Matheus Santana, nadador que tem diabetes tipo 1, estreia como astro do Brasil

Matheus Santana: futuro da natação brasileira

A maturidade também vem com os erros, os exageros. Na gula também se aprende. Que o diga Matheus Santana. Aos 18 anos, o jovem é a estrela da delegação brasileira nas Olimpíadas da Juventude de Nanquim, na China. Dono de marcas expressivas já como sênior, o nadador tem o segundo melhor tempo do país nos 100m livre, com 48s35 (sétimo melhor do mundo no ano), atrás apenas de Cesar Cielo, com 48s13, e derrubou todos os recordes do campeão olímpico na categoria júnior, por mais de uma vez.

Neste domingo, Matheus estreia em Nanquim no revezamento 4x100m livre misto, quando homens e mulheres do Brasil competem juntos. E ainda terá a chance de brilhar nos 100m livre e nos 50m livre, podendo voltar da China com três medalhas no peito.

A trajetória praticamente perfeita até agora, porém, sofreu um revés no ano passado, quando Matheus ficou fora do Mundial Júnior, em Dubai. Diagnosticado com diabetes aos 8 anos, o nadador não esconde tinha a mania de comer todos os dias de manhã um cereal açucarado, que ajudou a aumentar o nível glicêmico. No entanto, a saída da competição, que poderia ser um baque, se transformou em motivação.

– Não é nem que eu era viciado. Adquiri o hábito de comer todo o dia pela manhã. E é muito açucarado. Eu não estava tendo a consciência de que isso estava me fazendo mal. Aí veio a pergunta: a natação ou o Sucrilhos? Escolhi a natação (risos). Exagerava também na alimentação. Comia fora de hora. E ainda mais um atleta diabético como eu não pode vacilar com relação a isso. Ser cortado do Mundial foi algo muito ruim, teve um impacto muito grande. Depois de toda uma carga de treino pesada, uma preparação, uma empolgação para fazer os melhores tempos, ter sido cortado foi importante para saber que precisava me cuidar mais. Risquei de vez o Sucrilhos da minha dieta, fiz um acompanhamento com todos os profissionais e montamos um esquema bacana. Agora é uma dieta voltada para um atleta, com alguns detalhes por ser diabético. São pães integrais, pasta de amendoim integral e vitaminas de abacate e banana pela manhã. Nada de Sucrilhos – explicou Matheus.

O brasileiro deu a volta por cima, bateu o recorde mundial do americano Caeleb Dressells nos 100m livre júnior, no Troféu Maria Lenk, e depois no Campeonato Brasileiro Júnior e Sênior. Em junho, em Portugal, venceu sua primeira prova no sênior, ao ganhar os 100m livre no Meeting do Porto. Agora, quer provar em Nanquim, não só nos 100m livre, mas também nos 50m livre e no revezamento 4x100m livre misto, que está no caminho certo para ser o mais rápido do mundo entre os adultos.

Equipe brasileira enviou mensagem de apoio para Matheus Santana no Mundial (Foto: Reprodução/Facebook)
Equipe brasileira enviou mensagem de apoio para Matheus Santana no Mundial (Foto: Reprodução/Facebook)

– Vai ser uma competição importante. A principal competição que terei esse ano. Tenho que chegar lá bem focado para nadar bem e conseguir meus objetivos. Acho que vou tirar muita coisa boa, experiência dessa competição. Acredito que chegar como favorito a uma medalha é consequência do recorde que bati. Não fico muito pressionado, mas sei que as atenções estarão voltadas para mim. Acho que vai ser uma experiência legal para mim. É um aprendizado que esses Jogos trazem. Têm nível mundial, todo o ensinamento é válido para mim, para aprender a lidar com a pressão e busca por resultados.

Matheus Santana treina para brilhar em Nanquim
Matheus Santana treina para brilhar em Nanquim

Com o sétimo melhor tempo do mundo entre os adultos nos 100m livre, Matheus deixa de lado qualquer vaidade com relação aos jovens que cairão com ele na piscina. Apesar dos resultados precoces, o garoto sabe que sua presença também serve de motivação para os rivais que vão querer beliscar resultados em cima dele, como o Caeleb Dressells, que perdeu o recorde.

– O ex-recordista estará lá, o americano, e não vai em busca do segundo lugar. Na verdade, ninguém vai para lá para ser segundo. Será uma disputa muito bacana de se ver. Estou me preparando para chegar lá, bater o recorde de novo, baixar de 48s35, e vencer a medalha de ouro – frisou o brasileiro.

Matheus diz que a estrutura encontrada no Unisanta, em Santos-SP, lhe atende completamente, mas sabe que qualquer detalhe nos treinos e na preparação é importante para atingir seu sonho em 2016.

– Em relação a estrutura e qualidade de vida, acredito que estou bem satisfeito com o que tenho em Santos, no Unisanta. Não tenho do que reclamar. Estou feliz, que é o principal. Mas sempre existe algo para melhorar com relação a treino, saída, técnica de nado, virada, um ganho a mais de força. Sempre existe um detalhe que pode ser melhorado para abaixar o tempo. Isso um dia vai vir com o melhor tempo do mundo.

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