Pai inventa ‘Pâncreas Biônico’ para ajudar filho com Diabetes

Ed Damiano e seu filho David, 15, jogam basquete em casa em Acton, Massachusetts. Ed inventou um dispositivo que ele espera fazer  com que a diabetes de David fique mais fácil de gerir.

Um alarme soa no meio da noite na mesa de cabeceira de Ed Damiano. Ele salta ligeiro da cama e corre para o quarto de seu filho ao lado.

Seu filho, David, tem diabetes tipo 1. Com 15 anos de idade, ele dorme ligado a um monitor que soa um alarme quando o seu  açúcar no sangue fica muito baixo. Se o seu nível de glicose cair drasticamente, David pode até morrer durante o seu sono.

Ao chegar, quando toca a mão de David, ele está quente. Ele está bem, diz Damiano e completa: “Esse é o momento de alívio”.

O pai tem feito isso noite após noite desde que seu filho foi diagnosticado com diabetes tipo 1 aos 11 meses de idade.

Mas Damiano fez mais do que o monitoramento noturno para tentar proteger o filho. Sendo professor associado de engenharia biomédica na Universidade de Boston, ele mudou o foco de sua carreira para desenvolver uma melhor maneira de cuidar de pessoas com diabetes tipo 1.

“É intimidante quando você começa a considerar a lista de coisas que influenciam na variação do nível de açúcar no sangue”, diz ele. “As emoções, atividade física, se você está saudável. Você não pode ter tudo em conta e equilibrar todas essas coisas. Às vezes você acerta, mas muitas vezes você erra”.

Damiano desenvolveu um sistema que ele chama de um “pâncreas biônico”, projetado para ajudar as pessoas com diabetes tipo 1 a gerir melhor o seu nível de açúcar no sangue. Ele está correndo para obter aprovação pela Food and Drug Administration (FDA) antes que seu filho saia de casa para morar sozinho na faculdade daqui a três anos.

Em testes com 52 adolescentes e adultos, o aparelho fez um trabalho melhor de controle da glicemia do que eles fariam normalmente por conta própria. Os resultados foram relatados domingo em uma reunião da American Diabetes Association, em São Francisco, e também publicado no New England Journal of Medicine.

No momento, o sistema de Damiano é basicamente um aplicativo sofisticado que funciona em um iPhone. O iPhone fica conectado sem fio a um tipo de monitor de açúcar no sangue que muitas pessoas com diabetes utilizam em seus abdomens.

O aplicativo analisa os dados do monitor e envia sinais sem fios para duas bombas que são semelhantes aos dispositivos que muitos pacientes com diabetes utilizam. Neste caso, uma bomba contém insulina e a outra contém glucagon, um hormônio diferente que aumenta o açúcar no sangue quando seu nível fica muito baixo.

“O pâncreas biônico é um dispositivo que cuida automaticamente de seu açúcar no sangue 24 horas por dia durante os 7 dias da semana”, diz Damiano. “É um dispositivo que acaba te conhecendo”.

Ele não é o único a trabalhar em algo assim. Vários grupos nos Estados Unidos e em outros países estão testando sistemas similares. Mas o sistema de Damiano é um dos mais avançados. Por exemplo, é um dos poucos que usa tanto a insulina quanto o glucagon.

Especialistas em diabetes do National Institutes of Health e da Fundação de Pesquisa do Diabetes Juvenil, os quais forneceram o financiamento para a pesquisa de Damiano, dizem que seu sistema é promissor. Mas ainda não está claro qual abordagem irá funcionar melhor, dizem. O de Damiano poderia, por exemplo, vir a ser muito complicado.

“Porque é mais complexo, usando uma bomba para cada hormônio, pode também torná-lo mais difícil para as pessoas usá-lo se houver uma falha do sistema”, diz Guillermo Arreaza-Rubin, diretor de programa no Instituto Nacional de Diabetes e Doenças Digestivas e Renais. Na pior das hipóteses, alguém poderia morrer de hipoglicemia severa se o dispositivo falhar.

Com base nos resultados da última rodada, ficou aprovado lançar uma nova rodada de testes. Dezenas de voluntários adultos e adolescentes vão usar o sistema por conta própria por 11 dias. Os primeiros voluntários começam a usar já nesta segunda-feira.

“Essa coisa vai tirar as preocupações sobre o meu nível de glicose no sangue”, diz Ariana Koster, 24, um dos voluntários. Koster tem sofrido com a diabetes desde que tinha 11 anos.

Durante um teste recente para o novo estudo, Koster fez uso do sistema durante três dias. Pela primeira vez em anos, diz, ela não ficou obcecada à respeito de seu nível de açúcar no sangue. Ela até comeu sorrateiramente um cookie no meio de uma noite, e se entregava à sua comida favorita: pad thai.

“Eu já posso ver o quão incrível ele é”, disse Koster.

Não há ainda empresas envolvidas no desenvolvimento do dispositivo. Damiano espera ganhar a aprovação do FDA antes que seu filho David venha a passar a primeira noite sozinho em seu quarto na faculdade daqui a 3 anos. De sua parte, David está confiante que o pâncreas biônico de seu pai esteja pronto a tempo.

“Toda a minha vida eu soube disto – eu tenho a certeza que o meu pai irá criar este pâncreas biônico até eu ir para a faculdade”, diz David. “Estou confiante nele. Ele trabalha arduamente”.

http://www.wbur.org/


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