A ligação entre o trauma mental e Diabetes

Mulheres com sintomas de TEPT parecem estar em maior risco de diabetes tipo 2, diz um novo estudo.

Mulheres com sintomas de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) têm um risco aumentado de até duas vezes para o diabetes tipo 2, de acordo com um novo estudo .

“Quando estamos sob estresse, estamos mais propensos a ficar doentes, e as mulheres com TEPT estão com uma resposta extrema ao estresse por grande parte do tempo”, diz o autor do estudo Karestan Koenen, professor de epidemiologia na Escola Mailman de Saúde Pública da Universidade de Columbia.

O novo estudo, publicado na revista JAMA Psychiatry, acompanhou 49.739 mulheres que participaram do Estudo de Saúde das Enfermeiras II para avaliar a relação entre os sintomas de TEPT e diabetes tipo 2 ao longo de 22 anos. Eles descobriram que as mulheres com mais sintomas apresentaram o dobro do risco de desenvolver diabetes tipo 2, e que a associação era proporcional ao número de sintomas que as mulheres experienciavam.

“É muito importante que as pessoas entendam que o TEPT não ocorre apenas em veteranos de guerra. A maioria de TEPT se apresenta em pessoas comuns da comunidade”, diz Koenen. Uma das descobertas mais surpreendentes do estudo foi de que o uso de antidepressivos e um maior índice de massa corporal (IMC) foram responsáveis ​​por cerca de metade do aumento do risco de diabetes tipo 2 em mulheres com TEPT. Pesquisas anteriores ligaram  oTEPT a um IMC maior, com algumas pesquisas sugerindo que a resposta ao aumento de estresse pode resultar em desejos por comida altamente calórica e levar ao ganho de peso.

O link antidepressivo foi o mais inesperado. Uma explicação óbvia para o link é que alguns antidepressivos causam ganho de peso, mas os pesquisadores afirmam que o ganho de peso não é causado por todos os antidepressivos e, portanto, não pode ser responsável por todos os efeitos. “É provavelmente um dos achados mais interessantes e eu não tenho uma boa explicação para isso”, diz Koenen.

Os pesquisadores dizem que é possível que o estresse extremo possa causar mudanças na regulação do sistema imunológico do corpo, nos marcadores de inflamação e em hormônios, o que pode contribuir para o aparecimento da diabetes tipo 2.

Em última análise, Koenen acredita que o estudo é importante porque fornece uma evidência adicional de que a medicina pode se beneficiar de um olhar mais holístico em pacientes que não inclui apenas a doença, mas também a saúde mental e psicológica. “Nosso sistema de saúde funciona como se o cérebro e o corpo fossem duas coisas separadas. Esta é apenas uma das centenas de estudos que têm mostrado atualmente que a saúde mental afeta também a saúde física”, diz ela. “Precisamos de um sistema médico mais integrado, onde a mente e o corpo sejam trabalhados em conjunto”.

Koenen, que costumava trabalhar no Veterans Affairs, diz que os veteranos demandam cuidados por um longo tempo, com estudos e pesquisas mostrando que os pacientes muitas vezes perguntam por serviços alternativos, como yoga . “Os pacientes entendem isso, mas o sistema de saúde ainda não acredita nessa possibilidade”, diz ela.

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