Universidade da Flórida vê progresso no tratamento da diabetes tipo 1 com nova pesquisa

Após vários anos de estudos realizados pela Universidade da Flórida (UF), os pesquisadores dizem ter feito progressos no desenvolvimento de um novo potencial tratamento para pacientes com diabetes tipo 1.

O tratamento, que eles têm comparado a uma “terapia de coquetel”, envolve dois medicamentos já aprovados pela Food and Drug Administration (FDA) para diferentes usos.

A UF concluiu recentemente um estudo que com 17 pacientes com diabetes tipo 1 que passaram por um tratamento com as duas drogas e apresentaram uma recuperação da capacidade de produzir insulina, enquanto que oito pacientes que tomaram placebo, não tiveram o mesmo resultado.

“Temos este efeito sinérgico”, disse o Dr. Michael J. Haller, um professor associado de endocrinologia pediátrica na UF. “Quando você dá os dois juntos, é sinergia. É como se 1 mais 1 fosse igual a 10″.

Em um comunicado, Mark Atkinson, professor do Departamento de Patologia, Imunologia e Medicina Laboratorial da UF, e outro pesquisador do estudo, disseram que os resultados até agora os deixaram “cautelosamente otimistas”.

Haller disse que os pesquisadores até o momento vem supervisionando os estudos desta terapia potencial por sete ou oito anos, começando com camundongos e passando para pacientes humanos. Estudos maiores prosseguirão antes das drogas poderem ser usadas no tratamento, disse ele.

Mas pelo fato dos dois medicamentos já possuírem autorização da FDA para outros usos, potencialmente poderiam ser utilizados para tratar diabetes tipo 1 sem passar pelo demorado processo de aprovação do FDA para novos medicamentos, Haller acrescentou.

Haller usou uma analogia simplificada para descrever como o tratamento funciona. Primeiro, Thymoglobulin, uma droga desenvolvida para uso em transplantes de rim, mata alguns dos glóbulos brancos do sistema imunológico que atacam as células beta produtoras de insulina no pâncreas. Haller comparou que seria para promover uma limpeza das células ruins ou “ladrões”.

Em seguida, o Neulasta, uma droga desenvolvida para tratar doentes com câncer, estimula a produção de células do sistema imunológico novas e saudáveis. Haller descreveu essas células como “policiais” que trazem uma maior proteção.

Os pesquisadores disseram que os resultados do estudo indicam que ambos, o Thymoglobulin e Neulasta trabalharam como o pretendido, proporcionando um aumento nas células beta produtoras de insulina no pâncreas.

Eles disseram que os resultados foram encorajadores, porque o mais recente estudo foi conduzido em pacientes que tinham sido diagnosticados com diabetes tipo 1 entre quatro meses até dois anos antes. Isso foi importante porque uma grande quantidade de células beta, muitas vezes são eliminadas nos primeiros meses depois que um paciente é diagnosticado.

Haller disse que o objetivo final, ainda mais há alguns anos, será desenvolver uma terapia que usa primeiro uma infusão de Thymoglobulin e, em seguida, um tratamento como o uso de Neulasta a cada duas semanas a três meses para reduzir ou eliminar a necessidade de alguns pacientes com diabetes do tipo 1 de tomar injeções de insulina.

Um candidato potencial para este tipo de tratamento é Ryan Moss, 15, de Archer, que foi diagnosticado com diabetes tipo 1 há quase um ano. Moss, que estava no Centro de Pesquisa Clínica da UF no início deste mês para tirar sangue para um teste em curso em separado, disse que ele tem que tomar injeções de insulina cinco a seis vezes por dia.

Quando o açúcar no sangue está baixo, ele aparenta estar fraco, e Moss sabe que tem que comer alguma coisa.

Neste momento, não é demasiado complicado lidar com a doença, Moss disse, porque ele tem observado como seu pai, que também tem diabetes tipo 1, lidou com isso.
“Conceitualmente, ele seria um grande candidato para a terapia”, disse Haller à respeito do adolescente.

O diabetes tipo 1, que anteriormente era conhecido como diabetes juvenil, representa cerca de 5 a 10 por cento dos casos diagnosticados no país, de acordo com a American Diabetes Association.
É uma condição crônica, geralmente diagnosticada na infância, em que o pâncreas não produz insulina ou não a produz o suficiente.

O estudo da UF, que os pesquisadores irão apresentar na reunião anual da American Diabetes Association neste mês em São Francisco, vem na esteira de um relatório do Centro de Controle de Doenças e Prevenção afirmando que mais de 29 milhões de pessoas na América agora tem diabetes.

O mais recente estudo foi financiado pelo Helmsley Charitable Trust. A Sanofi, a empresa farmacêutica que detém a patente sobre Thymoglobulin, forneceu gratuitamente os medicamentos para a pesquisa.

Christopher Curry escreve para The Gainesville

http://www.theledger.com/


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