Cuidado ao pé diabético

Conforme estatísticas do Ministério da Saúde, cerca de 55 mil amputações são realizadas, no Brasil, em decorrência da diabetes e especialistas afirmam que a manutenção do controle dos níveis de glicemia é fundamental para evitar esse mal. Com cerca de 200 pacientes, o Programa de Atenção ao Pé Diabético do Hospital Alberto Rassi (HGG), em Goiás, oferece o tratamento àqueles que tiveram complicações com doença. Com mais esse auxílio os profissionais têm conseguido até mesmo evitar a amputação em alguns casos. No dia 31 de maio, foi realizado, no HGG, o programa nacional Passo a Passo no Pé Diabético para médicos e enfermeiros da rede básica de Goiânia e interior. O evento foi realizado em parceria com o Grupo Brasileiro de Pé Diabético. Dados do Ministério da Saúde (MS) apontam que são realizadas 55 mil amputações anuais em decorrência do diabetes mal controlado no Brasil.

Nelson Rassi, coordenador da seção de Endocrinologia do Hospital Alberto Rassi e presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes regional Goiás explica que o programa objetiva a conscientização do paciente portador de diabetes assim como do profissional que o assiste da importância que são os cuidados dos pés nos pacientes com diabetes tipos 1 ou 2. “Envolve tanto o aspecto preventivo como curativo”, ressalta.

A médica endocrinologista responsável pelo Programa de Atenção ao Pé Diabético, Judith Mesquita, responsável pelo programa no HGG desde sua implantação, em 2000, fala sobre os cuidados a serem tomados pelos pacientes com a doença. “Os riscos de amputação aumentam quando o diabetes é mal controlado. Além disso, é preciso que o paciente passe por exames neurológicos e vasculares para identificar se ele requer cuidados especiais com os pés”, esclarece. Três vezes por semana ocorre o atendimento aos pacientes encaminhados via regulação: “Primeiro são feitos os cuidados com a enfermagem e depois é realizada a orientação médica”, ressalta Judith.

Ela cita que o programa visa o treinamento de profissionais da atenção básica com o objetivo de capacitá-los ao diagnóstico do pé em risco de ulceração e tratamento adequado dos pés já ulcerados, minimizando os riscos de amputação. “O Pé diabético representa uma tragédia na vida do paciente, pois resulta em um aumento nas taxas de mortalidade, hospitalização prolongada, afastamento das suas atividades profissionais, isolamento social e depressão”, destaca.

De acordo com a endócrina, o pé diabético pode ocorrer tanto no diabetes tipo 1 como no tipo 2 e tem uma relação direta com a duração do diabetes, idade e o grau de controle da doença. Portanto, se você tem a doença, fique atento e não deixe de ir ao médico para controlar e quem sabe até conseguir evitar prováveis amputações. “Essa doença representa uma das principais complicações do diabetes e é definido como a presença de infecção, ulceração e/ou destruição de tecidos profundos, associados a anormalidades neurológicas (neuropatia) e vários graus de alterações circulatórias (isquemia) nos pés. A  sua principal consequência é  a amputação”, esclarece.

Ela explica que cerca de 85% das amputações são precedidas por úlceras e a neuropatia representa fator desencadeante em 90% das ulcerações. “Portanto, o exame clínico do pé para detecção de alterações neuropáticas e circulatórias e a implementação de medidas preventivas como educação e uso de calçados adequados, reduz as taxas de amputação”, afirma.

Sobre o diabetes

O diabetes tipo 1 que representa 5-10% casos, ocorre devido a uma destruição das células betapancreáticas resultando em deficiência insulínica, o diabetes tipo 2 (90-95% casos) ocorre através de uma combinação de predisposição genética associada a fatores de risco como obesidade, hipertensão arterial, níveis elevados de colesterol e triglicérides assim como alimentação rica em gorduras e açúcar e sedentarismo, é o que explica Judith. “A alimentação quando inadequada e não balanceada, favorece o ganho de peso e consequentemente aumenta o risco de desenvolvimento do diabetes em pessoas predispostas geneticamente”, esclarece a médica.

Diagnóstico

O pé em risco representa um pé com alterações neuropáticas (lesões nos nervos) e/ou isquêmicas (má circulação), assintomáticas em 50% dos pacientes, por isso a importância de examinar os pés independente de sintomas. “O diagnóstico consiste em testes neurológicos simples e exame vascular com palpação de pulsos e realização de teste não invasivo chamado Índice Tornozelo Braquial (ITB)”, explica a endócrina Judith Mesquita. Ela explica que todo paciente deve ter seu pé examinado anualmente e na presença de neuropatia e/ou isquemia o acompanhamento deve ser em intervalos de três a quatro meses.

A senhora Edilamar Vieria, 57, tem diabetes há cerca de dez anos, ela descobriu a doença por conta de seu apetite que estava muito grande e causou estranhamento até mesmo nos colegas de trabalho da maternidade onde trabalhava antes de se aposentar. “Me disseram para fazer o exame e foi constatada a doença, tenho uma tia que faleceu pela diabetes e um irmão que também tem a doença. Como eu trabalhava muito, acabei me descuidando do tratamento, foi quando surgiu uma úlcera no meu pé e adquiri então o pé diabético”, explica. Ela ressalta que desde descobriu essa doença passou a fazer tratamento no HGG. “Tive que começar a usar um sapato e sola especiais, e faço acompanhamento para a doença não progredir”, diz.

Como diagnosticar a doença

Glicemia de jejum maior ou igual 126 mg/dl glicemia maior que 200 mg/dl 2 horas após ingestão de 75g de glicose( teste de tolerância à glicose oral) glicemia ao acaso maior que 200mg/dl associado a sintomas clássicos (muita sede, aumento da diurese e perda de peso inexplicada).

Tratamento

Através de Antibioticoterapia, limpeza cirúrgica da lesão, repouso, revascularização em caso de má circulação, são possíveis formas de tratamento do pé diabético segundo a endocrinologista. “Geralmente é necessário hospitalização. O fundamental é o tratamento preventivo, ou seja, detectar as alterações que precedem o pé diabético e através de medidas educativas evitar a ulceração e consequentemente a amputação”, cita. Ela esclarece ainda que calçado inadequado é responsável pelas ulcerações em 80% dos casos e, portanto, a adequação do calçado é fundamental na prevenção de lesões nos pés. “E ainda mais precocemente manter um controle adequado do diabetes, prevenindo esta complicação devastadora e com consequências mutilantes que impactam a vida do paciente e oneram o sistema público de saúde”, diz

Sobre o projeto

O Programa Passo a Passo no Pé Diabético foi iniciado com um treinamento para 60 profissionais da atenção básica de diversas cidades do Estado de Goiás. A parte teórica ocorreu no Auditório do Conselho Regional de Medicina (CRM). Esta é uma iniciativa da Federação Internacional do Diabetes (sigla em inglês é IDF) e do Grupo de Trabalho Internacional sobre pé diabético, que têm como objetivo melhorar o cuidado do pé diabético e reduzir as taxas de amputação nos países em desenvolvimento.

Em todos os Estados brasileiros, os delegados do Grupo de Pé Diabético no Brasil (Braspedi) que participaram do treinamento internacional estão organizando estes cursos locais para realizar o treinamento sequencial de outros profissionais da saúde, incluindo médicos clínicos gerais, endocrinologistas e enfermeiros. Em Goiás, as representantes são a médica do HGG, Judith Mesquita e a enfermeira Cristina Pereira.

http://www.dm.com.br/


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