Prevenção do Diabetes no longo prazo

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Tanto estilo de vida quanto a metformina ajudam a prevenir o diabetes em pacientes de alto risco, à longo prazo, relataram os pesquisadores durante Sessão Científica da Associação Americana de Diabetes (ADA) em São Francisco.

Após15 anos de acompanhamento de pacientes no Programa de Prevenção de Diabetes, as mudanças de estilo de vida proporcionaram um risco 27% menor de desenvolver diabetes, enquanto a metformina transmitiu uma redução no risco de 17% em comparação com os pacientes do grupo de controle, disse David Nathan, MD do Hospital Geral de Massachusetts em Boston, e colegas.

Nathan disse durante uma coletiva de imprensa que os resultados sugerem que os médicos podem prevenir ou retardar o aparecimento do diabetes tipo 2 “durante um longo período de tempo”.

Os principais resultados do Programa de Prevenção de Diabetes foram relatados em 2002, no New England Journal of Medicine. Os participantes que estavam em risco de diabetes foram randomizados para um de três grupos: de intervenção de estilo de vida, metformina preventiva ou um grupo placebo.

O estudo mostrou que a intervenção de estilo de vida reduziu o risco de desenvolver diabetes em 58%, enquanto a metformina reduziu o risco em 31%.

Os pacientes receberam a opção de continuar em uma extensão da pesquisa, o Diabetes Prevention Program Outcomes Study (DPPOS). Nesse ponto, todos os grupos de estudo foram autorizados a tentar a intervenção sobre o estilo de vida, se assim o desejassem.

Durante um período médio de 15 anos, os pesquisadores descobriram que aqueles no grupo de intervenção de estilo de vida tiveram 27% menor taxa de diabetes do que aqueles do grupo placebo, enquanto os do grupo metformina tiveram taxas de 17% mais baixas de diabetes.

William Knowler, MD, PhD, MPH , do Instituto Nacional de Diabetes e Doenças Digestivas e Renais (NIDDK), disse que a incidência global de diabetes foi de 20% menor no grupo de estilo de vida e 18% menor no grupo metformina em comparação com o grupo placebo.

Todos os três grupos mantiveram um bom controle glicêmico, com uma média de HbA1c de 6,1%, 6% e 6%, respectivamente, em relação ao placebo, a metformina, e grupos de estilo de vida. Isto foi estatisticamente significativo, mas de “impacto clínico questionável”, disse Knowler.

A falta de uma grande diferença pode ter sido resultado da intervenção ou do diagnóstico rápido e tratamento intensivo do diabetes, tão logo ele tenha se desenvolvido, acrescentou.

As complicações microvasculares

Também não houve diferenças entre os três grupos em termos de complicações microvasculares, de acordo com Kieren Mather, MD , da Universidade de Indiana.

Uma proporção similar de pacientes atingiu o principal ponto de complicações microvasculares agregados a 15 anos: 12,4% dos que receberam placebo, 13% das pessoas com metformina, e 11,3% daqueles no grupo de estilo de vida.

No entanto, aqueles que não desenvolveram diabetes tiveram um risco 28% menor de complicações microvasculares do que aqueles que se desenvolveram diabetes, o que implica que que intervir na fase de pré-diabetes é importante na redução de complicações da fase inicial, disse Mather.

“Isso equivale a um paradoxo”, disse ele. “Nós temos uma redução de diabetes e uma menor prevalência de complicações em pessoas que não desenvolveram diabetes, mas não temos um efeito de tratamento para prevenir complicações do diabetes neste momento.”

Ele disse que a obtenção de um bom controle glicêmico em todos os três grupos pode explicar a falta de benefício aparente.

Nathan disse que a descoberta “dá esperança real de que agir cedo e prevenção do diabetes proporcionam melhores conseqüências mais tarde”.

Sue Kirkman, MD da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, que não esteve envolvida no estudo, disse que os dados sobre as complicações microvasculares foi “interessante porque, embora ainda não possamos ver as diferenças entre os três grupos de tratamento, pudemos enxergar um redução de complicações microvasculares se você não desenvolver diabetes, por isso parece que, à longo prazo, deve realmente fazer a diferença para as pessoas se seus diabetes puderem ser adiado ou evitado por estas intervenções”.

Doença macrovascular

Nathan explicou que durante o período de estudo, houveram poucos eventos cardiovasculares para avaliar esses resultados, por isso os pesquisadores decidiram focar nos resultados de fatores de risco, tais como mudanças no nível de gordura e marcadores inflamatórios, bem como na calcificação da artéria coronária.

“A doença cardiovascular foi de grande interesse para nós, já que é uma das principais causas de morte e morbidade grave em pacientes diabéticos do tipo 2”, disse Nathan ao MedPage Today . “Em uma análise interina de 5 ou 6 anos atrás, que envolvia toda toda a população da pesquisa, tivemos cerca de um terço do número de eventos cardíacos que pensávamos que iria ocorrer, por isso não temos dados consistentes para conclusões”.

Nas novas análises, os pesquisadores descobriram que os pacientes na intervenção de estilo de vida tiveram uma maior redução nos fatores de risco cardiovascular em comparação com placebo, e que os da metformina também tiveram um risco reduzido, porém uma redução menor do que a ocorrida no grupo de estilo de vida.

Nathan disse que ambas as intervenções também proporcionaram melhora na calcificação da artéria coronária, com maiores benefícios para os homens que tomavam metformina em comparação com os outros grupos.

Implicações na saúde pública

Kirkman disse que os resultados reforçam as conclusões iniciais da pesquisa que concluiu que o mudanças no estilo de vida é a intervenção mais potente: ” Ele não é o mais fácil de implementar, mas é claramente o mais eficaz”.

“A grande questão na prevenção da diabetes é como podemos lançar uma intervenção eficaz  sobre o estilo de vida para a comunidade e fazê-lo de uma forma menos dispendiosa do que foi feito no presente estudo, porque este era um trabalho de pesquisa e eles fizeram grande esforço para provar a  pergunta científica”, disse Kirkman. “Há uma série de modelos interessantes de como a prevenção do diabetes pode ser desenvolvida em um ambiente de grupo ou através da Internet por educadores de diabetes e por outros diabéticos com maiores conhecimentos”.

Ela observou, porém, que por não haver reembolso para aconselhamento dietético e estilo de vida, isto é um grande problema para a aplicação destes métodos.

“É difícil de fazer no sistema médico tradicional, e podemos precisar de vínculos junto à comunidade para descobrir como podemos fazer isso”, disse Kirkman.

http://www.medpagetoday.com/


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