Médicos divergem sobre os antigos e novos medicamentos para diabetes

Existe uma linha divisória separando a “velha” e a nova escola  em relação ao tratamento do diabetes tipo 2.

David Nathan, diretor do Centro de Diabetes do Massachusetts General Hospital, diz que ele foi chamado de reacionário é cético em relação à frequência com que outros médicos prescrevem novos medicamentos para o tratamento de diabetes.

“No geral, o fato de existir uma grande variedade de medicamentos para escolher é uma coisa boa”, disse Nathan. “O debate ativo que está acontecendo dentro da comunidade de diabetes é: Qual é o valor relativo destas novas drogas, especialmente porque todas elas custam mais do que as drogas mais antigas?”

Metformina, sulfonilureias e insulina são munições no arsenal tradicional de medicamentos para diabetes. Cada medicamento, antigos e novos, tem uma forma única de trabalhar no corpo, mas, em geral, o objetivo é o de controlar o açúcar no sangue que, em doses elevadas ao longo do tempo, pode danificar os vasos que fornecem sangue para os órgãos vitais.

Alguns dos medicamentos mais recentes incluem a sitagliptina, da Merck, vendido sob a marca Januvia  e Invokana da Janssen Pharmaceuticals.

Nathan está no lado daqueles que muitas vezes favorece os mais antigos medicamentos para diabetes, porque eles têm um  um longo registro de uso e riscos mais familiares.

Enquanto isso, alguns pesquisadores da indústria argumentam que só porque os remédios foram aprovados há mais de uma década não quer dizer que eles sejam mais seguros.

Invokana, aprovado no início deste ano, atua sobre os rins para eliminar o açúcar através da urina, o que reduz a glicose que alcança a corrente sanguínea.

“Isso pode causar infecções do trato urinário”, disse Nathan. “Essas drogas têm vantagens e benefícios, e todas elas têm desvantagens”.

Uma nova pesquisa, em andamento, pode ajudar a arbitrar o debate, mas os críticos dizem que nesse meio tempo, a concorrência entre as empresas de drogas é intensa, assim como é a sua publicidade direta ao consumidor.

Embora muitos médicos sejam antiquados como Nathan, outros, incluindo Serge Jabbour, são capazes de citar uma longa lista de vantagens dos novos medicamentos.

Jabbour, que lidera a divisão endócrino no Jefferson Hospital, disse que ele é um fã dos novos remédios porque as drogas mais recentes, introduzidas a partir de meados do ano 2000 ou mais tarde, são menos propensas a causar “eventos hipoglicêmicos.”

“Apenas imagine uma pessoa mais velha tendo uma reação hipoglicêmica (baixo teor de açúcar)”, afirma Jabbour. “Eles podem perder a consciência, eles podem cair, eles podem ter uma fratura de quadril”.

Algumas das mais recentes classes de medicamentos também ajudam os pacientes a perder peso, o que pode beneficiar o colesterol, o coração e ainda diminuir a apneia do sono.

Considerações de custo

Essas vantagens, Jabbour disse, pode compensar o aumento do preço – contanto que um paciente tenha seguro saúde.

A faixa de co-pagamentos é de US $ 20 a US $ 60, disse ele. Pacientes que pagam em dinheiro sem cobertura de saúde podem gastar US $ 300 ou US $ 400 por mês.

Em 2012, os Estados Unidos gastaram 176 bilhões de dólares em custos médicos diretos sobre cuidados com o diabetes. Cerca de dois milhões de novos adultos são diagnosticados com diabetes nos EUA a cada ano, a maioria deles com diabetes tipo 2.

“Podemos literalmente levar à falência o sistema de saúde por causa dessa epidemia de diabetes, assim como com a introdução de uma série de novas e caras drogas”, disse Nathan.

Preocupações do paciente

Nathan estava na Filadélfia neste mês para um encontro organizado pela Thomas Jefferson University – e lembrou à multidão sobre algumas das tendências que levam à epidemia de obesidade diabetes tipo 2.

“Em comparação a 30 anos atrás, a maioria de nós senta-se durante a maior parte do dia do nosso trabalho na frente de uma tela do computador e não costuma andar muito”, disse ele. “E, ao mesmo tempo, saímos para almoçar e ter uma refeição de alto teor calórico e antes de perceber, à medida que vamos envelhecendo, ganhamos um quilo de cada vez”.

A maioria das pessoas com diabetes, eventualmente, precisa de dois medicamentos para manter o açúcar no sangue sob controle. Durante o encontro, vários médicos falaram sobre a relutância dos seus pacientes para iniciar o tratamento com drogas para diabetes, especialmente se eles já estão tomando um remédio de colesterol ou medicamentos para controlar a pressão arterial alta.

“Ninguém quer tomar seis, sete, oito, nove, ou dez medicamentos, por isso precisamos tentar minimizar isso também”, disse Nathan. “O que significa geralmente que você tem que tomar os medicamentos que são ligeiramente mais potentes”

 

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