Como o diagnóstico da diabetes mudou a minha vida

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Charlotte Lightman foi diagnosticada com diabetes ainda criança

Eu fui diagnosticada com diabetes tipo 1 há 20 anos, quando tinha 7 anos de idade.

Diabetes tipo 1 é uma doença invisível. Olhando para mim você não saberia dizer que existe algo de errado. Mas viver com esta condição 24 horas por dia é outra coisa. Ela mudou completamente a minha vida e, de maneiras diferentes, afeta todos os aspectos do que eu faço.

Comer ou fazer exercícios podem ser complicados

Toda vez que me alimento, eu preciso pensar em como isto vai afetar os meus níveis de açúcar. Como tenho diabetes tipo 1, meu pâncreas não consegue produzir insulina, e por isto eu preciso me injetar do hormônio que ele produziria, geralmente umas cinco vezes ao dia tentando replicar o trabalho deste órgão.

Carboidratos aumentam o meu nível de açúcar no sangue, por isso cada lanche e refeição que faço é um desafio matemático, exigindo-me calcular a quantidade de insulina que preciso injetar para neutralizar o aumento do nível de açúcar no meu sangue.

Adoro correr e ir ao ginásio, mas isso também afeta o diabetes, pois muito exercício pode fazer cair o meu açúcar no sangue a níveis perigosamente baixos, enquanto que certos tipos podem causar-lhes uma demasiada elevação. Eu constantemente tenho de verificar o meu nível de açúcar e ajustar minha ingestão de insulina – não há dois dias que sejam iguais! O exercício é bom para mim, mas certamente não é uma tarefa simples e direta.

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Charlotte adora correr e pretende disputar a meia maratona ano que vem

Eu tenho que dizer constantemente às pessoas que não tive diabetes por comer açúcar

Diabetes tem uma má reputação e é muitas vezes objeto de piadas. Eu descobri que a maioria das pessoas não entende a diferença entre o tipo 1 e a diabetes tipo 2. Eu tenho diabetes tipo 1, que corresponde a cerca de 10 por cento dos casos. Ninguém sabe exatamente sua causa, mas certamente não é o excesso de peso, sendo até o momento imprevisível.

Pessoas com diabetes tipo 2 não produzem insulina suficiente ou a insulina que produzem não funciona adequadamente (conhecido como resistência à insulina) – 90 por cento das pessoas com a doença têm este tipo. Elas desenvolvem esta condição por causa de sua história familiar, idade ou por causa de sua origem étnica, que os coloca em maior risco. Diabetes do tipo 2 começa gradualmente, geralmente mais tarde na vida, e pode levar anos até que as pessoas percebam que elas a têm.

Viver com diabetes no dia-a-dia, muitas vezes faz com que você sinta um monte de sentimentos de culpa, porque quando o meu nível de açúcar no sangue não está como deveriam estar, muitas vezes eu fico com a sensação de que a culpa é minha. O que eu fiz ou comi para que isso acontecesse? Eu gostaria que as pessoas soubessem que, mesmo quando você faz tudo certo com o diabetes, ele ainda pode dar errado. E isso em nada ajuda quando a sociedade muitas vezes retrata a condição como algo que você causou a si mesmo fazendo-o se sentir culpado.

Eu nunca paro de pensar sobre o meu diabetes

Diabetes é uma condição de saúde complexa. Infelizmente, uma vez que você é diagnosticado, você não pode apenas ser enviado para casa do hospital com uma prescrição simples de medicação para tomar todos os dias até o resto de sua vida. A insulina não é uma cura para o diabetes – é apenas parte de um tratamento e eu preciso trabalhar muito duro para fazê-la funcionar. Tantas coisas pequenas afetam o meu nível de açúcar no sangue, desde o exercício ao estresse e mesmo a temperatura exterior! Se eu não mantiver meu diabetes sob controle e os níveis de açúcar no sangue dentro de uma faixa recomendada, haverá um alto risco de desenvolvimento de algumas complicações perigosas, incluindo acidente vascular cerebral, doença renal e até mesmo amputação.

Eu penso sobre o meu diabetes o tempo todo – mesmo quando eu vou para a cama e tento me desligar depois de um longo dia, eu continuo preocupada que os meus níveis de açúcar no sangue venham a cair inesperadamente durante meu sono. Nunca haverá um fim quando se tem diabetes – você não terá um dia de folga e há dias em que é a última coisa que eu gostaria era de lidar com ele, mas eu não tenho escolha. É difícil ser espontânea quando você é do tipo 1, pois você sempre precisa pensar em como o que está fazendo causará impacto em seu diabetes.

Mas eu continuo a fazer as coisas que amo

Embora a minha diabetes corresponda a uma grande parte de quem sou, com um entendimento correto, educação e medicação, eu posso assumir o controle da minha condição e ainda viver a vida que eu escolher. Eu realizei um curso de educação em diabetes, há alguns anos, prestado pelo Instituto Nacional de Saúde, o que realmente me ajudou a entender melhor como administrar o meu dia-a-dia de diabetes.

Eu achei que foi inestimável e encorajo qualquer outra pessoa com a condição para saber mais, perguntando a seu médico ou enfermeiro. Junto com a sensibilização sobre o quão útil os cursos são, as entidades responsáveis pela Saúde deveriam disponibilizar mais cursos para todos aqueles com diabetes no país. Atualmente praticamente não existem cursos disponíveis. Isso é algo que tem de mudar.

Atualmente, eu sou capaz de controlar meu diabetes para que ele não me controle. Eu posso viajar pelo mundo e comer os alimentos que eu gosto. Também sou capaz de correr e estou treinando para a meia maratona do próximo ano. Ter diabetes pode ser complicado, mas com o apoio certo e entendendo como funciona, não é preciso parar de fazer as coisas que você ama.

 

http://www.independent.co.uk/


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