Diabetes de idosos é tratada de forma exagerada, sugere estudo

A maioria das pessoas com diabetes é tratada com medicamentos (nomeadamente metformina) que não as colocam em risco de ocorrer uma extraordinariamente baixa de açúcar no sangue, ou hipoglicemia, que é um efeito colateral potencialmente perigoso. Mas dependendo da idade do paciente e do desenvolvimento de outras condições médicas crônicas, pode torna-se mais difícil para alguns deles de tolerar tais medicamentos.

Assim, os médicos muitas vezes prescrevem a pacientes com diabetes mais velhos o uso da insulina ou uma classe de medicamentos conhecidos como sulfonilureias. (As marcas incluem Glucotrol, Amaryl e Diabinese.) Com estas drogas, a hipoglicemia se torna uma preocupação mais grave. Quando doses de insulina ou sulfonilureias são demasiado elevadas, o nível de açúcar no sangue de uma pessoa mais velha pode despencar, privando seu cérebro de oxigênio e levando ao colapso, perda de consciência e até a morte.

Mas calcular a quantidade de medicação que o paciente deve tomar e em que horário nem sempre é fácil. Para os adultos mais velhos, o processo pode ser complicado por causa de refeições irregulares, perda da visão, depressão, demência e outras dificuldades com o auto-cuidado.

Um recente estudo publicado no JAMA Internal Medicine por pesquisadores do Departamento de Assuntos de Veteranos, observa que entre os adultos com 65 anos ou mais velhos, a insulina e sulfonilureias são “os segundos medicamentos mais comuns associados com visitas ao departamento de emergência ou internações provenientes de eventos adversos a medicamentos”. Isso é apenas a ponta do iceberg, acreditam os especialistas.

O quanto seria comum um hiper-tratamento de diabetes e o relacionado risco de hipoglicemia na população mais velha ninguém sabe ao certo, mas o novo estudo fornece uma pista importante. Os pesquisadores identificaram os pacientes dentro do sistema em risco de hipoglicemia por causa de sua idade (75 anos e mais), de seu comprometimento cognitivo ou função renal prejudicada. Então eles olharam para uma medida de controle de açúcar no sangue conhecido como o teste A1C hemoglobina.

Cerca de 206.000 destes pacientes receberam terapia que foi significativamente mais agressiva do que o recomendado, descobriram os pesquisadores. Embora essas diretrizes sugiram que uma pontuação de A1C de 8 a 9 por cento é adequada para pacientes com expectativa de vida limitada e com outras doenças importantes, cerca de metade dos pacientes teve uma pontuação abaixo de 7 por cento, e mais de um em cada 10 tinham pontuações abaixo de 6 por cento.

Os resultados indicam que um grande número de veteranos idosos com diabetes “são potencialmente hiper-tratados baseado nas diretrizes mais recentes das agências federais”, escreveram os autores.

Dr. Patrick O’Malley, diretor da divisão de medicina interna geral na Universidade Militar de Ciências da Saúde, chamou os resultados de “assustadores”, e disse que “eles desafiaram o paradigma atual que enfatiza um rígido controle do açúcar no sangue para pacientes com diabetes.”

“Apesar de que o nível de açúcar no sangue normalizado pareça a coisa certa a se fazer, a hipoglicemia é muito mais perigosa no curto prazo do que a hiperglicemia para pacientes idosos”, acrescentou.

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