Vilão ou mocinho? Saiba quais são os benefícios do adoçante

Vilões ou mocinhos? O uso de adoçantes artificiais, que sempre foi indicado para pessoas com diabetes ou sobrepeso, foi colocado em xeque na última semana. Isso porque um estudo de pesquisadores israelenses encontrou uma possível ligação entre o consumo do produto e o excesso de açúcar no sangue.

A pesquisa, realizada pelo Instituto de Ciência Weitzmann, mostra que o uso constante do aspartame, sucralose ou sacarina pode aumentar o risco de desenvolver diabetes tipo 2. Segundo os cientistas, quando ingeridos, esses adoçantes passam diretamente para o intestino. Lá, podem afetar a função e a variedade das bactérias que integram a flora intestinal.

Para o médico endocrinologista João Eduardo Nunes Salles, vice-presidente do Departamento de Endocrinologia e Metabologia da Sociedade Brasileira de Diabetes, apesar do resultado, os resultados da pesquisa ainda são preliminares e por, isso, a recomendação para quem faz uso de adoçantes continua a mesma: o importante é não exagerar no consumo.

”É muito cedo para falar qualquer coisa. Na contramão deste estudo, existem vários demonstrando que o produto é seguro. Os adoçantes são benéficos não apenas porque ajudam a controlar a taxa de glicose dos diabéticos, como também auxiliam aqueles que desejam perder peso”, comenta o especialista, que receia que diabéticos migrem do adoçante para outros tipos de açúcar.

”O meu medo é que, após essa pesquisa, as pessoas que sofrem de diabetes migrem para o açúcar mascavo. Ele não deve ser consumido por portadores da doença, porque, apesar de conter uma quantidade maior de vitaminas, possui a mesma quantidade de glicose e sacarose de um açúcar branco”, comenta.

Adoçante é recomendado para diabéticos e também para pessoas que desejam perder peso
Como escolher o melhor adoçante

No mercado, há diversas opções para quem deseja substituir o açúcar tradicional pelo adoçante. Por isso, é preciso conhecer cada um deles, para identificar o melhor recomendado para cada pessoa.

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Dentre as opções, há dois grupos: os adoçantes naturais e os artificiais. A consultora nutricional Karoline Jorge explica os benefícios e a recomendação para o consumo de cada um dos produtos.

Sucralose: natural, proveniente da sacarose e cerca de 600 vezes mais doce do que ela. Usado como adoçante de mesa e em preparações quentes. Sua ingestão diária recomendada é de 15 mg/kg de peso corporal.

Stevia: adoçante natural extraído de folhas de estévia, cujo poder adoçante é cerca de 300 vezes maior do que a sacarose. Não tem gosto residual desagradável e não é metabolizado pelo organismo, sendo isento de calorias. Pode ser consumido sem contra-indicação. Sua ingestão diária é de 5,5 mg/kg de peso corporal.

Sacarina: primeira substância sintética, com sabor doce intenso, a ser descoberta. Derivada do petróleo, seu poder adoçante supera entre 200 a 700 vezes o da sacarose. Não é metabolizada pelo corpo. Para amenizar seu sabor residual amargo, é geralmente misturada a outro adoçante, o ciclamato. Sua ingestão diária recomendada é de 5 mg / kg de peso corporal por dia para adultos e crianças. É contraindicada para gestantes, pois tem capacidade de atravessar a membrana transplacentária, podendo permanecer nos tecidos fetais. Sua recomendação diária é de 5 mg/kg de peso corporal. Por conter sódio, é contra-indicada para hipertensos.

Ciclamato: também derivado do petróleo, é cerca de 30 vezes mais doce que a sacarose. Não é metabolizado pelo organismo e é contra-indicado para pacientes hipertensos, por conter sódio assim como a sacarina. Sua ingestão diária recomendada é de 7 mg/kg de peso corporal.

Aspartame: é feito a partir de aminoácidos, não apresenta sabor amargo, mas também não pode ser aquecido. Não deve ser consumido por gestantes e por portadores de fenilcetonuria, uma doença genética rara em que o portador não consegue processar o aminoácido fenilalanina. A dose diária aceitável de aspartame é de 50 mg / kg de peso corporal, por adultos e crianças.

Acessulfame-K: derivado do potássio, apresenta sabor amargo e é geralmente utilizado em associação à sacarina ou ao ciclamato. É utilizado em produtos lácteos, enlatados e na panificação. Sua ingestão diária recomendada é de 15 mg/kg de peso corporal.

Outros produtos

Apesar da indicação do adoçante para aqueles que desejam fazer as pazes com a balança, um ótimo aliado para a dieta é o açúcar de coco, explica a consultora nutricional. “Ele tem sido uma boa opção, porque possui baixo índice glicêmico, além de possuir baixa quantidade de calorias. Diferente do açúcar branco, o açúcar de coco é fonte de vitamina B1, B2, B3 e B6 e minerais como o zinco, magnésio, ferro e potássio”.

Ainda conforme a especialista, não basta apenas substituir o açúcar branco por um outro produto. Manter uma alimentação saudável e equilibrada é fundamental para a qualidade de vida. “Vale ressaltar que muitas vezes, alimentos diet ou light apresentam uma quantidade de gordura maior quando comparados aos tradicionais”, comenta.

Isso porque, no processo de refinamento do açúcar, são retiradas fibras, proteínas, sais minerais, vitaminas, impurezas e adicionados aditivos químicos, como o enxofre, que tornam o produto branco e delicioso. “O produto final é a sacarose, um carboidrato de elevado poder calórico e de rápida liberação de glicose no sangue. Por isso, devemos evitar ao máximo o consumo desse açúcar e dar preferência para alimentos naturais. Isso irá auxiliar na manutenção do peso e na melhora da qualidade de vida”.

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