podem ficar livres da doença  e sair da insulina.

“O que precisamos fazer agora é ter certeza de que esta perda de peso é sustentável à longo prazo, e é por isso que estamos realizando um estudo muito maior para ver se as pessoas podem manter o peso por muito tempo. Obviamente, algumas pessoas vão lutar para fazer isso e nem todos vão ser bem sucedidos”.

“Mas isso é uma boa notícia que podemos dizer agora às pessoas, que se elas perderem peso, vão ficar melhor. Ser mais leve também as ajudam a se tornarem fisicamente mais ativas, o que também deve ajudar a manter o peso”.

Diabetes UK disse que o estudo destacou a importante ligação entre dieta e diabetes.

Dr Alasdair Rankin, diretor de pesquisas da Diabetes UK, disse: “Este estudo sugere uma ligação importante entre a quantidade de gordura no pâncreas e a diabetes tipo 2”.

“Ele destaca mais uma vez a importância de estar com um peso saudável para reduzir o risco de diabetes tipo 2, bem como o potencial da perda de peso – de preferência através da dieta, mas também, se isso falhar, por meio de cirurgia – para reverter a diabetes tipo 2.

“Mas, enquanto um grama de gordura não parece muito, você precisa perder muito peso corporal para perder esta pequena quantidade de gordura em seu pâncreas. Enquanto algumas pesquisas tem mostrado o potencial das dietas de baixa caloria para reverter a diabetes tipo 2, ainda não a recomendamos -e quem pensar em fazer isso deve falar primeiramente com o seu médico”.

A pesquisa foi publicada hoje na revista online Diabetes Care e, simultaneamente, seus resultados estão sendo apresentados no Congresso Mundial de Diabetes em Vancouver.

 

http://www.telegraph.co.uk/


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