Opinião: Considere as insulinas antigas para pacientes tipo 2

Os médicos deveriam considerar o uso de algumas insulinas mais velhas para pacientes com diabetes tipo 2 como uma medida de economia de custos, sugeriu dois endocrinologistas em um novo artigo.

No artigo, publicado em 18 de agosto no Journal of the American Medical Association, Tracy Tylee, MD, e Irl B Hirsch, MD, ambos da Escola de Medicina da Universidade de Washington, Seattle, argumentam que as insulinas regulares antigas são tão eficazes quanto os análogos de insulina atuais que os pacientes com diabetes tipo 2 poderiam necessitar, podendo ser usadas ​​com segurança, desde que sejam tomadas medidas para evitar a hipoglicemia.

“Os médicos terão de fazer ajustes nas dietas de seus pacientes para minimizar o risco de hipoglicemia, mas com alguma compreensão de como usar corretamente e com a ajuda dos clínicos, estas insulinas podem ajudar os pacientes a alcançar um monitoramento glicêmico adequado a um custo mais razoável”, esvreveram Hirsch e Tylee.

O preço dos análogos de insulina subiram nos últimos anos. O custo de uma lispro, por exemplo, saltou 585% entre 2001 e 2015, de US $ 35 a US $ 234 por frasco. Para a insulina humana, esses números aumentaram de US $ 20 para US $ 131. No entanto, 96% dos pacientes com diabetes tipo 2 que fazem uso de insulina nos Estados Unidos usam análogos, contra apenas 19% em 2000.

“A acessibilidade de insulina está se tornando um fator importante na tomada de decisão, e os médicos devem estar cientes das opções de baixo custo que podem estar disponíveis para seus pacientes”, dizem Tylee e Hirsch.

As insulinas mais recentes fornecem melhores replicações  da secreção de insulina fisiológica humana e uma maior comodidade para os pacientes. Mas, dada a falta de dados que demonstram a diferença na HbA1c, resultados à longo prazo, ou hipoglicemia grave – que geralmente é pouco freqüente em pacientes tipo 2 –  os médicos realmente precisam prestar atenção para o preço, afirmam Tylee e Hirsch.

“Muitos pacientes não terão escolha a não ser usar uma alternativa menos dispendiosa, e alguns pacientes desistiram ou racionaram a quantidade de insulina por causa dos custos. As insulinas mais antigas, enquanto menos utilizadas, são tão eficazes quanto os análogos no controle de glicose no sangue para a maioria dos pacientes com diabetes tipo 2, por um preço menor “, escrevem eles.

Outros têm dito o mesmo argumento mais recentemente. O tema foi objeto de uma discussão em sessões anuais Científicas da Associação Americana de Diabetes, em junho. Mas  no Reino Unido, um grupo de médicos proeminentes escreveu com palavras fortes, objeções a uma proposta da agência de vigilância de saúde daquele país que recomendava insulinas mais antigas para pacientes com diabetes tipo 2, como uma medida de economia de custos.

Um artigo especial publicado no início deste ano no New England Journal of Medicine traçou a história do desenvolvimento da insulina, explicando porque não existem insulinas genéricas mesmo quase 100 anos após sua descoberta.

De volta para o Futuro?

Agora, Tylee e Hirsch deram um passo além, através de aconselhamento sobre como alternar com segurança os pacientes com diabetes tipo 2 a partir de análogos de insulinas mais antigas.

Considerando que a insulina glargina análoga fornece para todo o dia uma cobertura basal, a NPH, normalmente, deveria ser injetada duas vezes por dia. Para minimizar a hipoglicemia noturna, a dose poderia ser dividida em um terço a ser tomado na hora de dormir e a maior dose administrada pela manhã.

Para evitar um “empilhamento” de insulina que conduz mais tarde à hipoglicemia, a dose de insulina antes da refeição à hora do almoço deve ser reduzida. Ao iniciar uma dieta, os pacientes devem ser encorajados a verificar seus níveis de glicose no sangue tanto no final da manhã quanto no início da noite para ficar o mais próximo possível da normalidade, aconselham Tylee e Hirsch.

Os médicos precisam também ensinar aos pacientes as características e como utilizar corretamente a insulina NPH, misturando-a suavemente antes de cada utilização.

Embora tivesse havido a crença de que a insulina regular deveria ser tomada de 20 a 30 minutos antes de uma refeição, um estudo com 100 pacientes com diabetes tipo 2 não encontrou nenhum benefício clínico para fazê-lo (Diabetes Care 2013; 36 :. 1865-1869). Ainda assim, os autores observam, “dada a lenta absorção da insulina regular, mais dados sobre este tema são necessários”.

JAMA. 2015:314:665-666. Abstract

http://www.medscape.com/viewarticle/849608


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