EUA agora tem diabetes personalizada.

Aqui está a minha linha “favorita” de um artigo do Wall Street Journal sobre o estrondoso sucesso da campanha publicitária da Coca-Cola “Compartilhe uma Coca-Cola”, em que os 250 nomes mais populares de adolescentes e jovens influentes foram estampados em destaque nos rótulos de algumas de suas garrafas de refrigerantes, e que não só pararam uma década de longo declínio nas vendas de refrigerante, mas, na verdade, resultou em um aumento de 2%.

“Isso tem proporcionado uma elevação de lucros para a gigante de bebidas, que está tentando combater as preocupações sobre a obesidade e adoçantes artificiais através de um aumento em seu orçamento de publicidade global em mais US $ 1 bilhão nos próximos três anos, acima dos US $ 3,3 bilhões previstos em 2013”

Sim, a Coca-Cola está “combatendo” as preocupações do público sobre a contribuição dos refrigerantes para a obesidade, diabetes e outras doenças relacionadas com o setor do açúcar, não alterando o seu produto ou aumentando a consciência pública sobre nutrição, ou -Deus sabe – adicionando uma etiqueta de advertência sobre o produto – mas, aumentando o seu orçamento de publicidade em 1/3.

A campanha “Compartilhe uma Coca-Cola” está sendo saudada como genial por publicitários e publicações comerciais tipo Forbes e Adweek por forjar uma “conexão emocional” com os consumidores jovens, que orgulhosamente compartilham fotos de si mesmos ao lado de suas garrafas de refrigerante homônima em sites de mídia social como o Instagram, onde mais de meio milhão de tais fotos foram postadas com a hashtag #shareacoke (#compartilheumacoca).

Como Rene Descartes famosamente disse, “Eu tenho uma garrafa de refrigerante com o meu primeiro nome, logo existo”.

Um jovem de 22 anos chamado Ricardo El Torro resumiu o discurso. “Ver seu nome em uma grande marca, torna aquela coisa em algo pessoal”, disse ele, esquecendo momentaneamente que ele não é o único “Ricardo” nos Estados Unidos.

O artigo também menciona uma jovem de 24 anos de Ohio, casada e chamada Alyssa que “caçou durante todo o verão” as garrafas de Coca-Cola com o nome dela e de seu marido no rótulo, tendo finalmente encontrado. Agora ela está contemplando e mantendo-as em uma prateleira ao lado das fotos de casamento. “Vou mantê-las para sempre”, ela citou com um suspiro de alívio, para o qual a única reação razoável é ” Por que?”

Como prova de que imprimir 250 nomes comuns em garrafas era o  fator de aumento das vendas, Pepsi e Dr. Pepper, que continuaram vendendo suas velhas, miseráveis e impessoais garrafas de refrigerante, sem nomes e desprovidas de uma alma, viram suas vendas continuarem a cair.

Se houve uma “genialidade” para a campanha Compartilhe uma Coca-Cola, foi na criação desta identificação final com um produto, na qual os consumidores pagam mais pela atenção para a imagem no rótulo do que para a qualidade do produto.

Afinal, ali respira um estudante de ensino médio ou adolescente – com exceção daqueles que vivem em uma fazenda orgânica estranha ou algo do gênero, quem nunca bebeu uma Coca-Cola ou Pepsi em suas vidas? Logicamente, tudo que se deveria e o que seria preciso, era saber se você gosta ou não, tornando toda a publicidade subsequente desnecessária e / ou pouco convincente. Da mesma forma que aqueles onipresentes comerciais de cerveja tentando convencer os fãs de futebol todo domingo e segunda-feira à noite que seu produto fabricado é sinônimo de bons momentos viris.

Companheiros: da próxima vez que vocês beberem a gororoba, aqui vai uma dica: ao invés de internalizarem alguma imagem promovida pelas corporações de bebida que dizem algo a vocês, prestem atenção ao paladar. Isto provavelmente vai ser uma revelação.

Não seria muito justo dizer que os três gigantes dos refrigerantes não estão fazendo nada para aliviar as preocupações com a saúde dos consumidores além de aumentar seus orçamentos de publicidade para os produtos. Eles todos estão empenhados em reduzir as calorias de seus refrigerantes em gritantes 20% até o ano de 2025 nos EUA (ao contrário de outros países em que a pressão política é menor, onde, provavelmente, ninguém se preocupa com a saúde). Sim, em apenas 11 anos, as grandes mentes na Coca-Cola e Pepsi vão descobrir como colocar 1/5 menos açúcar em uma lata de refrigerante. Uma coisa que eles já estão fazendo agora é envazar os seus refrigerantes em latas e garrafas menores, o que pode reduzir o consumo de calorias entre os clientes que não possuem senso de controle da porção, mas indissoluvelmente levando a mais poluição, lixo e danos ambientais. Êpa, um problema de cada vez , OK?!

E a Coca-Cola e Pepsi estão comercializando marcas com baixas calorias adoçadas com uma combinação de açúcar e stevia, chamadas “Life” e “True”, respectivamente, e vendidas em latas verdes, porque nada mais “pseudo-saudável” como o “verde”.

Nesse meio tempo, Alyssa e Chris, Jess e Ricardo, estão agradecendo ao Obamacare. Porque se você ficar viciado em beber refrigerante devido à campanha Compartilhe uma Coca-Cola, contribuindo para um dia se tornar obeso e doente, para depois necessitar de atenção médica cara, o que você irá querer é alguém para dividir os custos do tratamento.

http://www.article-3.com/


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