Em bairros mais tranquilos há menor índice de obesidade e diabetes

As pessoas que vivem em bairros que são mais favoráveis ​à caminhada apresentaram uma taxa substancialmente menor de obesidade, sobrepeso e diabetes do que aqueles que viviam em bairros mais auto-dependentes, de acordo com dois estudos apresentados nas Sessões Científicas da American Diabetes Association realizadas em São Francisco.

Pesquisadores do Canadá, compararam adultos que viviam nas regiões mais “tranquilas” e menos metropolitanas ao sul de Ontário e encontraram um menor risco de desenvolver diabetes ao longo de um período de 10 anos para aqueles que viviam em bairros com menor expansão, mais interconectividade entre ruas e mais lojas e serviços locais a uma curta distância, entre outras medidas usadas para determinar o índice de “caminhabilidade” do bairro.

Os pesquisadores controlaram as variáveis, tais como a saúde no início do estudo, a fim de descartar a probabilidade de que as pessoas mais saudáveis ​​estavam escolhendo os bairros mais tranquilos para começar.

Um segundo estudo comparou os bairros, não os indivíduos, e descobriram que os bairros mais tranquilos tiveram uma menor incidência de obesidade, sobrepeso e diabetes.

“A maneira como construímos nossas cidades importa em termos de nossa saúde em geral”, disse o pesquisador-chefe Gillian Booth, MD, endocrinologista e pesquisador do Hospital St. Michael e do Instituto de Ciências Evaluativas Clínicas (CIEM), em Toronto.

“Esta é uma peça de um quebra-cabeça em que podemos, potencialmente, fazer algo a respeito. Como uma sociedade, nós projetamos a atividade física de nossas vidas. Cada oportunidade de caminhar, de sair, de ir para a loja da esquina ou levar a pé os nossos filhos para escola pode ter um grande impacto sobre nosso risco de diabetes e excesso de peso”.

Marisa Creatore, epidemiologista do Centro de Investigação de Saúde no Hospital St. Michael, em Toronto, acrescentou que os estudos revelaram o grau em que “o ambiente pode influenciar suas decisões sobre a atividade física. Quando você vive em um bairro projetado para encorajar as pessoas a serem mais ativas, você, de fato, deverá ser mais ativo”.

Especificamente, os estudos descobriram que as pessoas que vivem em bairros com maior  facilidade para caminhadas tiveram, em média, um desenvolvimento 13 por cento mais baixo de incidência de diabetes em 10 anos do que aquelas de outros bairros mais urbanos. No entanto, este parâmetro foi observado apenas nas pessoas que eram mais jovens e de meia-idade; aquelas que tinham 65 anos ou mais, não tiveram nenhum benefício de viver em um bairro tranquilo.

A incidência de Diabetes foi menor nos bairros mais tranquilos, onde o número caiu 7 por cento em 10 anos, enquanto que nos bairros com menores incentivos para caminhada, houve um aumento de 6 por cento no índice de diabetes em relação ao mesmo período de tempo. Excesso de peso e obesidade  foram menor nos bairros mais tranquilos e houve uma redução de 9 por cento em 10 anos, enquanto que aumentou 13 por cento  nos demais bairros com menores incentivos para a caminhada durante esse tempo.

Os pesquisadores também observaram que as pessoas que viviam nas zonas mais tranquilas eram três vezes mais propensas a andar a pé ou de bicicleta e tinham a metade da probabilidade de utilizar um automóvel como um meio de transporte.

Resolver a pandemia de obesidade, concluiu Booth, “exigirá mudanças na política, bem como estratégias individuais. Nós temos que ter uma abordagem para o problema mais centrada na população, tendo em vista o ambiente em que vivemos”.

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