Diabetes e a equipe multidisciplinar

O trabalho multiprofissional em endocrinologia otimiza vários aspectos do acompanhamento ao indivíduo com diabetes: otimiza a satisfação do indivíduo em acompanhamento, pois sente que várias pessoas se ocupam dele e assim a expectativa não é concentrada apenas no endocrinologista; otimiza a satisfação de quem acompanha, pois trabalhar em grupo traz mais tranqüilidade em relação a cada caso, reduzindo o nível de ansiedade em relação as dificuldades; otimiza tempo no atendimento, pois as tarefas são bem distribuídas, e assim otimiza nossos resultados que se focar no melhor controle do indivíduo com diabetes.

Dentro desta visão tenho procurado nos diversos aspectos da minha prática trabalhar e valorizar o papel da nutricionista, enfermeira, professor de educação física, psicólogo nas atividades práticas do indivíduo com diabetes. Algumas vezes percebo a dificuldade do endocrinologista, na prática clínica privada diária, em trabalhar em equipe.

Dentro da SBD, tenho excelentes experiências no trabalho com o grupo de enfermagem e nutrição. No trabalho de palestras à população, como podemos falar de exercício e diabetes sem orientação sobre carboidratos (CHO)? Como podemos dar apoio aos atletas com diabetes em corridas de rua sem conversar com esses atletas sem falarmos sobre carboidratos antes, durante e depois do exercício? Como orientar esses indivíduos quanto ao melhor tipo de carboidrato? Nós endocrinologistas não aprendemos sobre nutrição em nossa especialização durante a residência médica.

Considerando a orientação para o exercício ou mesmo fora dele, propor ao paciente contagem de carboidrato não se resume a entregar a ele uma caderneta com os valores de calorias de cada alimento. É necessário o papel da nutricionista no ensino, adequação e dinâmicas práticas com o paciente. Hoje, por exemplo, recebi um e-mail da nutricionista da minha equipe, Sabrina Soares, referindo-se a um de nossos pacientes que estava fazendo a contagem errada das porções de feijão. Desta forma ele finalmente usava uma proporção carboidrato-insulina diferente do que eu tinha proposto para ele (a proposta foi 20 grs de CHO=1U e ele estava usando 30grs de CHO=1U).

Assim o trabalho em conjunto evitou que eu aumentasse desnecessariamente a dose de insulina dele. Hoje trabalho com uma equipe multiprofissional (EMTD) em que acompanhamos os pacientes que iniciam terapia de bomba de insulina. A presença da equipe tem evidenciado uma redução do tempo necessário para o ajuste dos basais e das relações insulina-carboidrato das refeições no paciente que inicia terapia de bomba.

O departamento de exercícios contou com a participação do departamento de nutrição em atividades com a população neste semestre. Isso enriqueceu bastante nossas informações ao público. Parabenizo as nutricionistas pelo seu dia, reforçando a minha satisfação do nosso trabalho em conjunto.

Por Ana Claudia Ramalho Endocrinologista da Equipe Multiprofissional de Tecnologia em Diabetes – EMTD Coordenadora do Departamento de Atividade Física da SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes) –  2006/2007.

 

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