Diabetes do tipo 2 pode ser diagnosticada mais cedo, dizem cientistas

A diabetes do tipo 2 pode ter outra forma de diagnóstico
A diabetes do tipo 2 pode ter outra forma de diagnóstico

A forma atual de diagnóstico de diabetes tipo-2, utilizando-se os níveis de glicose no sangue deve ser revista, sugere uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade de Manchester e do Kings College de Londres.

Os resultados, publicados na revista PLOS ONE hoje (03 de setembro), mostram que o método atual de diagnóstico – usando os níveis de glicose no sangue – significa que os pacientes são diagnosticados tarde demais, uma vez que seus vasos sanguíneos já podem estar danificados.

A diabetes tipo 2, que afeta mais de 90% de todos os adultos com diabetes, muitas vezes leva a danos no coração e vasos sanguíneos, problemas no cérebro, olhos e rins. Ela está intimamente ligada ao aumento dos níveis de obesidade, falta de exercício, alimentação não saudável e envelhecimento da nossa população.

O estudo incidiu sobre as mulheres jovens e grávidas e foram acompanhadas em Greater Manchester, após terem sido identificadas como em maior, intermediário e baixo risco de desenvolver diabetes tipo 2. Os pesquisadores examinaram marcadores bioquímicos no sangue antes de seus níveis de glicose tornarem-se elevados – antes, portanto, dos pacientes atingirem o estágio de pré-diabetes.

Seus resultados mostram que as mudanças nos tipos de metabólitos de gordura no sangue – partículas que compõem as gorduras no sangue que ocorre naturalmente – parecem ser bons indicadores de desenvolvimento de diabetes tipo 2. As mudanças nessas partículas eram bem detectáveis antes das alterações na glicemia que hoje ainda definem a diabetes tipo 2 ou pré-diabetes.

O Professor Kennedy Cruickshank, principal autor do estudo e professor de Medicina Cardiovascular e Diabetes, na Divisão de Nutrição da Faculdade Londres, anteriormente da Universidade de Manchester, disse que as descobertas de sua equipe podem ser importantes para o diagnóstico futuro e, por sua vez, tratamentos.

Ele também disse: “Descobrimos que vários grupos de metabólitos de gordura, também ligados à gordura corporal, foram alterados no sangue, assim como os outros, incluindo alguns aminoácidos e, em certa medida a vitamina D, antes dos níveis de glicose aumentarem”.

“Os vasos sanguíneos ficam danificados como parte da condição, mas os problemas nos vasos surgem antes do aumento de açúcar no sangue durante o período conhecido como pré-diabetes”.

“O atual método de categorização de diabetes tipo 2 somente pelo nível de glicose do paciente significa que muitos já terão sofrido danos nos vasos sanguíneos e vão experimentar resultados mais pobres”.

“Nosso estudo global adiciona peso ao argumento de que o diabetes tipo 2 não deve ser classificados como diabetes, como nós atualmente compreendemos, à partir da simples medida de glicose no sangue”.

Os autores argumentam que, em vez de se concentrar exclusivamente em tratamentos direcionados para a redução do nível de glicose, que não melhoram a saúde dos vasos sanguíneos, uma nova definição, bem diferente de diabetes tipo-2 é necessária, em parte com base na distribuição de metabólitos de gordura no sangue na fase de pré -diabetes.

Dr Simon Anderson, co-autor do estudo e do Instituto Nacional de Pesquisa em Saúde, Professor Clínico em Cardiologia pela Universidade de Manchester, disse: “Este estudo de longo prazo de mulheres em Greater Manchester adiciona à evidência crescente sobre o papel importante que as gorduras e metabólitos de gordura desempenham na saúde dos vasos sanguíneos, e em diabetes per si”.

“Para ajudar a esclarecer as condições metabólicas que levam ao desenvolvimento de diabetes tipo 2, uma avaliação mais aprofundada do total de substâncias químicas no sangue – o metabolome – é necessária”.

“A longo prazo pretendemos identificar um biomarcador ou um distúrbio em uma via química que está ligada a saúde dos vasos sanguíneos e diabetes subsequentes”.

“Em última análise, isso pode se traduzir em um exame de sangue específico para identificar pessoas com risco de diabetes tipo 2 no início, mas o mais importante, pode permitir que o conselho sobre a modificação de estilo de vida numa fase mais precoce possa reduzir o impacto de longo prazo causado pelo diabetes”.

A equipe diz que mais trabalho agora é necessário para validar esta abordagem alternativa para o diagnóstico, tratamento e prevenção da diabetes.

O trabalho está agora em curso no King para estabelecer tratamentos preventivos nos vasos sanguíneos e coração em pessoas com risco de diabetes, enquanto pesquisadores em Manchester estão olhando para o risco de desenvolver diabetes em crianças nascidas de mães com diabetes gestacional e diferentes graus de gordura.

 

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