Gerenciando o diabetes tipo 2

Para Pablo Sierra, a vida com diabetes tipo 2 é “uma batalha em curso, mas eu sei que tenho o controle”. Tem sido assim há 17 anos, desde que Sierra foi diagnosticado com a doença, mas “eu ainda tento diferentes técnicas de comer, exercitar, além de viver alterando os medicamentos”, disse ele.

Não há cura para o diabetes tipo 2, porém o controle da doença significa um compromisso com a vida. Felizmente, um relatório do início deste ano elaborado pelo Institutos Nacionais de Saúde e pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, descobriu que os americanos, como Sierra, estão fazendo um trabalho melhor de cuidar de si mesmos a partir do cumprimento das metas principais, conhecidas como o ABC do diabetes.

O ABC, conforme definido pela American Diabetes Association e American College of Physicians, referem-se à realização de verificações do nível A1C ou o nível médio de glicose durante os últimos dois ou três meses, pressão arterial e colesterol. A gestão deste ABC é fundamental para reduzir o risco de potenciais complicações do diabetes, como doenças do coração, derrame cerebral, insuficiência renal e cegueira.

De acordo com o estudo do NIH-CDC, o número de pacientes que cumpriu todos os três objetivos ABC subiu de cerca de 2 por cento para 19 por cento, entre os anos de 1988 e 2010. Por outro lado, quase metade dos americanos com diabetes não cumpre qualquer meta ABC, e oito em cada 10 não alcançou todos os três.

“É bastante difícil aprender tudo sobre o diabetes”, disse Betul Hatipoglu, MD, um endocrinologista da Clínica Cleveland, que recomenda ter o ABC verificado pelo menos uma vez a cada seis meses. “É muita coisa para digerir, mas é importante para o paciente não desistir, aprender a gerir a doença e cuidar de si”.

A – A1C Glicemia

Verificar o seu açúcar no sangue diariamente lhe dá um número instantâneo valioso de como você está administrando a sua condição no decorrer do dia. O teste de A1C dá-lhe um quadro maior, medindo os níveis médios de açúcar no sangue durante um período de 2 ou 3 meses. “Nós olhamos para ele como um marcador de saúde”, disse Joel Zonszein, MD, diretor do Centro de Diabetes Clínica do Centro Médico Montefiore, em Nova York. “É também um marcador muito importante de complicações”.

O teste de A1C mede qual a percentagem de hemoglobina – a proteína presente nos glóbulos vermelhos que transporta oxigênio – revestida com açúcar. Quanto maior a sua A1C, significa que seu plano de tratamento de sua diabetes está menos eficaz. A maioria dos médicos considera um nível de A1C abaixo de 7 por cento como uma indicação de que o diabetes tipo 2 está bem controlada. O teste é geralmente administrado duas vezes por ano, embora o seu médico possa recomendar fazê-lo mais vezes se houver qualquer alteração no seu plano de tratamento.

Sierra, 57 anos, foi deslocado de sua casa quando o furacão Sandy atingiu Nova York no ano passado.Forçado a ficar com a família, ele foi comer em restaurantes mais do que o habitual e seu nível de A1C subiu para cerca de 9 por cento. “Foi difícil porque eu ficava deprimido num dia por causa de minha situação habitacional e saía para comer um cheeseburger triplo”, disse ele. “Mas eu sabia que minha dieta era algo que eu precisava mudar, isso se eu pudesse me controlar”.

B – Pressão arterial (Blood Pressure)

De acordo com a American Diabetes Association, a hipertensão é muito comum entre as pessoas com diabetes, que afeta tanto quanto 60 por cento dos pacientes. Na diabetes de tipo 2, hipertensão está sempre presente como parte da sintoma metabólico da resistência à insulina. Pessoas com diabetes que também têm hipertensão têm cerca de duas vezes maior risco de doença cardiovascular.

O American College of Physicians recomenda que as pessoas com diabetes tipo 2 tenham sua pressão arterial verificada cada vez que vão ao médico e que o seu objetivo deve ser uma leitura não superior a 135/80 milímetros de mercúrio (mm Hg).

“Se um paciente diabético tem pressão arterial elevada, ele precisa ser tratado de imediato”, disse Hatipoglu. “Se está alta, eles ficam mais propensos à doença renal e acidente vascular cerebral, que são algumas das piores complicações. Mas isto pode ser evitado através do controle da pressão arterial, com uma dieta e alterações do estilo de vida e, se necessário, de medicação”.

C – Colesterol

Pessoas com diabetes são mais propensas a ter elevados níveis de colesterol não saudáveis – altos níveis de LDL ou colesterol “ruim” e baixos níveis de HDL ou colesterol “bom” – uma condição conhecida como dislipidemia diabética. Os relatórios da ADA apontam que a diabetes tipo 2 está associada com um excesso de risco quatro vezes maior de doença cardíaca coronariana.

“Somos rigorosos com o controle do colesterol, pois quanto maior ele for, maior o risco de doença cardíaca”, disse Hatipoglu.

Às vezes, o colesterol pode ser controlado através da perda de peso e exercício, mas o médico também pode prescrever medicamentos para baixar o colesterol, como estatinas.

 

Para pacientes com diabetes, tentar satisfazer todas as suas metas ABC, pode ser muito desafiador. Zonszein recomenda trabalhar com o seu médico para definir prioridades e adequar um plano de tratamento com base em sua condição. “Eles estão todos interligados, e é comum os pacientes terem mais de um desses fatores”, disse ele. “Queremos tratar de tudo, não apenas da anormalidade. É algo que os pacientes devem discutir com seus médicos – como priorizar o que deve ser tratado em primeiro lugar e quais medicamentos tomar para estabilizar sua condição”.

“Eu passo por pequenos desvios quando saio da minha rotina, mas depois sempre estou de volta aos trilhos”, disse Sierra. “As pessoas devem seguir as instruções do seu médico e manter-se em suas rotinas de cuidados, pois ao fazer isso, a diabetes fica muito mais fácil de gerir”.

 

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