Inhame é testado para tratar diabetes tipo II

No Laboratório de Nutrição Experimental, vinculado à Faculdade de Nutrição, da Universidade Federal Fluminense (Labne / UFF), o nutricionista Gilson Teles Boaventura está à frente de um projeto diferente: a possibilidade de usar farinha de inhame no tratamento desse tipo de diabetes. Desenvolvida com animais de experimentação, a pesquisa já apresenta alguns resultados que mostram que esse pode ser um bom aliado para diminuir alguns transtornos metabólicos causados pelo diabetes, melhorando as estruturas do pâncreas, o órgão responsável pela produção de insulina.

Contemplado no edital de Apoio a Biotérios, da FAPERJ, Boaventura conta que os recursos foram utilizados para modernizar e reformar o espaço onde ficam os animais, de modo a atender às normas do Comitê de Ética de Uso de Animais (Ceua), da UFF. “Adquirimos, por exemplo, uma estante nova com 25 gaiolas hermeticamente fechadas, cada uma delas com um sistema de filtração do ar que entra na gaiola e é ligada a um exaustor. Isso significa que um grupo de animais não entra em contato com os outros, nem que o ambiente dentro do biotério fica contaminado”, explica o pesquisador. Outra aquisição do projeto foi a câmara de troca. “Quando precisamos limpar a gaiola de um animal, a colocamos dentro da câmara de troca. Depois de realizar todos os procedimentos necessários, a gaiola é fechada novamente e volta para o seu local na estante.”

A reforma do biotério garantiu um espaço adequado para a manutenção das ratas utilizadas no projeto. Boaventura explica que um grupo delas recebeu uma dieta hiperlipídica associada a uma droga para induzir o diabetes. Ao final dessa etapa, elas apresentavam uma taxa média de glicose de 300mg/dL, três vezes maior do que a do grupo controle, que recebeu uma dieta balanceada. A segunda parte do estudo dividiu as ratas, já diabéticas, em dois grupos: um continuou recebendo somente ração hiperlipídica, enquanto o outro grupo tinha a ração hiperlipídica acrescida de 25% de farinha de inhame.

O pesquisador destaca que, embora os dois grupos tenham mantido altos índices de açúcar no sangue, o grupo que recebeu dieta com a farinha de inhame apresentou algumas melhoras metabólicas: “Após analisar o pâncreas desses animais, pudemos concluir que os que receberam farinha de inhame apresentavam as células pancreáticas mais organizadas e estruturadas, o que pode significar uma maior atividade desse órgão e, consequentemente, uma produção de insulina mais eficaz”, explica Boaventura. Ele acrescenta ainda que outro parâmetro analisado foi a densidade óssea, uma vez que se sabe que diabéticos sofrem uma perda óssea. “Pudemos concluir que a mineralização dos ossos foi mais eficiente nos animais que receberam farinha de inhame. Isso pode significar menor propensão de a fêmea desenvolver fragilidade óssea.”

O nutricionista ressalta que ainda é cedo para tirar conclusões. “O que temos no momento são indícios de que a implementação do inhame na alimentação pode trazer benefícios para portadores de diabetes, no sentido de melhorar a proteção do metabolismo de órgãos afetados pela doença.” Boaventura explica que o inhame pertence a uma família de tubérculos que apresenta mais de 600 espécies, 14 delas próprias para o consumo como alimento. “Na literatura científica, tem sido descrito que o inhame possui superioridade nutricional quando comparado a outros tubérculos, como batata e mandioca. Para a nossa pesquisa, o que interessa pincipalmente é o fato de que este alimento ter um elevado potencial antioxidante, o que é bom para diminuir os problemas causados pela hiperglicemia, como danos renais, neurológicos, cardiovasculares ou ainda na retina.”

Os passos seguintes, segundo o pesquisador, serão para o aprofundamento das pesquisas. “Vamos repetir alguns experimentos, inclusive aumentando a porcentagem de inhame na dieta dos animais, visto que 25% foi uma concentração pequena para os parâmetros da pesquisa científica.” Outro passo para o futuro é estudar seu consumo durante a gestação e lactação das ratas. “A verdade é que já se pode afirmar que incluir o inhame na alimentação é uma boa forma de manter uma dieta balanceada e ficar longe do excesso de peso. Com isso, já estamos contribuindo para melhorar o tratamento do diabetes tipo II”, conclui Boaventura.

Assessoria de Comunicação FAPERJ

 

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