A mulher diabética

– “Basta você se lembrar de fazer todas as coisas certas e não comer as coisas erradas”.

A frase acima é de autoria da Sra. Winsome Johnston de 86 anos de idade, a pessoa viva que possui diabetes há mais tempo no mundo. Ela foi diagnosticada aos 6 anos de idade, portanto há 80 anos que ela é diabética do tipo 1.

Quando jovem, a Sra. Johnston ouviu dos médicos que não teria muito tempo de vida e que jamais teria filhos. Parece não ter ligado para este conselho, pois teve quatro filhos, netos e ainda hoje tem oito bisnetos.

O segredo para a sua longevidade e sobrevivência em época tão hostil para quem tinha diabetes, foi a disciplina. Ela teve a determinação de seguir o próprio conselho em todos os momentos de sua vida.

Esta história só vem confirmar o resultado de várias pesquisas que indicam que a mulher que tem diabetes cuida de sua condição melhor do que os homens, daí viver mais do que este. No Brasil, sabemos que toda a rígida disciplina da Sra. Johnston é muito difícil de ser seguida, já que vivemos num país alegre e festivo, um convite a sair da linha, o que é ótimo.

Não se aplica a todas nós, mas quem não conhece várias mulheres que costumam cuidar dos filhos, do marido, da casa, dos problemas da casa, da saúde de toda a família? Logo, cuidar da própria diabetes não parece ser nada complicado diante de tanto trabalho.

Mas apesar de aparentemente fácil, por causa desta multiplicidade de tarefas e necessidade constante de distribuir atenção a tudo e a todos, nós mulheres podemos, eventualmente, esquecer de cuidar de nós mesmas. Nessas horas uma hipoglicemia (baixo nível de glicose no sangue) pode chegar e nos deixar desamparadas. Aquela força que tínhamos para realizar as mil tarefas diárias deixa de existir e nos transformamos em um ser extremamente frágil.

A pressa de cumprir com os deveres acaba por nos fazer esquecer de tomar a insulina, o que pode provocar uma hiperglicemia (nível alto de glicose no sangue). Neste estado, ficamos irritadas, nervosas, agitadas e, às vezes, insuportáveis.

No mês de março tem o dia internacional da mulher. Todas as mulheres tem seu dia para comemorar. Porém acho isso muito pouco para nós mulheres diabéticas, pois num único dia podemos ir da fragilidade de um filhote durante uma hipo, à força e ferocidade de uma leoa durante a hiper. Não somos uma mulher apenas, valemos por muitas.

Quem está com a mulher diabética não sofre de monotonia.

raquel

Raquel Limonge, tem diabetes do tipo 1 há mais de 30 anos, é psicóloga, desenhista industrial e editora do TiaBeth.com.

* Reprodução livre


Similar Posts

Topo