Tática de choque para a aplicação de fármacos

Cientistas da Índia estão desenvolvendo um sistema de administração de fármaco à base de ondas de choque que poderá ser utilizado para administrar insulina em pacientes diabéticos, e assim reduzir a necessidade de injeções dolorosas. Uma estratégia similar poderá também aumentar a eficácia do tratamento com antibiótico para feridas diabéticas.

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O dispositivo de ondas de choque não precisa tocar o rato para desencadear a liberação de drogas

Nos últimos anos, os sistemas de distribuição de drogas que respondem a estímulos vieram à tona. Tais sistemas permitem maior controle sobre onde e quando as drogas são liberadas no corpo em última análise, proporcionando um tratamento mais localizado e sustentado com melhores resultados globais. Sistemas que são sensíveis a estímulos externos, tais como ultra-som, luz infravermelha e campos magnéticos têm sido avaliados, mas muitas vezes exigem um equipamento especializado que pode ser caro para adquirir ou difícil de operar, e isso tem limitado a sua aplicação em situações clínicas reais.

Agora, Dipshikha Chakravortty e colegas do Instituto Indiano de Ciência, em Bangalore, estão desenvolvendo um sistema de entrega engenhosamente simples que usa ondas de micro-choque para estimular a liberação de drogas. O sistema faz uso de microcápsulas sintetizadas à partir dos polímeros biocompatíveis espermidina e o sulfato de dextrano. O pH e temperatura fisiológica destas micropartículas são estáveis, mas quando elas estão expostos a ondas de choque, o aumento da pressão resultante provoca a libertação lenta e qualquer fármaco é carregado para dentro.

O sistema tem o potencial de ser utilizado para o tratamento de uma vasta gama de condições, como infecções bacterianas causadas pelo câncer, mas a verdadeira inspiração por trás do estudo seria o tratamento de diabetes. “Nós entendemos o desconforto enfrentado por pacientes diabéticos que tomam injeções regulares de insulina e queríamos desenvolver uma tecnologia para reduzir o seu sofrimento”, diz Chakravortty. As microcápsulas desenvolvidas pela equipe podem ser carregadas com insulina e injetadas por via subcutânea. A liberação de insulina pode ser acionada como e quando for necessário por ondas de choque que podem ser geradas externamente usando uma pequena explosão controlada dentro de um gerador de ondas de choque de mão. Embora uma injeção inicial das cápsulas ainda seja preciso, o número de injeções necessárias certamente será reduzida, e o desencadear remoto da liberação do fármaco à partir deste sistema, pode aumentar a adesão do paciente, e seria de grande vantagem no caso de pacientes e crianças com deficiência mental, afirma Chakaravortty.

Numa experiência paralela, o grupo demonstrou que a ciprofloxacina libertada das micropartículas após a exposição a ondas de choque, poderia curar ratinhos diabéticos de uma infecção superficial da pele causada pelo Staphylococcus aureus. Este não foi o caso quando as ondas de micro-choque não foram utilizadas, o que já era esperado, porque elas promovem interrupção da infecção bacteriana, cicatrização de feridas e angiogênese.

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Ondas de micro-choque podem estimular a liberação do fármaco localizado na superfície da pele ou em regiões subcutâneas.

Cameron Alexander, um especialista em sistemas de distribuição de drogas da Universidade de Nottingham, Reino Unido, está cautelosamente otimista em relação ao trabalho. “O dado é interessante, e isso pode ser um novo método promissor para desencadear a entrega da droga em locais de superfície ou perto da superfície, porém mais trabalho será necessário para demonstrar a eficácia em um tecido doente dentro do corpo”, diz Alexander.

A equipe de Chakaravortty agora está trabalhando para eliminar a necessidade de pequenas explosões em seu gerador de ondas de choque de mão.

http://www.rsc.org/


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