Custos dos medicamentos para diabetes sempre aumentam, mas não deveriam

Quando falamos sobre tratamento de condições crônicas, os medicamentos para diabetes não são tão atraentes, como Sovaldi, uma avançada droga lançada ano passado para hepatite C, que oferece uma cura para a infecção crônica do fígado, a um preço que se aproxima de seis dígitos.

No entanto, estima-se que 29 milhões de pessoas têm diabetes – cerca de 10 vezes o número de pessoas com hepatite C – e muitos deles vão ter que tomar drogas para o diabetes pelo resto de suas vidas. Os aumentos de custos para ambas, as antigas e novas drogas, são iguais forçando muitos consumidores a lutar para pagar por elas.

“Toda semana eu vejo pacientes que não podem pagar por seus medicamentos”, diz o Dr. Joel Zonszein, um endocrinologista que é diretor do centro de diabetes clínico do Centro Médico Montefiore, em Nova York.

Muitas pessoas com diabetes tomam várias drogas que atuam de diferentes maneiras para controlar o açúcar no sangue. Embora alguns dos medicamentos para diabetes mais vendidos, como a metformina, são de preços modestos e genéricos, novos medicamentos de marca continuam a ser lançados agindo de maneiras diferentes.

Eles podem ser mais eficazes e ter menos efeitos colaterais, mas muitas vezes isto tem um preço. Pelo quarto ano consecutivo, os gastos com medicamentos para diabetes em 2014 foram superiores em relação ao ano anterior quando comparados qualquer outra classe de drogas tradicionais, de acordo com Relatório de Tendências da Express Scripts 2014 Drugs. Menos da metade das prescrições para tratamentos para a diabetes eram de medicamentos genéricos.

“O custo do tratamento do diabetes vem aumentando de forma consideravelmente rápida”, diz o Dr. Glen Stettin, vice-presidente sênior para a clínica, pesquisa e novas soluções da Express Scripts, que gere o setor de benefícios de medicamentos para muitas empresas. Uma série de fatores contribuem para o aumento geral de custos, diz Stettin, incluindo aumentos de preços para medicamentos de marca, o fato de que as pessoas estão muitas vezes em regimes de tratamento complicados de três ou mesmo quatro drogas, e que mais pessoas com diabetes estão recebendo tratamento.

Uma análise per capita de gastos de saúde em 2013 para as pessoas com diabetes revelou que os custos médios foram de 14.999 dólares, cerca de 10 mil dólares superior à média 4.305 dólares nos gastos per capita para as pessoas sem este problema. O Instituto Health Care examinou os custos de saúde de quase 40 milhões de indivíduos menores de 65 anos que tinham seguro patrocinado pelo empregador com uma das três grandes seguradoras.

As seguradoras têm recursos cada vez mais limitados para a gestão de medicamentos dos pacientes. Elas exigem que os pacientes busquem drogas mais antigas, mais baratas antes de aprovar uma mais nova, sendo uma prática comum para obter a aprovação antes de prescrever medicamentos caros.

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Diabetes ocorre quando o corpo não consegue controlar a quantidade de açúcar no sangue por causa de dificuldades em se produzir ou ou responder ao hormônio insulina, que permite às células utilizar o açúcar (glicose) para a energia. Altos níveis de açúcar no sangue podem causar danos ao coração e vasos sanguíneos, nervos, rins, olhos e pés, entre outras coisas. Cerca de 90 por cento das pessoas que têm diabetes têm diabetes tipo 2, que está ligada a fatores de estilo de vida como obesidade e inatividade. O diabetes tipo 1, anteriormente chamado de diabetes juvenil, geralmente se desenvolve entre as crianças.

A insulina foi considerada uma droga milagrosa quando foi descoberta em 1921. Ela continua a ser um pilar do tratamento para milhões de pacientes, e ainda hoje, décadas após a sua introdução, ainda não há formas genéricas de insulina disponíveis.

Melhorias incrementais em drogas análogas à insulina existentes têm alargado suas proteções de patente em alguns casos, e algumas versões mais antigas de drogas não são mais vendidas, pelo menos nos Estados Unidos, diz o Dr. Jeremy Greene, professor de medicina e história da medicina na Universidade Johns Hopkins.

Cada vez mais, os fabricantes de medicamentos estão desenvolvendo cópias próximas dos medicamentos biológicos que são feitos com células vivas. Estes “biossimilares” podem proporcionar algum alívio para os custos elevados. A Food and Drug Administration (FDA) estabeleceu recentemente uma via reguladora de medicamentos biossimilares para a obtenção de aprovação, e especialistas em drogas sugerem que as patentes da insulina expiraram, estas novas insulinas biossimilares poderiam reduzir o preço em até 40 por cento.

http://www.webmd.com/


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